mercoledì, giugno 24, 2009

...que amava toda a quadrilha...


Um mar de sentimentos
de Camila


O BANCÁRIO


O bancário conta
dinheiro com tanta precisão
quanto uma calculadora.

Como se estivesse com sua vida nas mãos
ele fecha o banco
e vai para casa sem
dinheiro algum.

Depois de tanto dinheiro,
Ele volta sem nenhum.

Será que ele
se esconde da luz?

Minha aluna Lílian, 11 anos. Maio de 2008.


Eu ando tão feliz, mas tão feliz com meus projetos no colégio, mas tão sem tempo para comentar. Hoje eu não dormi quase nada, apenas umas poucas horinhas. Dormi na Rê. Conversas quentinhas de madrugada, leituras, palavras.. palavras, palavras.

Acordei e fui trabalhar. Imaginem só. Tinha trabalhado 14 horas na terça, inventado de sair, dormido apenas 4 horas (ou menos) e ido trabalhar. Mas as aulas foram todas tão lindas que voaram. Poesia. Imaginem... poesia. Meus olhos brilham do começo ao fim, meu coração se enche de vida, as aulas transbordam lirismo. Uma sala de alunos atentos, meu coração se esquece dos maltratos, meu corpo se esquece do sono, eu esqueço da vida lá fora. E entro. Meus alunos são meu território mais seguro, meu abrigo, meu colo, minha aprendizagem diária. Com eles cresço, com eles amadureço, para eles sou o melhor de mim. Lá estou só lá. Nunca o pensamento corre. O pensamento é dentro. É amor. Meu amor diário, meu caminho.

Poesia, poesia. Ouvidos e olhos atentos. Poesia, poesia... E dentro de cada um deles um sentimento, uma pergunta, um pedaço de vida. E dentro de mim um pedacinho de cada um deles.

Meus alunos me ensinam cada dia a renascer, a começar, a me reinventar. Eles me enchem de esperança. E eu queria somente aulas assim, leves, indo e vindo na poesia, indo e vindo dentro de nós mesmos, dentro de histórias.

Cá pra mim: sem histórias o mundo perderia toda a sua graça. A grande graça da vida está na sua força narrativa.

Hoje eu estou encantada, suave, leve, em outro plano. Fora do ar, do mundo, dos pequenos e grandes problemas que enfrentamos. Eu tenho essa mania de sair fora da realidade e de criar meu mundinho particular de felicidade.

E no meu mundinho há uma porção de alunos e poemas e aulas cheias de magia. No meu mundinho há uma porção de amigos, há o meu avô tão querido fazendo aniversário. Há festinha pra ele. Há a pequena Júlia, minha prima caçula, dançando sobre a mesa e todo mundo batendo palma.

No meu mundinho, longe dos interesses mesquinhos desse mundo, há a pequena Júlia me olhando e rindo, cantando e dançando. A Júlia em cima da mesa. Há quentão, é quase madrugada. Há a minha família rindo. Há os primos e as primas. As primas e os abraços apertados. A Márcia e a Mariana. A Giovana. Há aquela felicidade de estar ali, todo mundo reunido para comemorar os 79 anos do avô.

O meu mundo eu mesma invento. Nele cabe a poesia dos olhos dos alunos. Cabe o pequeno Marco, meu primo-sobrinho, e seus imensos olhos azuis. Cabe a Júlia dançando. Cabe o abraço apertado que eu dei na tia Nani. E senti sua vontade de não sair mais do abraço, a minha vontade de curar tudo o que arde no coração dos que eu amo. Cabe a tia Lu. E todas as coisas bonitas que eu passei com ela. Cabe o doce tio João. Cabem as minhas irmãs que eu tanto amo. A minha linda avó. Cabe Piedade e suas noites de inverno. Minha mãe e seu amor inegualável.

