domenica, settembre 28, 2008

Eu estive fora uns dias...


Essa música para muitos pode ser triste, mas pra mim, sei não o porquê, é bonita. Não tenho muito tempo para escrever e nem saberia dizer tanta coisa, juntar tanta informação e sentimento. Café e vinho. Amigos e cobertores. Evertom e o carro. Felipe e o Esaú e Jacó. Almoço, jantar, filme. Risadas e histórias de amor. Revelações, lembranças, frustações e sonhos. Amiga das três horas de trânsito diário. Amiga e o moço de sobretudo. Amiga e os chaveiros. Críticas, brigas antigas relembradas. Uma pera de pedido de desculpa anos atrás. A mesma textura, o mesmo ambiente. Mas as pessoas andam tão diferentes. Cada uma de um jeito, mas todo mundo mudou. Cresceu, caiu, levantou. Acho que estive com um monte de gente que está, nesse momento, em pé, forte. No entanto o amor é o mesmo, o amor que vai eternizando a amizade, o amor que nunca mais será perdido. Historiazinhas de cada uma, de cada um, uma multidão de abraços e de novidades, e de novidades que já passaram. Eu que chorei mostrando um poema, poema de autor tão... Não encontro a palavra. A Camila que chorou no filme. A Aline que sonha longe, com a praia, os pés descalços cobertos de areia, um mundo menos São Paulo. A Aline que ama e que me surpreendeu. A Eliane e a maturidade. Acho que não disse pra ela, mas nunca tinha visto a Li tão madura, tão dona de si mesma. Acho que não disse. E me emocionei com a Camila, com sua história de amor, com seu casamento que vem chegando. (Pra mim morar junto é casamento, tá, Cá?). Descobri pela milésima vez que sou a mais distante, a mais chatinha, a que menos acompanhou a rotina e os caminhos de todos eles. Mas eu os amo de todo coração. As pessoas que eu amo... eu amo (mesmo) bastante. Sim, Cá. Eu amo mesmo uma porção de pessoas, mais do que aquelas que estão no álbum do orkut. Amo pessoas que nem sabem que eu existo. São ex-colegas, parentes e amigos de ex-namorados, pessoas que nunca mais vi. Tá faltando um monte de gente no álbum. Impossível estar perto de todos o tempo todo. As pessoas vão e vêm, mas algumas ficam para sempre internalizadas. Como é bom saber que algumas das pessoas que eu tanto amo também me amam, também se emocionam com um sábado à noite, com o ritual que é dividir um domingo de manhã. Lembro da Camila e de seu comentário sobre os rituais em Saramago. Então me recordo do nosso jantar, do momento do café e da minha vontade de dizer a cada cinco minutos: Como eu amo vocês! São seis amigos e um fim de semana. Mas é muito mais. São os outros amigos todos reunidos em mim. Os amigos dos amigos e os meus grandes amigos que não são apenas os do sexteto. Nesses tempos, a melhor coisa que fiz, nas últimas semanas foi dividir momentos com grandes amigos. Seja um brigadeiro com a Mari, um café da manhã com a Aneth e com o Vicente. Falta tanta gente, não dá nem pra citar. A Ana Maria que eu abandonei, pra quem devo uma visita. A Alexandra que não vejo desde a virada cultural. A Conti que eu não vejo desde um passeio e conversa na Vila Madalena... Ou desde uma visita rápida? Não me lembro a ordem. O Gil que eu tenho visto até com certa freqüência, mas que está chateado comigo porque não pude comparecer ao almoço com as pessoas hoje... O último grande momento com ele que me lembro foi uma visita à Bienal, uma palestra deliciosa, uma das mais deliciosas que já vi. A Mel e a Mel (as duas). A Rose e a Rose. A Thatá... E o Neto e o Tom. E essa porção de gente que eu amo e que vai ficando longe.... A Mari e o Iberê, o Junior e o André. A Juliana e a Juliana. A Dani, a queridíssima Dani. Eu sei, eu sou meio piegas. Sou