giovedì, aprile 16, 2009

Lá vou eu


Meu coração aos berros. Eu vou mudar dessa cidade, eu vou mudar desse país. E não é em sonho. Dormi e sonhei outro espaço. De novo. Mas dessa vez sonhei mais longe. Mariana comigo. Sonhei e acordei realidades. Agora eu vou indo.

Deinha me disse que o bom de crises é que elas nos despertam.

Tudo flui. Tudo vai me levar. E eu vou. Mais água, onde haja encontro. Sentarei na beira da estrada para comer a fruta amarela.

Mais descalça, mais calor. Mais solidão, talvez. Eu quero as pessoas de outro lugar, a vida de outro lugar. Basta de São Paulo. Ainda que ame São Paulo como quem ama um amante gelado, mas que lá dentro, pulsando, tem um enorme coração. Amo como quem ama o odiável, como quem entende os sentimentos humanos, as friezas do mundo, como quem entende de solidão. Mas me basta.

Quero o sol nas veias, tudo aberto, mais sangue, mais exposição. Quero a minha cor preferida perfumando a casa. E quero casa.

Procuro um amigo perdido, distante muitas léguas, capaz de me levar junto. Mas se ele não for, se ele existir apenas em sonho, eu vou também. Quem sabe encontro no caminho ou no destino algum humano menos sonhado e mais real. Quem sabe tropeço com algo melhor que o sonho.

Vou. Estou indo.

Arrumo as malas, digo adeus a quem fica, a quem mastiga essa realidade descolorida e pode continuar a degustá-la.

Agora é procurar um motivo convicente para convencer os homens sérios de que a melhor medida da vida é ir embora desse lugar. O motivo está quase encontrado. Vou estudar, homens sérios. Me especializar nas literaturas, ainda que as literaturas do mundo me pareçam mais vivas na voz do povo do que nesse povinho letrado, que às vezes me cansa um bocado.

Vou estudar as literaturas. Convencidos os homens sérios, vou indo com meus motivos mais meus, mais insanos, mais piscianos. Tocando amor, delírios, sol escaldante, morenice de pele, água, muita água. Vou indo em busca de mais som. De mais luz.

Procurando o que sou. Não sou mais eu nessas paragens. Homens sérios, mulheres frígidas, gente mesquinha e interessada apenas no dinheiro, nos pedaços de papel... Eu não caibo nesse espaço, eu não pertenço a esse mundo, por isso preciso buscar outros. Não me digam que são todos iguais. Por cá não encontro eu água, não encontro a minha rua, não encontro as sensações úmidas e calorosas do meu último sonho.

Colocando na mala as justificativas para os homens sérios que hão de me parar e perguntar, que hão de tentar entender. Acumulando argumentos, cá estou eu. Mas me aguardem. Vou me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei. Terei a mulher que quero. Na cama que escolherei.

Pasárgada, Desatino do Sul. Mais sol, mais luz, mais eu.

4 commenti:

Li ha detto...

Eu também ando muito, muito triste e daí?
Temos mesmo o direito, não é?
Esse texto e o anterior são a minha cara, meu blog anda bem assim, também vou embora desse lugar porque deve existir um lugar mais feliz por aí...
Porque está demorando a passar e não tem baladinha de rock que amenize esses meus sentimentos...
Te amo!

Meio assim... ha detto...

Não sei o que vem antes, se a crise ou a mudança... mas esta ser causa ou consequência é o que menos importa. O importante é acompanhá-la e deixar vir junto o que vier...
Bon courage, ma chérie.

mari ha detto...

Me leva??

Camila ha detto...

levo, sim, mari. zanza daqui, zanza pra acolá... vamos que vamos... :)

e a mari com quem sonhei lugares quentes e distantes é exatamente vc. Claro, né?