domenica, giugno 14, 2009

Quero ser de vosmecê



E quem entende o amor?


Estrada do Sertão

Coisa que não arrenego
Nem tão pouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenchavido
Encruado e recolhido
De ninguém se aperceber

Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada
Faz um ninho pra você
Juriti me espreita triste
A jandaia não resiste
Chora junto por você

Nos teus óios faz clarão
É um verde, um azulão
Tiê sangue furta cor
Que me dá desassossego
Que me suga que nem morcego,
Mangando que é beija-flor

Não me encrespe a vida assim
Já me basta o que de mim essa vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender.

Canta firme juriti
E me entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem de junto ao coração
Pousa aqui meu colibri
Vê se tu tem pena d´eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vosmecê

Quanto mais me desfeiteia,
Me despreza, mais me arrasto pra você.



Domingo, antes do meio-dia. Acordo para preparar provas, antes de encontrar os amigos lá longe, no SESC. Marcaram longe porque hoje tem parada.

Abro o e-mail que uso mais para assuntos de trabalho, porque preciso começar a preparar as provas. E lá, com a data de 12 de junho, um e-mail tão doce, com esta canção...

O amor é mesmo uma coisa diferente, com a qual ainda não aprendi a lidar. Para quem a gente se doa, se entrega, quem a gente escolhe e trata com o maior carinho do mundo, o amor é pouco, não é suficiente, não é bem a hora, não é bem o que a pessoa quer. De repente alguém para quem a gente não se entregou, quem a gente deixou de lado, em nome de outro alguém, de outro momento... Esse alguém, com um bocado de carinho pequeno que a gente deu, construiu um amor tão bonito...

No e-mail, o moço, que conheci há dois meses, num chorinho do mundo, me manda esta canção e as palavras: Ouvi essa música e lembrei de você.

É, nega, alguém no mundo, apesar de longe, apesar de não ter provado o melhor que você pode ser, lembrou de você e de oferecer um carinho nessa datazinha tão comercial... Teria me feito bem abrir o e-mail na sexta, mas tudo deve ter seu motivo nas coisas do acaso.

O moço é tão bonito, tão doce... E se encantou com tão pouco, com algumas palavras trocadas no meio de um chorinho...

O amor é mesmo um negócio diferente. Quanto mais a gente se doa, menos a gente recebe. Quanto menos a gente se entrega, maior o encantamento. Alguém consegue entender?

O fato é que fiquei com os olhos cheios d'água, magoada por ter sido tão indiferente com o tal mocinho, em nome de algo que eu chamei de encontro. O fato é que a canção encheu meu coração de uma alegria mansa, uma sensação gostosa de sentir. É impressionante como essa pessoinha, nas poucas vezes que nos vimos, me deixou leve. Mesmo um café na livraria, uma conversa num bar, músicas no Centro Cultural... Qualquer coisa perto desse moço é de uma paz imensa.

De coração quente, começo o meu domingo.


... mas hoje eu recebi um telegrama... dizendo nego: sinta-se feliz, pois no mundo há alguém que diz, que muito te ama, que tanto te ama...



Ps. Uma pena... não sei colocar o MP3 aqui. A versão que o moço mandou, na voz de Lucila Novaes, é tão bonita... Peguei essa versão, muito bonita também, da Alaíde Costa...

1 commento:

Meio assim... ha detto...

Sim. Texto extremamente pisciano. E sensações também. Mas não ando conseguindo falar de amor. Não desse tipo de amor. Não entendo de ascendentes, descendentes, poentes e expoentes, mas acho que a influência dos astros está fazendo efeito em mim.
E nesse moço, parece que fez também. Mas isso não é coisa de astros, é coisa de Camila. É jeito Camila de ser. Jeito encantador. Por que não se apaixonar? Como escapar?
Perguntas que devem dançar na cabeça do mocinho, não é mesmo?