martedì, settembre 18, 2007

É tempo de mudança...


Sentada, coisas para empacotar, coisas pra guardar, preciso achar o caminhão, limpar o fogão, descongelar a geladeira, arrumar os livros, os papéis, as roupas e os sonhos e mudar. Quando cheguei aqui eu tinha acabado de fazer 18 anos, fazia faculdade há dois meses. Vim com um grande amigo, que eu tanto amo e de quem eu sinto tanta saudade hoje. Moramos na mesma cidade, mas há muitos anos não mais na mesma casa. Aqui plantei sonhos e esperanças, amei, desejei, rascunhei minha vidinha. Aqui estudei italiano, sintaxe, lingüstica, semiótica, literatura. Li livros, trouxe amigos pra dormir. Por aqui chorei um bocado de lágrimas, no banho, quietinha. Ou no colo de amigos, da Dani, do Junior... Aqui assisti jogos do Brasil das duas últimas copas, acompanhada pelo Fê e pelo Everton. Aqui jurei tantas coisas com sinceridade, menti tantas outras. Falei ao telefone. E como falei! E como ri... E como fui feliz e triste e alegre e bobinha. Como senti angústia! E medo e solidão! E como me senti protegida! E como cresci e mudei... Ouvi minhas músicas e as músicas dos outros. Fiz grandes amigos, amei alguns, me irritei com outros...

Lá se vão 6 anos e 5 meses. Noites sem dormir, estudando, rindo, chorando.. Noites acompanhadas, noites solitárias, noites imensas e noites bem pequeninas.

Agora que vou deixando tudo, confesso: o coração aperta um tanto. As árvores do condomínio, a rua por onde andei durante tantos anos, o passado, o presente, as esperanças de mais alegria, de mais amor, de um mundo melhor. Quem chegou? Quem está saindo? Quem era a menina que chegou? A menina que gostava de ler, que amava o mundo e o teatro e achava tudo bonito? A menina que queria estudar italiano, que queria estudar literatura, que amava música e que foi amando as coisas que lhe apresentavam? Que ria dos encontros desse mundo, tão feliz de estar em lugar tão adequado, tão feito pra ela, cheio de pessoas especiais e parecidas, cheio de

possibilidades, de cores, de sons? Quem é essa pessoa que sai procurando novos espaços, novos caminhos? A mesma ânsia por amar. A mesma multidão de sonhos. Um pouco mais alinhados, é verdade. As cores mais coloridas. Mas um pouco mais cansada, um pouco mais desiludida, um pouco mais adulta. Mas tão sonhadora... Essa que vai embora sou eu: a mesma que chora muito e que ri na mesma medida. Com uma pontinha de medo desse mundo de gente grande, mas com uma vontade enorme de entrar, de passear por seus espaços, de conhecer seus sentimentos, seus saberes. E também não há mais escolha. Chega um dia em que temos que crescer ou fingir que não percebemos que o tempo passou. Entre uma coisa e outra, escolhi as dificuldades e alegrias da primeira opção.


O texto tá todo mal escrito, cheio de idas e vindas e de lugar comum. Compreendam, meus amigos. O tempo é pouco: apenas tempo de dizer o que anda acontecendo, porque devo fazer um milhão de coisas pra organizar as coisas, as malas, as idéias e, principalmente, o próprio tempo.


