mas eu sinto que você é a pessoa
Mais parecida comigo que eu conheço
Só que do lado do avesso
Pode ser que seja engano, bobagem ou ilusão
De ter você na minha
Mas acho que com você eu me esqueço
E em seguida eu aconteço
Por isso eu deixo aqui meu endereço
Se você me procurar eu apareço
Se você me encontrar
Te reconheço..."
Hoje o tempo é curto. Mas eu gostaria de dizer o amor. Há dias em que é inevitável dizer. Hoje eu preciso declarar, espalhar por aí, o meu amor.
Amo um menino bobo, três ou quatro anos, os olhinhos verdes, as mãos pequeninhas, sorriso maroto de menino que nasceu leve - menino que eu não conheci. E que assustava a mãe, ia até a moça do supermercado dizer que estava perdido e depois ria, ria, ria.
Amo um menino bobo, andando no vento, cheio de histórias e opiniões. Menino de quinze anos, falando, falando, falando, o dia é de churrasco, o dia é de pedágio, o dia é quando eu entrei na faculdade e estava a comemorar. O menino é gordinho, os olhos são imensos, as histórias são infinitas, é música, é o país, é o mundo, é Piedade.
Amo um menino bobo, de mãos dadas por aí com uma Maria desse mundo, é Casa da Cultura, é Juliano, "você tem olhos verdes!", menino sorrindo, o sorriso dos dentinhos separados, é tempo de liberdade, o menino ainda não sabe do meu amor. Nem eu.
Amo um menino bobo, a batata frita mais cara que já comi, eu de mãos dadas, não era o menino, era outro, o menino rindo, ao vencedor as batatas, menino fala, eu rio e discordo. Menino não... Menino você está errado, está lá no livro, é só procurar.
Amo um menino bobo, encontros ocasionais pela rua, tem sarau lá em casa, convide sua irmã, gostaria muito que vocês fossem, o tempo era de amizade.
Amo um menino bobo, de mãos dadas com o vento, dançando, me convidando pra dançar. Menino de catorze anos, menino grande, menino pequeno. É tempo de andar por aí, de te dar meu telefone - o tempo embaraçado -, é tempo de te ver andando por aí, de conversar, de querer te dar um abraço quando um ser resolve te deixar ir embora sozinho. Menino, você quer um abraço? Menino, meu coração tá apertado, seus olhinhos chateados, não fica triste, não.
Amo bobamente um lindo menino bobo, menino que me convidou para entrar, para ouvir, para cantar junto. Menino que mente, que ri, que inventou que inventou a música, que me fez rir. Menino bobo que me dá um beijo, que dorme comigo mas só de dormir, que me espera com um sorriso bonito, que abre a porta, que me dá um mundo com braços, um mundo pequeno para eu guardar. Menino que faz música, música que faz o menino. Amo um menino na chuva, menino fazendo pão, menino me explicando as coisas, me contando o mundo, me contando o dia, me contando histórias. Menino cozinhando, a camisa rasgada, é madrugada, menino dentro de mim, dentro, bem dentro, é pãozinho quente, é tempo de não dormir. Menino sonhando, dedilhando, colocando espelho baixinho para eu me ver, é tempo de fim de semana, de abraço, de conversar no escuro. Menino chorando, menino chorando escondido, não quer abraço, não quer, quer lavar os olhos. Menino bonito, o cabelo bagunçado, de chinelo, descalço, procurando algo, onde foi que eu deixei? Menino sambando, é tempo de festa, menino Jesus, que toma cerveja e gosta de queijo e gosta de cama e gosta de mim. Onde foi que eu deixei? Menino suado, beijos, beijos, beijos, menino atrasado, menino mostrando como é que se faz para construir. Um armário, um sonho recheado, uma mesa que, olha, só abrir e fica grande, um apartamento só pra mim, as prateleiras, a escrivaninha, a cama. Menino da voz bonita, que canta, que me abraça, que me aperta, é três da madrugada, onde está você?
Amo um menino bobo, leve, a voz suave, conversando, inventando histórias, sendo só por ser. Só hoje me dei conta, menino bonito, que eu amo você. Menino e todo o seu passado, suas namoradas, suas histórias distorcidas que não contam do mundo, mas contam de você. Menino e seus amigos, seu pé descalço, andando na areia. Menino e seus amores, sua companhia, seu coração, seu jeito de só ver o bem, de só ver o que é bonito, de se apaixonar. Menino e suas paixões, suas músicas, suas meninas, suas amigas, suas primas, suas irmãs e suas tias, sua mãe e suas avós, sua sobrinha, sua viola, sua flauta, sua cama, sua solidão. Suas historinhas, suas linhas, seus laços, seu futebol (seu corinthians!), sua boca. Seu banho demorado, sua ausência, sua saudade, seu abraço, seu olhar em mim.
