
De papo pro ar
Não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem um peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar
Se ganho na feira
Feijão, rapadura,
Pra que trabalhar
Eu gosto do rancho
O homem não deve
Se amofinar
Se ganho na feira
Feijão, rapadura,
Pra que trabalhar
Eu gosto do rancho
O homem não deve
Se amofinar
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar
Não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem um peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar
Se ganho na feira
Feijão, rapadura,
Pra que trabalhar
Eu gosto do rancho
O homem não deve
Se amofinar
Se ganho na feira
Feijão, rapadura,
Pra que trabalhar
Eu gosto do rancho
O homem não deve
Se amofinar
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar
Não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro ar
Uma das minhas maiores desilusões de menina, de garota já grandinha, de adolescente e de adulta mesmo sempre foi não fazer parte. De um grupo. De um lugar. De qualquer coisa que existisse e eu julgasse importante, interessante, bonita, diferente, especial, divertida...
Quando pequena eu não fazia parte do grupo das meninas bonitas, um punhado de loirinhas que sentavam na frente, delicadinhas e cobiçadas. Não, eu não fazia parte. Não posso negar que eu era inteligente, lia, fazia contas como ninguém, era curiosa, pesquisava, uma ratinha de biblioteca, tinha notas sempre altas. Mas acredito que eu não fizesse parte do grupo de nerds também. Porque eu sempre fui desorganizada. Perdia estojo, não tinha lápis, caneta, nada, tudo sumia por milagre, minhas coisas eram terrivelmente desorganizadas, eu era desajeitada com os lápis de cor, com a tesoura, como sou até hoje. Não fazia parte e nessa época sentia apenas uma pontinha de insatisfação, porque havia mais coisas para me interessar. Eu não tinha um grupo grande de amigas, mas tinha uma melhor amiga que ia comigo para todos os lugares e que eu não sei por que não estava no grupo das meninas bonitas, já que ela sempre foi mais bonita do que todas elas... Freud explica. Acontece que ela era minha amiga, pintava e desenhava bem e tinha uma grande habilidade com tesouras... Dormíamos a semana toda uma na casa da outra, crescemos juntas, bem juntas, no telefone, em casa, no clube...
Mais crescida tive alguns mágicos momentos de não me preocupar, pois me sentia parte de todos os grupos, me dava bem com todas as pessoas, em um momento sentava com um grupo, em outro momento com outro grupo e assim por diante... Raros momentos...
Adolescente fui parar numa escola absolutamente diferente de mim, daquilo que eu vivia, daquilo que esperava, daquilo que sonhava para mim. Pisciana e lunática sempre adorei a escola, estudar para mim sempre foi algo encantador, mas do jeito que era imposto nessa escola eu perdia toda a minha liberdade, a minha criatividade, o meu eu... Fiquei completamente desturmada, alheia, imersa em inúmeras provas, em um tal vestibular que eu ouvia falar todos os dias, todos os meses sem parar. Foi aí que eu deixei de ser a garota inteligente e sabichona e passei a ser uma e passei a ser a mais ou menos, regular, apagadinha no fundo da sala, viajando nos próprios sonhos... Tive crises de tontura, fiquei um mês sem ir à escola, tinha pânico dos corredores, me davam vertigens. Era a primeira vez que eu não gostava da escola, eu que desde os quatro anos amava tudo o que se relacionava com ela... Eu que, pequenina, dizia que ia ser professora.. Tive um ano do cão, na verdade três anos do cão... Mas no segundo as coisas se aliviaram com a entrada de uma nova amiga, com que dividi os outros anos de 'tortura'. Eu não fazia parte do grupo. Tinha lá uns três ou quatro amigos numa sala gigante. Mas do grupo eu não fazia parte. Havia muitas diferenças, de classe social, de interesses, de experiências, de expectativas, de mundo mesmo. Eu passava todas as manhãs - e no terceiro quase todas as tardes - com pessoas que viviam em um mundo muito distante do meu e do qual eu nem queria fazer parte.
