martedì, settembre 14, 2010

esse silêncio errado




vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Paulo Leminski

As palavras me faltam. Não, nada aconteceu por fora. Por dentro é que as coisas acontecem silenciosamente. Por fora são outros tempos. Dentro eu queria o carinho acolhedor da minha cidade, numa tarde de sábado. Queria que a vida pudesse ser um sábado. Uma porção de livros. Algumas músicas antigas e minhas. Daquelas que se sabem minhas de tanto que foram amadas, choradas, acarinhadas pelas noites.. Queria uma noite de sábado comprida. Uma madrugada. Livros. Algum filme quente. Água. Talvez um caderno. Uma chuva pesada, daquelas que parecem querer engolir o mundo. A Melissa dorme e é pequena. A Aline dorme e é pequena. Minha mãe dorme - e é pequena. Eu fico acorda - pequena, pequena - dentro da noite. Muitas lembranças. O tempo e sua vastidão, sua capacidade de acontecer e se perder... Por dentro queria a sala de Piedade. Minha vitrola.

Quando o tempo passa e vai machucando tudo o que eu aprendi a ser... sempre me dá essa saudade, essa vontade de Piedade. Que me parece trazer ainda um pouco de eternidade. Ainda um pouco de adolescência. De colo. De aconchego. De silêncio e paz.

Quando o tempo passa e vai machucando tudo, eu quero a eternidade e a verdade da minha família.


Estilhaços

hoje alguma coisa se quebrou
como um cálice atrás do palco
todos os dias alguma coisa se quebra
varrer para debaixo da alma
essa água quebrada
esse silêncio estragado

Roseana Murray

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