mesmo. Falo de amizade a torto e a direito. Sempre, sempre. Mas só falo quando sinto. E hoje sinto um mundo de coisas. Ando trabalhando em demasia e agora estudando. E sonhando. E meio confusa. Tem horas que dá vontade de ter todas as pessoas queridas, a família, os amigos. Todo mundojuntoreunidoabraçadoparasempre. Mas acho que a graça de tudo está nos momentos de separação (desde que não sejam eternos). Somente ao estar longe de uma pessoa, podemos compreender o quanto ela é única. Insubstituível, diferente, o quanto é só ela. O Vicente nunca será o Guilherme que nunca será o Junior que nunca será o Gil. A Eliane nunca será a Sol que nunca será a Mari que nunca será a outra Mari que nunca será a Ju. Cada uma das pessoas que amamos é uma partezinha, tem algo todo novo, algo que só ela tem. Clichezão, não é? Eu sei (e nem ligo!). Só queria dizer o indizível e aquilo que digo sempre por aqui. Sentimentos, sentimentos, sentimentos. A minha maneira de amar as pessoas, de sentir saudades, de compreender (apesar do desejo maluco de tê-las sempre por perto) que cada um tem seu espaço, tempo, seus deveres e seus desejos. Mas que podemos nos ver num de vez em quando, que podemos trocar pequenos e-mails diários (novo grupo de contação da vida), que podemos ligar e dizer; Olá, lembrei de você. Há os amigos perdidos. Um Gabriel que vai ficando longe, longe, longe. Um Carlinhos que nem sei se me ama nesse mundo. Uma Fabi, Chiquinho e um grupo todo que vai ficando cada vez mais distante. Será que lembram daquele amor, daquele grupo, daquela vontade de estar sempre junto que dividíamos? Tem um Juliano que é difícil de ver nos lugares à noite (os amigos virando gente grande). Tem os amigos que são desde sempre amigos. Uma Vivian que era a melhor amiga de infância e que até hoje ocupa um espaço imenso na minha vida. Uma Verinha que vai ficando longe, um Luciano que sumiu nos mares de São Paulo. Um Leonardo que eu tanto amo e que quase não vejo. E um punhado de outros amigos (não esqueci de nenhum, mas é difícil falar de todos...). E tem os ex-namorados, os ex-amores. Mesmo aqueles que eu amei em segredo, em silêncio. Fora todas as pessoas da família (e são tantos, tantos, tantos). Todas essas pessoas me fizeram, me fazem. Todas me transformam, me transformaram, são o que eu sou. Porque eu sou uma reunião de cada amigo. Os que adoram dar aulas (e os que odeiam). Os que são funcionários públicos. Os que cuidam de jardins. Os que gostam de sol. Os que falam muito, os que ficam sempre quietos. Os que não trabalham fora de casa e os que nunca estão em casa. Os que eu conheci há quase vinte anos e os que conheci há menos de um. Os que são caretas, doidinhos, apaixonados, racionais. Os que choram muito, os que riem de tudo, os que brigam comigo a cada dois minutos, os que sempre têm razão e os que falam coisas que eu discordo sempre. Os que gostam de estudar e os que gostam de passear. Os que gostam de samba e os que gostam de balada. Os que gostam dos dois. Os que estão felizes e os que vivem tristes. Os que eu vejo sempre e os que não vejo nunca. Os que moram do outro lado do mundo e os que moram aqui pertinho. Os que eu acho que eu não me amam (por isso não vou 0citar nomes). Desses tem alguns. Especialmente uma pessoa. Especialmente uma amiga. Coisa que já me fez chorar quietinha à noite. Pessoa que após estar tão perto foi ficando cada dia mais longe e eu sei o motivo, eu compreendo. Mas que será para sempre muito importante no meu mundo. Bobeiras fizeram com que ficássemos distantes... E esta amiga, um tanto grande de querida, também é o que sou, também faz parte do que sou hoje.