A faculdade foi minha grande salvação. Novamente um ambiente leve e acolhedor, pessoas de diversas partes, de diversas origens, a maior bagunça, gente querendo experimentar, viver, ler junto, aprender junto, liberdade, cidade grande, o amor, os corredores, os encontros, os abraços, as músicas, as viagens... Na faculdade eu pertenci a diversos grupos, alguns dos quais sinto pertencer até hoje...
Mas a faculdade, como tudo que é muito bom, passou logo. Mesmo tendo alguns anos a mais do que o 'colegial' passou mais rápido. Quando vi já não era mais, já tinha ido, havia apenas o desejo de voltar e encontrar as pessoas sentadas nos banquinhos, conversando... Mas as pessoas já eram outras...
Então eu tive um outro namoro. E a sensação de não fazer parte voltou forte. Invadiu meu coração. Porque eu percebi que não era bem-vinda, que não fazia parte. Eu queria, o grupo era divertido... Mas eu simplesmente não fazia parte, não fiz, estive sempre de lado, nunca consegui entrar de verdade. Isso eu vejo hoje de fora. Que a minha grande angústia era não fazer parte, não pertencer, não ser. E quando tudo acabou, a sensação era de incapacidade, parecia que o motivo era eu não ter conseguido ser tão boa para ter a honra de fazer parte...
E assim a vida ainda segue. No trabalho, em cursos, no mundo por aí, há inumeros grupos. Alguns que eu quero longe de mim, outros que me encantam, mas dos quais eu não faço parte. Agora curso uma nova faculdade e eu faço parte novamente. Tenho um grupo, mas não faço questão de ficar, nas aulas, sempre com ele, é mais um grupo para discutir a vida, o mundo, fora da sala...
Mas na vida por diversas vezes, algumas que contei agora, outras que não lembro ao certo, outras que não ouso contar... Mas por diversas vezes senti essa aguda sensação de rejeição, de não poder entrar, de não fazer parte. E há panelas em todos os lados.
Só que agora, do alto dos meus vinte e sete anos, de repente eu não sinto mais falta. Eu vejo os grupos, as pessoas que eu não conquistei, que não fizeram parte de verdade do meu mundo, com as quais eu não formei um grupo... E vejo outras, vejo outras panelas, algumas hostis, que, infelizmente eu encontro todos os dias... E simplesmente não ligo. Me sinto bem de não fazer parte. Mesmo dos grupos que parecem mais coloridos e radiantes...
Percebi, aos pouquinhos, que há muita falsidade no mundo, e que mesmo em alguns dos grupos que me orgulhava pertencer há, às vezes, gente que não dividia comigo o mesmo sentimento puro da amizade. A sensação de olhar um amigo e não mais reconhecê-lo como tal é dolorosa, mas faz parte do crescimento.
Hoje eu não tenho mais grupos imensos. Tenho amigos únicos e verdadeiros. Alguns com os quais convivo sempre, seja pessoalmente, seja através de e-mails e telefonemas. Há também alguns com os quais divido aquela certeza de que há um amor imenso entre nós apesar da distância .. E seguimos nos amando apesar de separados...
Grupos grandes, cheios de amigos, chegados e afins eu não tenho mais. Não sei se é uma grande perda. Se é rabugice minha. Coisa de quem tá ficando velho. Mas ando assim... Até com a família eu ando assim. Gosto do grupo, amo em cada um deles algo... Mas não insisto para gostar de tudo, nem para querer que todo mundo sinta e pense como eu... Estou cada dia mais compreensiva com a minha família e comigo. Tentando aceitar cada um como é, mas não me obrigando a passar por conversas e situações que não façam bem.
