
Acreditei na paixão
E a paixão me mostrou
Que eu não tinha razão
Acreditei na razão
E a razão se mostrou
Uma grande ilusão
Acreditei no destino
E deixei-me levar
E no fim
Tudo é sonho perdido
Só desatino, dores demais
Hoje com meus desenganos
Me ponho a pensar
Que na vida, paixão e razão,
Ambas têm seu lugar
E por isso eu lhe digo
Que não é preciso
Buscar solução para a vida
Ela não é uma equação
Não tem que ser resolvida
A vida, portanto, meu caro,
Não tem solução
Tem alguns comportamentos que a gente jura que não vai mais ter e..quando vê lá estamos no mesmo do mesmo.
Ando tentando entender a eterna repetição que faço com minha vida. Por que congelei alguns aspectos importantes. Por que pareço sempre na mesma em determinada área. Esses dias é que percebi o quanto muda e é sempre igual, o quanto parece que estou indo pra frente, mas estou é empacada no mesmo ponto. Me deu vontade de gritar, brigar, mas.. Só se fosse comigo mesma!
Os mais próximos sabem o quanto neste ano estou num movimento de repensar tudo, os porquês todos... Ando insatisfeita e querendo entender os motivos todos.
Me dá uma preguiça de recomeçar. E na verdade nem será recomeço enquanto eu não puder entender, enquanto não conseguir entender por que as coisas sempre voltam onde estão, por que as situações se parecem tanto. Há algo que preciso aprender. Há algo que preciso aprender.
Percebi hoje, na verdade com uma ajudinha, o quanto eu nego papeis, nego com toda força papeis que eu insisto em assumir, nego e me sinto culpada por não conseguir cumpri-los, nego e não nego, nego só da boca pra fora, mas assumo com o corpo, com os gestos, com as atitudes e com outras palavras... E por isso estou onde estou, como estou... Insatisfeita. Confusa. Querendo abraçar o mundo todo, como costumo fazer, querendo que ele caiba no meu colo e... ansiosa por saber que ele não irá caber assim tão bem. Preciso aprender a negar o que eu não quero e a entender por que não quero o que não quero. E a me respeitar.
Estou ansiosa por saber que o tempo livre será ainda mais escasso. Mas feliz com a possibilidade de realizar um trabalho que é realmente a minha cara. Cheia de sonhos e utopias, que andavam cheinhas de teias de aranhas e guardadas em gavetas, mas que voltaram com tanta força, como eu já disse num texto aqui esses tempos. Agora eu entendo pra onde ir, apesar de querer ir a toda velocidade, apesar de me cortar o coração ter que deixar outras coisas pelo caminho. O que deixar, como deixar? Para sempre?
Com uma vontade imensa de focar nessas mudanças boas todas. De focar nos projetos novos todos. De focar na palavra escrita e palavra falada. Nas histórias, na narrativa do mundo. E deixar o resto para o resto. Quanto tempo o tempo tem? Sempre essa pergunta me vem quando estou no meio de uma história que, de certa forma, eu gostaria de acelerar. Aprendi, no entanto, que o tempo do tempo não pode ser acelerado - nem se pode voltar ao tempo que se foi. Que o tempo é e precisa ser curtido e respeitado como tal. Que precisamos aceitá-lo.
Com uma vontade imensa de focar nessas mudanças boas todas. De focar nos projetos novos todos. De focar na palavra escrita e palavra falada. Nas histórias, na narrativa do mundo. E deixar o resto para o resto. Quanto tempo o tempo tem? Sempre essa pergunta me vem quando estou no meio de uma história que, de certa forma, eu gostaria de acelerar. Aprendi, no entanto, que o tempo do tempo não pode ser acelerado - nem se pode voltar ao tempo que se foi. Que o tempo é e precisa ser curtido e respeitado como tal. Que precisamos aceitá-lo.
Quero me dedicar às histórias do mundo já que as minhas histórias, já que a narrativa que vim construindo até aqui anda tão repetitiva, tão parada num mesmo ponto. Me dá uma vontade aguda de chorar. Uma sensação de solidão que sempre me vem quando percebo, de maneira mais aguda, o mundo a minha volta. Uma vontade de chorar, um colo de amigo, um colo bom de amigo pra me dizer coisas suaves, sobre mim e sobre o tempo, sobre o amor e sobre a felicidade. Me dá uma vontade de chorar. Então eu compreendo que a vida é também isso, essa vontade de chorar que aperta, que para todo o resto. A vida também é o lado triste, não dá pra ser pra sempre alegre. O para sempre sempre acaba em algum lugar. E talvez seja essa sua beleza. (Só talvez).
Quero me dedicar às narrativas enquanto a minha está toda emaranhada, enquanto luto, com armas de paz, para desfazer os nós - e são tantos nós que fazemos pela vida...
Descobri, me contaram na verdade, que a minha paixão pela infância, pelo olhar encantado das crianças, pelas palavras e histórias mágicas, pelos contos de fadas, nada mais é do que a maneira que encontrei para cuidar de mim, para cuidar das minhas feridas internas, da criança que tenho dentro e que foi - como quase todas, infelizmente - podada, machucada, reprimida. Para cuidar das minhas feridas todas.
E fico cada dia mais encantada com a arte. E descubro que posso ainda aprender a desenhar., aprender o meu desenho, aprender mais sobre mim...E começo a entender o meu gosto pela cor, pelos lápis de cor, pelo giz, pela massinha, pelos brinquedos... Começo a entender melhor que cada vez que amadureço mais, me pareço mais com a criança que fui e com a criança que deveria ter sido... Que cada vez que avanço mais, volto mais atrás e me conheço mais e percebo que o mundo seria muito, muito melhor se tivéssemos, se cultivássemos, o olhar de criança, o gosto pela descoberta, a poesia na ponta da língua, a capacidade de misturar tudo, o coração e a cabeça ,num só sentido, numa só razão.
E, como me contaram, foi assim que escolhi me tratar, mesmo sem saber. E vou me tratando... Mas pelo caminho quero ir tratando outros comigo, quero ir incetivando os olhares encantados para o mundo e ir cutucando os olhares que foram por tanto tempo reprimidos, represados...
Essa é minha utopia. Meu gosto. Meu projeto de vida.
Enquanto a narrativa da minha vida se emaranha mais e mais... E eu começo a perceber ou a começar a perceber - pois é um entendimento difícil esse - que o emaranhado não é tão ruim assim quanto sempre achei, que não preciso lutar com tanta violência contra ele. Começo a ter menos medo de mim, da minha história, dos meus fracassos.
Quem sabe o emaranhado não é problema. Quem sabe é solução? Ainda é cedo demais para compreendê-lo. E talvez nem seja necessário compreendê-lo. Talvez ele não seja de compreender. Somente de viver. Será?
1 commento:
Linda! Saudade.. bjs Queiroz
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