Acho que estou crescida e que estou crescendo. Sei lá. Sábado passado passei a noite na cama da minha mãe com os olhos vermelhos, uma sensação de tristeza. E nem era TPM. Segunda acordei triste e fui dormir triste. Terça acordei bem. Não gosto quando trabalho demais. Me cansa, me deixa triste. Mas, como diz a Camila, as coisas que faço, todas elas, são coisas que gosto muito. Por isso é um cansaço meio bom, apesar de ser cansaço e nunca ser bom trabalhar demais. Mas tem dia que me dá vontade de silêncio e cama. De nem sair de casa.

Apesar das tristezas. Apesar do trabalho. Apesar de São Paulo. Apesar de tudo ser muito caro e de eu querer e precisar ganhar mais. Apesar das incertezas. Do trânsito. Da violência. Das coisas que não entendo. Das coisas que me dão medo. Dos desamores, do fracasso. De todas as promessas que fiz no começo do ano e que não foram cumpridas. Dos sonhos que ainda não foram realizados. De ter que sempre escolher, escolher, escolher e não ter ninguém do lado segurando minha mão. Apesar da minha carência (ok, Camila, ela me atrapalha o mundo). Apesar da saudade. E da solidão. Apesar de o tempo ir passando e eu não saber com certeza para onde vou, para onde quero ir. Apesar de todos os nãos que ouvi e de todos os sim que já disse (quando devia dizer não). Apesar de todos os sim e de todos os não que falei (erradamente, muito erradamente). Apesar de não poder voltar e ir apagando tudo e não poder saber o que me aguarda no futuro. Apesar, apesar, apesar. Acho que estou mais feliz, mais certa das incertezas desse mundo. Estou aprendendo a caminhar. A respirar. Ainda quero voltar a fazer dança. Ainda tem uns cursos que quero fazer. Alguns lugares que devo conhecer, outros que quero com muita força. Ainda tem umas coisas que gostaria de saber, uns sabores que gostaria de provar. Ainda tenho desculpas para pedir, ainda gostaria de trabalhar menos e de pegar menos trânsito e de estar mais perto de algumas pessoas. Ainda gostaria de trabalhar apenas do jeito que gosto. Ainda gostaria de ler um milhão de livros e assistir a um milhão de filmes e conhecer tantas músicas e dançar, dançar, dançar. Ainda gostaria de ser algumas coisas que nunca fui e de conseguir algumas coisas. Ainda gostaria de muita coisa. Mas me sinto mais feliz. Hoje, 2008. Tantas coisas pra fazer, talvez eu não consiga tudo hoje e se atrase. Talvez. Talvez tudo dê certo, talvez não. Sempre há uma nova esquina e uma nova pessoa. Sempre há uma decepção e um carinho, ainda que a gente reze para encontrar somente flores coloridas por aí.

Mais feliz, maior. Tantas pessoas que me magoaram, tantas que magoei. Mais leve. Quando esses dias chegam eu tenho um perdão imenso para oferecer, para pedir. Quando esses dias chegam eu entendo tudo, a amiga que está longe (distância do coração e não física). Entendo o mundo, entendo as lágrimas, entendo os desesperos. Entendo que provoco 99% das coisas na minha vida, que faço muito para me ajudar ou prejudicar, que sou minha melhor amiga ou minha pior inimiga. Mas sempre há 1% de acaso, que nos joga para outro lugar, que dá outro rumo, que assopra uma vida nova na face, que nos enriquece, nos embriaga, nos maravilha. Sempre há coincidências, caminhos cruzados. Sempre há um acaso para mudar o que somos. Sempre há um dia em que paramos e dizemos: puxa.

Essas são muitas e muitas palavras. De agradecimento, de amor, de felicidade e alegria. Apesar da Camila não achar (olha quantas vezes a Camila apareceu no meu texto hoje!) eu gostei da frase do filme. Alegria e tristeza podem estar misturadas (é, talvez a frase do filme possa ser corrigida um tantinho). E há algo de profundo na tristeza. Nas histórias que ouvi ontem. E que relembro hoje. Assim como há algo de profundo na alegria. É impossível estar realmente feliz sem estar um tantinho triste. Acho que é bem por esse lado. Ontem, ouvindo histórias de amor, num ritual de amigas, mulheres, senti, mais do que o prazer de ouvir e ser ouvida, a alegria de estar ali. Ontem senti que mais importante do que as histórias de amor, era aquele momento, aquelas amigas, o narrar, o acolher. Mais importante do que qualquer paixão, do que qualquer sentimento que eu possa ter, elas, as três meninas eram pra mim, ali naquele momentinho mágico, o mais essencial.