Menino, vem, conta histórias para eu dormir. Quero a história mais bonita, menino. Vem, me dá a mão, inventa histórias pra mim. Vem, me abraça, o tempo é outro, o tempo é estranho, tempo é tempo, ainda é tempo. Menino, conta histórias pra eu dormir?
Amo um menino bobo, três ou quatro anos, os olhinhos verdes, as mãos pequeninhas, sorriso maroto de menino que nasceu leve - menino que eu não conheci. E que assustava a mãe, ia até a moça do supermercado dizer que estava perdido e depois ria, ria, ria.
Amo um menino bobo, andando no vento, cheio de histórias e opiniões. Menino de quinze anos, falando, falando, falando, o dia é de churrasco, o dia é de pedágio, o dia é quando eu entrei na faculdade e estava a comemorar. O menino é gordinho, os olhos são imensos, as histórias são infinitas, é música, é o país, é o mundo, é Piedade.
Amo um menino bobo, de mãos dadas por aí com uma Maria desse mundo, é Casa da Cultura, é Juliano, "você tem olhos verdes!", menino sorrindo, o sorriso dos dentinhos separados, é tempo de liberdade, o menino ainda não sabe do meu amor. Nem eu.
Amo um menino bobo, a batata frita mais cara que já comi, eu de mãos dadas, não era o menino, era outro, o menino rindo, ao vencedor as batatas, menino fala, eu rio e discordo. Menino não... Menino você está errado, está lá no livro, é só procurar.
Amo um menino bobo, encontros ocasionais pela rua, tem sarau lá em casa, convide sua irmã, gostaria muito que vocês fossem, o tempo era de amizade.
Amo um menino bobo, de mãos dadas com o vento, dançando, me convidando pra dançar. Menino de catorze anos, menino grande, menino pequeno. É tempo de andar por aí, de te dar meu telefone - o tempo embaraçado -, é tempo de te ver andando por aí, de conversar, de querer te dar um abraço quando um ser resolve te deixar ir embora sozinho. Menino, você quer um abraço? Menino, meu coração tá apertado, seus olhinhos chateados, não fica triste, não.
Amo bobamente um lindo menino bobo, menino que me convidou para entrar, para ouvir, para cantar junto. Menino que mente, que ri, que inventou que inventou a música, que me fez rir. Menino bobo que me dá um beijo, que dorme comigo mas só de dormir, que me espera com um sorriso bonito, que abre a porta, que me dá um mundo com braços, um mundo pequeno para eu guardar. Menino que faz música, música que faz o menino. Amo um menino na chuva, menino fazendo pão, menino me explicando as coisas, me contando o mundo, me contando o dia, me contando histórias. Menino cozinhando, a camisa rasgada, é madrugada, menino dentro de mim, dentro, bem dentro, é pãozinho quente, é tempo de não dormir. Menino sonhando, dedilhando, colocando espelho baixinho para eu me ver, é tempo de fim de semana, de abraço, de conversar no escuro. Menino chorando, menino chorando escondido, não quer abraço, não quer, quer lavar os olhos. Menino bonito, o cabelo bagunçado, de chinelo, descalço, procurando algo, onde foi que eu deixei? Menino sambando, é tempo de festa, menino Jesus, que toma cerveja e gosta de queijo e gosta de cama e gosta de mim. Onde foi que eu deixei? Menino suado, beijos, beijos, beijos, menino atrasado, menino mostrando como é que se faz para construir. Um armário, um sonho recheado, uma mesa que, olha, só abrir e fica grande, um apartamento só pra mim, as prateleiras, a escrivaninha, a cama. Menino da voz bonita, que canta, que me abraça, que me aperta, é três da madrugada, onde está você?
Amo um menino bobo, leve, a voz suave, conversando, inventando histórias, sendo só por ser. Só hoje me dei conta, menino bonito, que eu amo você. Menino e todo o seu passado, suas namoradas, suas histórias distorcidas que não contam do mundo, mas contam de você. Menino e seus amigos, seu pé descalço, andando na areia. Menino e seus amores, sua companhia, seu coração, seu jeito de só ver o bem, de só ver o que é bonito, de se apaixonar. Menino e suas paixões, suas músicas, suas meninas, suas amigas, suas primas, suas irmãs e suas tias, sua mãe e suas avós, sua sobrinha, sua viola, sua flauta, sua cama, sua solidão. Suas historinhas, suas linhas, seus laços, seu futebol (seu corinthians!), sua boca. Seu banho demorado, sua ausência, sua saudade, seu abraço, seu olhar em mim.