Cabe o dia 14 de junho, o encontro do meu sexteto querido. Aline, Queiroz, Eliane, Evertom e Felipe. Cabem doces e cafés, comidinhas e bebidinhas quentes. Aquele amor todo se esparramando pelo SESC... Cabe aquela sensação boa de sair de lá com o coração mais quentinho do mundo. Cabe o nosso amor, assim tão delicado, assim tão profundo. Cabem as críticas, dadas e recebidas, cabem as conversas, as histórias, todas as histórias. De amor, de trabalho, de família, de perdas e encontros. Cabem os medos, as saudades, o tempo, a faculdade, os sonhos, as viagens. Cabem os cinco de mãos dadas dentro de mim. Esses cinco que eu amo tanto que chega a doer. Esses cinco que eu não perco jamais. Esse 14 de junho. Cabem as duas copas que passamos juntos, cabem os planos para a próxima copa. Cabem as nossas lembranças de faculdade, as idas a pé para a minha casa de madrugada. Cabem as lágrimas que derrubamos, as vezes que nos reerguemos, os tropeços, as brigas, as mágoas e os perdões que todos levamos pela vida. E que dividimos, juntos, nesses 9 anos...

No meu coração, hoje, rico de poesia e sonho, cabe o doce e-mail da amiga Queiroz, pra quem liguei toda chateada. Impressionante como lembro dela quando o mundo me magoa um tantinho. Leio o e-mail, choro o e-mail e fico pensando nesse amor tão bonito que nos une. É tão bonita a forma dela olhar o mundo, dela dizer que me ama e que eu sou especial.

No meu coração cabe a amiga Rê, e todo o seu carinho. Cabe a amiga Mari, com suas doces mensagens açucaradas.

Cabem o Gil e a Sol dormindo em casa de segunda pra terça. Cabe a Sol me ajudando a escolher um livro de um autor angolano para meus alunos. Cabe o Gil e seu jeito lindo de ser sempre presente. Cabem a Sol e o Gil. Esse amor que não tem fim nem tem começo. Esse amor que vem desde sempre, desde que o mundo é mundo. Somente o nosso encontro é que veio depois, o amor por eles eu tinha desde que nasci.

No meu coração cabem tantos amigos, distantes e queridos, perdidos pela Europa, por São Paulo, pela infância, pelos muros, pelo tempo...

Meu coração, cheio de poesia, de alunos, de amigos... vai dormir. É assim que eu me curo do mundo. Das violências todas que o mundo tem. Andei enfrentando tantas violências, todos andamos enfrentando violências diárias. Me assusta. Me assombra. Pareço menina de 5 anos, me lembra o jeito da Ana Clara ver o mundo, aquele jeitinho de criança de se assustar com o barulho do liquidificador. É, ela tinha menos do que 5, tinha uns 3 aninhos. O mundo, às vezes, é como o barulho do liquidificador. Barulhento, violento, assustador. E nem falo de grandes violências. Falo das pequeninas, das diárias, dos maltratos que fazemos contra nós mesmos, que as pessoas fazem umas às outras.

São as poesias, as histórias, as músicas, os espaços, os amigos. São os alunos e seus olhinhos encantados. É esse jeito deles olharem o mundo com deslumbramento. Adoro esse olhar de novidade, adoro esse olhar o mundo com ternura e fascínio. Adoro o deslumbramento deles pelos poemas, a respiração demorada no final das leituras. Adoro as perguntas, a vontade imensa de conhecer coisas novas. Adoro. Sem os meus alunos eu não seria nada, sem eles eu não sobreviveria a todas as violências diárias.

É nesses momentos que eu penso que eu fiz a escolha mais acertada. Passei semanas chateada com minhas escolhas profissionais esses dias... Pensando em onde estava com a cabeça quando resolvi ser professora. Mas... Em que outro lugar, fazendo que outra coisa, eu teria tanta vida? Que outro emprego me faria esquecer o sono, o cansaço, a chateação... De onde eu sairia tão feliz e realizada?

Eu sei, eu sei. O meu blog anda cheio de textinhos e textões confusos... Uso esse espaço para despejar sentimentos... Textos e textos cheios de erro e desacerto... Sentimentos embaralhados... Começo a falar dos alunos e vou para tantos outros recantos da minha vida... Mas que culpa tenho eu se ao estar com os alunos, todos os outros recantos são iluminados?