Esse então é um texto sem pé nem cabeça. Assim como os pensamentos, assim como a vida. Escrito correndo, tentando acompanhar o pensamento, o sentimento, apesar deles serem tão não "acompanháveis". É uma forma de rezar, de pedir, de agradecer. Aos meus amigos, aos meus amores, à minha família. Uma forma de tentar dizer o que não consigo. E antes que esse texto assim sem pé nem cabeça termine eu gostaria de dizer à minha linda amiga Andréia, que o sucesso dela me deixou essa semana, absurdamente feliz, que eu saí contando pra todo mundo, que eu não caibo em mim de tanta alegria. Minha peixinha: parabéns. Mestrado na Sorbone, porra!!! Nada como um grande presente de reconhecimento da vida para uma grande amiga. Tão peixinha, tão linda.

É isso. Se a Deinha tiver paciência de ler até o final, talvez me compreenda. Ela tem uma mania de saber me compreender. Essa coisa de peixinhas que são tão caretinhas mas de repente mudam tudo. Lembro dela chorando e dizendo que era por todos. Hoje eu choro de alegria. Por todos, por ela, por todo mundo.

O mundo é grande a cabe nessa janela sobre o mar.

Meus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.


O expresso do oriente
Rasga a noite
Passa rente
E leva tanta gente
Que eu até
Perdi a conta

6 commenti:

Anonimo ha detto...

Preguiça de corrigir as coisas... Muitos erros de pontuação... Texto sem pé nem cabeça, feito mais de sentimentos do que de palavras.

Erros, erros, erros. Outro dia corrijo, tá?

Anonimo ha detto...

Linda!! Ontem após nos despedirmos, eu chorei... um choro gostoso, de felicidade, de plenitude de vida (com tristeza e alegria).... Choro que você traduziu neste texto...Que delícia tudo isto junto! Te amo! Queiroz
PS: Pelo texto eu sou a amiga que critica a cada 2 min, né!? Isto está em processo de correção. Imagina para mim como é! conviver com críticas 24h/dia! aff...

Gil ha detto...

Pessoa mais do que linda. Me fez tão bem ir te ver ontem, sabia? Espero que a recíproca seja verdadeira. E não fiquei "bravo" por você não almoçar com a gente. Foi só ciuminho de amigo bobo, que passou logo; amigo que sente um puta orgulho de ter sido citado em seus textos (mais uma vez...). Te amo!

P.S.: Engraçado é que ontem saindo de sua casa, enquanto atravessava a ponte em direção à Paulista, fiquei com vontade de escrever sobre amigos, amizade, você, eu e todos os outros. E eu nem sabia que você havia escrito esse texto lindo... Coincidências à parte, não se sinta imitada se eu postar algo semelhante, tá? Afinal de contas, até nisso parecemos sintonizar, hehe. Beijinho.

Meio assim... ha detto...

Olhei o post e pensei: "Lá vai a Camila judiar de mim!!!". Me incomoda ler textos longos na tela do pc, mas não me pergunte por que...rs. Mas li, li sim. Porque mesmo que às vezes eu não comente, eu sempre leio. Todinhos. Tudinho.
Daí fui descendo, me deliciando com a leitura de um texto tão "camilístico", ao mesmo tempo que ficando triste de não fazer parte das citações, tendo a sensação de que essa minha escolha/conquista me distanciará das pessoas que amo no mundo. Mas eis que chego ao fim e me deparo com tuas lindas palavras que me incluem de volta, e de uma maneira toda especial, nesse grupo de pessoas que você ama no mundo, e que tenho certeza que te ama também.
Obrigada, pessoa! As lágrimas vieram, mas não foram de tristeza. E você sabe o quão pisciano isso pode ser, e é.
Beijos, saudades e muito amor de quem também te ama no mundo.

Anonimo ha detto...

Texto bunito Cá!!!
baci

mariangela

Igor Pushinov ha detto...

Cá, menina linda!

Pisciano que sou (com ascendente em peixes pra piorar ou melhorar, não sei!) te entendo e tbm sinto essa felicidade imensa que tem uma pontinha de tristeza lá no fundo!
E se o texto é sem pé nem cabeça... não ligue!


Eu acho mesmo que o mundo tbm é assim... um grande fluxo de vida que jorra e a gente não consegue organizar, só sentir...

Saudades de vc, pessoa...