Hoje eu não faço parte. Me sinto com dezesseis anos às vezes, dentro daquele quarto que meu pai construiu para mim aos quinze e o qual eu tive somente até os dezessete , pois quando entrei na faculdade, minha irmã pegou pra ela. Me sinto dentro do quarto, ouvindo música na vitrola, lendo o que queria, escrevendo, escrevendo, querendo estar longe de todos...
Hoje eu só faço parte do que vale a pena e pelo tempo que me agrada. Não exijo dos outros que me amem e não exijo de mim amar a todos. Há aqueles que jamais conseguirão conviver comigo e há aqueles com quem eu jamais conseguirei conviver. É assim o mundo. Às vezes uns pra lá e uns pra cá faz bem.
Na copa assisti a um jogo com o Everton e conversamos sobre a sensação de namorar alguém mais novo. A namorada dele está prestando vestibular. E ele disse que junto dela a vida é mais alegre, que ela é mais alegre que algumas das moças com quem namorou... Eu parei e pensei que a alegria era vista por todos da turma como uma das minhas principais características e atribui isso à idade que eu tinha. O Everton não aceitou dizer que eu deixara de ser alegre como eu era aos dezoito anos... Ele disse: - Será? E eu sei que sim, que eu já não sou mais aquela explosão de alegria como era antes. Não sei bem se felizmente ou infelizmente.
Ando introspectiva. Fase da vida? Cansaço? Velhice? Chatice? Hoje vi uma comunidade no orkut da Mel que dizia "Eu sou chato". Talvez seja isso, resolvi assumir minha chatice. Sim, para muitas coisas eu sou chata pra caralho, eu confesso.
Por isso não chegue perto. A menos que você aprecie a minha chatice e queira aceitá-la e dividir momentos bons comigos. Tenhos as minhas manias, meus gostos, minhas peculiaridades. Não digo que não irei mudar meu jeito jamais, aos poucos, sempre mudamos algumas coisas - outras parecem imutáveis. Mas por causa de alguém, para agradar... jamais.
Ando meio Argemiro Tardelli, que pra quem não sabe é meu avô. Não irei mudar para convencer ninguém, nem fingir, nem sorrir se eu não tiver vontade.
Hoje eu digo, com um pouco de orgulho, outro tanto de desdém, mas principalmente sem me preocupar: eu não faço parte.
Quando pequena eu não fazia parte do grupo das meninas bonitas, um punhado de loirinhas que sentavam na frente, delicadinhas e cobiçadas. Não, eu não fazia parte. Não posso negar que eu era inteligente, lia, fazia contas como ninguém, era curiosa, pesquisava, uma ratinha de biblioteca, tinha notas sempre altas. Mas acredito que eu não fizesse parte do grupo de nerds também. Porque eu sempre fui desorganizada. Perdia estojo, não tinha lápis, caneta, nada, tudo sumia por milagre, minhas coisas eram terrivelmente desorganizadas, eu era desajeitada com os lápis de cor, com a tesoura, como sou até hoje. Não fazia parte e nessa época sentia apenas uma pontinha de insatisfação, porque havia mais coisas para me interessar. Eu não tinha um grupo grande de amigas, mas tinha uma melhor amiga que ia comigo para todos os lugares e que eu não sei por que não estava no grupo das meninas bonitas, já que ela sempre foi mais bonita do que todas elas... Freud explica. Acontece que ela era minha amiga, pintava e desenhava bem e tinha uma grande habilidade com tesouras... Dormíamos a semana toda uma na casa da outra, crescemos juntas, bem juntas, no telefone, em casa, no clube...
Mais crescida tive alguns mágicos momentos de não me preocupar, pois me sentia parte de todos os grupos, me dava bem com todas as pessoas, em um momento sentava com um grupo, em outro momento com outro grupo e assim por diante... Raros momentos...