O fato é que nessas férias tenho seis livros para ler. Quatro pra reler na verdade e dois para ler. Até me assustou quando fiz a conta. Mas veja que trabalho bonito... Então me volta à memória o e-mail da Queiroz... Que diz que eu tenho um trabalho muito bonito... Que trabalho mais bonito e gostoso eu poderia ter? Seis livros para ler... Uma porção de alunos...

Sexta é o último dia antes das férias. E na sexta cada um vai levar o seu texto preferido para ler. E eu também vou levar para as salas os meus poemas preferidos, para dividir com os meus pequenos e grandes, as coisas que mais gosto no mundo.

E depois vem o fim de semana... E a festa junina. Eu adoro festa junina. Acho que é a festa mais bonita do ano. E hoje, por sinal, é dia de São João. Viva São João! Pra me chatear um tanto, a festa do colégio, nesse ano, é inspirada nos rodeios... Não há ninguém que me faça gostar de rodeios, eu já tentei... Juro... E acho uma ideia meio boba trocar festa junina por festa de rodeio... No entanto, terá quadrilha, que é, entre todas, a minha dança preferida. Ganha da tarantella, ganha do choro e do samba. Ganha da dança do ventre, ganha do flamenco. Ganha do forró. Acho que empata com o cavalo marinho. Mas como quase ninguém conhece cavalo marinho... Fico com a quadrilha. Com a festa junina. Bandeirinhas. Flores. Comidinhas gostosas. Vinho quente.

Nesse ano, minha família resolveu voltar a fazer festas juninas. Lembro de uma, toda especial, no ano de 1999. Foi no sítio do tio Marco e a tia Lu estava grávida da Giovana. Foi engraçado ela de noiva... Com um barrigão... O vô com a espingarda... O padre. A quadrilha... O frio horrível que faz lá no sítio, os cobertores, a fogueira... Os tios todos reunidos... Acho que foi a festa mais bonita que fizemos. Nesse ano, vão fazer outra. Não será no sítio. Mas prometeram quadrilha e as comidinhas todas... Levarei pra lá toda a minha alegria, o meu encantamento. E vou querer ver a Júlia dançando. Dançando e cantando. Cantando e rindo. "A Júlia gosta da Camila". Alguém pronuncia essa frase enquanto eu canto e danço com ela. E a Camila gosta da Júlia.

Eu gosto tanto de crianças... Eu gosto de todas as pessoas que não perderam essa espontaneidade de lidar com o mundo. Que mantêm, mesmo nessa vida besta de gente grande, um olhar mais deslumbrado, mais ingênuo, mais alegrinho.

Um beijo de boa noite para todos que tiveram paciência de ler todas essas palavrinhas confusas, despejadas por aqui. Será que tem alguém que conseguiu? Hoje eu vou feliz e contente, leve e cheia de poesia. Apaixonada, completamente apaixonada, pela poesia dos olhos dos meus alunos.


A COSTUREIRA

A costureira faz
o seu ofício
tricotando no seu
ponto cruz.

Ela no seu mistério
nos seus pontos estranhos
que só ela entende.

E como se ela estivesse
voando, sonhando,
ela passa o dia
costurando.

Meu aluno Fernando, 11 anos. Maio de 2008.

6 commenti:

Caçadora de Arco -íris ha detto...

:)

Déia ha detto...

Eu li! Eu li e me emocionei.

Anonimo ha detto...

E eu caibo?

(Momento carência)

Rosely Zenker ha detto...

ahhhhhhhhh
não é tão triste quando acabam as aulas e os alunos vão embora????
eles são tão fofos, né....

hj vim trazer uma boa notícia tb: atualizei meu blog, depois de décadas!! rs
espero a sua visita...
beijão!!

www.corraatrasdalebre.blogspot.com

Camila ha detto...

Mel... E como não iria caber? Adorei os comentários bonitos... Vou correndo ver o blog...

Beijos pra todas

Unknown ha detto...

Que liiiindo!!!

amo amo.

bjo