Menino, vem, conta histórias para eu dormir. Quero a história mais bonita, menino. Vem, me dá a mão, inventa histórias pra mim. Vem, me abraça, o tempo é outro, o tempo é estranho, tempo é tempo, ainda é tempo. Menino, conta histórias pra eu dormir?
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você"
posta-restante: s. f. Indicação que se põe no sobrescrito de uma carta, quando se quer significar que ela deve ficar na estação do correio, até ser procurada ou reclamada.
desvãos: s. m. Espaço entre o telhado e o forro de uma casa; recanto.
10 commenti:
Eu tinha escrito um comentário bem grandão pra este texto... E eu estava aqui trabalhando na pró... E o Fabio veio se despedir... E ele queria me mostrar umas coisas na net e também quis me ajudar com a configuração da impressora... e o computador travou...
É, aí eu perdi o comentariozinho antes de te mandar. Que triste!
Eu falava do quanto gostei desse texto e de como acho q ele caminha atrás de uma certa leveza, já se apresentando leve e não só anunciando a sua vontade de sê-lo... Falava tb de como me emocionei com ele, ainda q eu esteja olhando apenas de fora, seja só uma amiga a olhar um mundo q está tão bonitamente apresentado no texto... Um mundo que é impenetrável, pois que é feito de DUAS pessoas e não mais q isso, mundo q só essas duas pessoas entendem de seu certo modo, as outras acompanham e participam, mas formando só constelações... mundo de um amor sim, amor q se sabe, soube e se quer aprender...
Me emocionei muito com o texto percorrendo um caminho tão bonito, mostrando como se foi fazendo de coisas simples, de memória, retalhos de coisas grandes q o sentimento entende melhor q a palavra, texto q foi andando... Andando pra falar do amor... de se conhecer, de saber o sentimento e a pessoa... Ainda q o amor (só sentimento) e o amado (gente q existe) ainda estejam se aprendendo e se conhecendo, no mundo e no coraçãozinho dessa pessoa do mundo, pra se descobrirem melhor...
E como o texto me emociona tanto quando desfecha esperançosamente como Futuros Amantes, possíveis ou impossíveis, numa sensação q só seu Chico mesmo pra nos fazer entender tão bem...
Grande bjo , Camila! perdão por ter perdido meu comentário, mas acho q consegui reproduzi algumas das idéias q estavam no outro textinho q te escrevi e q sumiu...
Te amo e estou com saudade de vc, hein??? Não some, pessoa.
Camiiiila! Mudando de assunto: se vc tiver algum livro da Adriana Falcão, vc me empresta??
Andei vendo umas coisas dela e achei mto bonitas....
Ai, Solzinha... Como eu queria você dentro do bolso! Todo dia, todo dia... Só pra ir me falando essas coisas bonitas... Este texto precisava ser escrito, sabe quando não tem como não dizer?
Te amo bem grande e vou te levar um livro da Adriana Falcão!!! Que lindo alguém gostando dela!
Pessoas do mundo: relendo este texto percebi um errinho grave de concordância, mas eu não mudo, não mudo, não mudo. Respeitem minha variante lingüística! rsrsrs.... Fica melhor assim. Beijo grande. Cá.
Não muda mesmo. A gramática tem que apanhar todos os dias para ver quem é que manda...
o seu olhar, seu olhar melhora
melhora o meu...
Não queria sobrepor este anônimo que nem deve ser tão anônimo assim... mas não podia deixar de registrar meu prazer e minha sensação de beleza ao ler o texto...
Faço minhas as palavras da Srta Meio Assim (vulgo Déia). Este texto é tão bonito que dói.
Cara*#*!
é tão bonito que dói. E doeu de soltar até palavrão no final.
Eu e meus palavrõezinhos ;~
Eu conheço o menino e conheço a menina e os laçõs e as tias.
Talvez saiba um pouco dessa coisa de fazer pão.
Não saberia dizer em palavras tão bonitas, tão bonitas.
O amor é mesmo bonito. Não tem como dizer palavrão. Não tem como.
Camila a menina do amor grande e das letras impecavelmente sensíveis.
Impecavel de pecar...(meio tio Luiz)
Fiz o comentário grande (pra variar).
Mas quero comentá-lo ao vivo.
Beijo lindinha.
Ah, Cá. Perdoe meu jeito até frio de encarar as coisas. Acima de tudo, seu texto está lindo. Não leve a mal o que falei aquele dia, tá? Beijo grande!
Camilinha, falei com a Ju estes dias e ela me deu seu endereço de blog, dizendo elogios. faço meus os elogios dela, vc é de uma poesia muito doce e ainda bem que existem blogs assim coloridinhos e doces pra curar a vida amarga da gente. beijos, Erica.
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