Adolescente fui parar numa escola absolutamente diferente de mim, daquilo que eu vivia, daquilo que esperava, daquilo que sonhava para mim. Pisciana e lunática sempre adorei a escola, estudar para mim sempre foi algo encantador, mas do jeito que era imposto nessa escola eu perdia toda a minha liberdade, a minha criatividade, o meu eu... Fiquei completamente desturmada, alheia, imersa em inúmeras provas, em um tal vestibular que eu ouvia falar todos os dias, todos os meses sem parar. Foi aí que eu deixei de ser a garota inteligente e sabichona e passei a ser uma e passei a ser a mais ou menos, regular, apagadinha no fundo da sala, viajando nos próprios sonhos... Tive crises de tontura, fiquei um mês sem ir à escola, tinha pânico dos corredores, me davam vertigens. Era a primeira vez que eu não gostava da escola, eu que desde os quatro anos amava tudo o que se relacionava com ela... Eu que, pequenina, dizia que ia ser professora.. Tive um ano do cão, na verdade três anos do cão... Mas no segundo as coisas se aliviaram com a entrada de uma nova amiga, com que dividi os outros anos de 'tortura'. Eu não fazia parte do grupo. Tinha lá uns três ou quatro amigos numa sala gigante. Mas do grupo eu não fazia parte. Havia muitas diferenças, de classe social, de interesses, de experiências, de expectativas, de mundo mesmo. Eu passava todas as manhãs - e no terceiro quase todas as tardes - com pessoas que viviam em um mundo muito distante do meu e do qual eu nem queria fazer parte.
A faculdade foi minha grande salvação. Novamente um ambiente leve e acolhedor, pessoas de diversas partes, de diversas origens, a maior bagunça, gente querendo experimentar, viver, ler junto, aprender junto, liberdade, cidade grande, o amor, os corredores, os encontros, os abraços, as músicas, as viagens... Na faculdade eu pertenci a diversos grupos, alguns dos quais sinto pertencer até hoje...
Mas a faculdade, como tudo que é muito bom, passou logo. Mesmo tendo alguns anos a mais do que o 'colegial' passou mais rápido. Quando vi já não era mais, já tinha ido, havia apenas o desejo de voltar e encontrar as pessoas sentadas nos banquinhos, conversando... Mas as pessoas já eram outras...
Então eu tive um outro namoro. E a sensação de não fazer parte voltou forte. Invadiu meu coração. Porque eu percebi que não era bem-vinda, que não fazia parte. Eu queria, o grupo era divertido... Mas eu simplesmente não fazia parte, não fiz, estive sempre de lado, nunca consegui entrar de verdade. Isso eu vejo hoje de fora. Que a minha grande angústia era não fazer parte, não pertencer, não ser. E quando tudo acabou, a sensação era de incapacidade, parecia que o motivo era eu não ter conseguido ser tão boa para ter a honra de fazer parte...
E assim a vida ainda segue. No trabalho, em cursos, no mundo por aí, há inumeros grupos. Alguns que eu quero longe de mim, outros que me encantam, mas dos quais eu não faço parte. Agora curso uma nova faculdade e eu faço parte novamente. Tenho um grupo, mas não faço questão de ficar, nas aulas, sempre com ele, é mais um grupo para discutir a vida, o mundo, fora da sala...
Mas na vida por diversas vezes, algumas que contei agora, outras que não lembro ao certo, outras que não ouso contar... Mas por diversas vezes senti essa aguda sensação de rejeição, de não poder entrar, de não fazer parte. E há panelas em todos os lados.
Só que agora, do alto dos meus vinte e sete anos, de repente eu não sinto mais falta. Eu vejo os grupos, as pessoas que eu não conquistei, que não fizeram parte de verdade do meu mundo, com as quais eu não formei um grupo... E vejo outras, vejo outras panelas, algumas hostis, que, infelizmente eu encontro todos os dias... E simplesmente não ligo. Me sinto bem de não fazer parte. Mesmo dos grupos que parecem mais coloridos e radiantes...