Na sexta, o coração apertado, me senti sozinha. De repente, percebi que estou sozinha. Que meus sonhos são meus. Que as decisões são minhas, somente minhas. E os planos, e os caminhos. É ruim se sentir sozinha. Estava com minha mãe, a cabeça longe, pensando no que será, no que virá... De repente encontro todos os meus amigos. Não todos, mas muitos. Reunidos. Lindos. Rindo. Lembro deles e de uma vontade de rir, de celebrar a vida, a existência, o amor, a amizade. Muita coincidência encontrar amigos em São Paulo. Reunidos, alegres, dividindo o tempo, a vida, o existir. Eu, tantas vezes tão ausente. De repente não me senti mais tão sozinha. Me senti acompanhada. E por gente que me ama e que eu tanto amo. De repente percebi o que quero pra mim. A risada da Camila, o abraço da Vanessa, os comentários do Felipe, as histórias do Everton. As poesias da Sol e do Junior, os puxões de orelha do Gil (e o carinho), a presença forte e delicada da Ana Paula, as Camilas ao quadrado, o Gui, a Mel, a outra Mel, a Mari, ai... Vou esquecer de meio mundo nesses comentários... A Déia, a Dani... E todos os meus amigos queridos... Tantos que não foram citados. A Eliane e seu caderninho de citações, a Aline e sua sinceridade. Tantos, tantos... O Tom e sua leveza e sua alegria. A Thatá. Meus amigos. Meus discos e livros. De repente, me sinto forte para abandonar velhos vícios, velhas manias feias, velhos sentimentos.


De repente me sinto livre. Livre pra começar de novo, sem esquecer tudo aquilo que passou, tudo aquilo que está passando.


E que venha o amor, o tempo. A vida que nunca é a mesma. Que vai mudando a cada dia. Que venham as novas pessoas, os novos sentimentos.


Obs: O texto é bobinho mas é só pra dizer como andam as coisas. Em breve, pretendo escrever um pouquinho mais.

6 commenti:

Rosely Zenker ha detto...

Cooooooomo assim mal escrito??
Cooooooomo assim bobinho??
Este texto está maravilhoso!!!
Até me encheu o peito de uma coisa gostosa, um não-sei-quê de... de... esperança, liberdade...

Boa mudança, minha amiga!!
Sempre em busca de sonhos, outros sonhos, mas sempre sonhos.

Obrigada mais uma vez por compartilhar conosco os seus pensamentos.
Grande beijo.

JSMJ ha detto...

aaaah que texto lindo. ele me tocou bastante (claro, sei bem do que vc ta falando).

eu sei que vc nao gosta muito de los hermanos, mas seu texto me lembrou uma frase do amarante, numa música bonitinha (meio espírita)> "eu preciso andar um caminho só".

é isso, lindona. anda aí seu caminho e me chama de vez em quando pra caminhar junto contigo.

amo vc. cuide-se!

Anonimo ha detto...

Crescer dói, não é? Já tinha ouvido isso muitas vezes, de várias fontes, mas só agora aos 20 e muitos anos é que entendo. Tem horas que dói mais, outras nem tanto. Bom saber que a gente cresce e os amigos também vão crescendo junto, acompanhando, torcendo. Várias vezes conversei com o Neto sobre como a gente estará daqui uns anos. Filhos, profissões estabelecidas. Promoveremos almoços e chamaremos nossos "parceiros". Entre risadas vamos dizer coisas do tipo "lembra daquela menina que trabalhou no NEA e era assim assado?", "lembra daquele dia em que ficamos conversando na praça do relógio até de madrugada?", "lembra disso... daquilo".
Espero (muito mesmo) que a gente nunca se esqueça pelo caminho. Quero te ver com minha filha (não sei por que tenho certeza que vou parir uma menina!) nos braços, quero ver você me mostrando fotos da sua viagem para a Itália... tanta coisa.
Seu texto me deu uma nostalgia danada! E uma vontade de chorar também.
Beijos, Cá. Te amo.

Anonimo ha detto...

Linda... o encontro foi gostoso mesmo agora com vc pertinho espero que ocorra sempre... beijos.. Queiroz

Van Pelt ha detto...

Ca

Sorte e mais esperanças na casa nova!
Manda meu irmão de volta, que tô com muita saudades!

Beijo grande

Camila ha detto...

Esse texto tem mais de um mês. E as emoções vieram, foram chegando todas de uma vez, corridas. Esse mundo, esse mundo... As coisas já arderam, se tornaram tristes, bonitas, sinceras, alegrinhas, coloridas, melancólicas, agitadas, simples. As coisas do mundo. Amei os comentários de vocês. Quero segurar a filha da Mel no colo. Quero o Ju, a Lu, a Rosely, a Sol, a Queiroz... Todo mundo aqui!!! Beijos. Amo vcs bem grande. Cá.