Percebi, aos pouquinhos, que há muita falsidade no mundo, e que mesmo em alguns dos grupos que me orgulhava pertencer há, às vezes, gente que não dividia comigo o mesmo sentimento puro da amizade. A sensação de olhar um amigo e não mais reconhecê-lo como tal é dolorosa, mas faz parte do crescimento.
Hoje eu não tenho mais grupos imensos. Tenho amigos únicos e verdadeiros. Alguns com os quais convivo sempre, seja pessoalmente, seja através de e-mails e telefonemas. Há também alguns com os quais divido aquela certeza de que há um amor imenso entre nós apesar da distância .. E seguimos nos amando apesar de separados...
Grupos grandes, cheios de amigos, chegados e afins eu não tenho mais. Não sei se é uma grande perda. Se é rabugice minha. Coisa de quem tá ficando velho. Mas ando assim... Até com a família eu ando assim. Gosto do grupo, amo em cada um deles algo... Mas não insisto para gostar de tudo, nem para querer que todo mundo sinta e pense como eu... Estou cada dia mais compreensiva com a minha família e comigo. Tentando aceitar cada um como é, mas não me obrigando a passar por conversas e situações que não façam bem.
Hoje eu não faço parte. Me sinto com dezesseis anos às vezes, dentro daquele quarto que meu pai construiu para mim aos quinze e o qual eu tive somente até os dezessete , pois quando entrei na faculdade, minha irmã pegou pra ela. Me sinto dentro do quarto, ouvindo música na vitrola, lendo o que queria, escrevendo, escrevendo, querendo estar longe de todos...
Hoje eu só faço parte do que vale a pena e pelo tempo que me agrada. Não exijo dos outros que me amem e não exijo de mim amar a todos. Há aqueles que jamais conseguirão conviver comigo e há aqueles com quem eu jamais conseguirei conviver. É assim o mundo. Às vezes uns pra lá e uns pra cá faz bem.
Na copa assisti a um jogo com o Everton e conversamos sobre a sensação de namorar alguém mais novo. A namorada dele está prestando vestibular. E ele disse que junto dela a vida é mais alegre, que ela é mais alegre que algumas das moças com quem namorou... Eu parei e pensei que a alegria era vista por todos da turma como uma das minhas principais características e atribui isso à idade que eu tinha. O Everton não aceitou dizer que eu deixara de ser alegre como eu era aos dezoito anos... Ele disse: - Será? E eu sei que sim, que eu já não sou mais aquela explosão de alegria como era antes. Não sei bem se felizmente ou infelizmente.
Ando introspectiva. Fase da vida? Cansaço? Velhice? Chatice? Hoje vi uma comunidade no orkut da Mel que dizia "Eu sou chato". Talvez seja isso, resolvi assumir minha chatice. Sim, para muitas coisas eu sou chata pra caralho, eu confesso.
Por isso não chegue perto. A menos que você aprecie a minha chatice e queira aceitá-la e dividir momentos bons comigos. Tenhos as minhas manias, meus gostos, minhas peculiaridades. Não digo que não irei mudar meu jeito jamais, aos poucos, sempre mudamos algumas coisas - outras parecem imutáveis. Mas por causa de alguém, para agradar... jamais.
Ando meio Argemiro Tardelli, que pra quem não sabe é meu avô. Não irei mudar para convencer ninguém, nem fingir, nem sorrir se eu não tiver vontade.
Hoje eu digo, com um pouco de orgulho, outro tanto de desdém, mas principalmente sem me preocupar: eu não faço parte.
1 commento:
Camila, é incrível como me identifico com o que você escreve...como, mesmo estando distante, me sinto próxima de você, me sinto Camila ao quadrado, sinceramente...
Estava hoje aqui bem perdida, bem sozinha... que saudade de compartilhar de suas reinações, compartilhar suas dúvidas, suas chatices...E entro aqui e me encontro também!
Há tempos não passava por aqui, preciso ler mais vezes!
Beijos... e que linda a declaração para o Gil!
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