
Tá, já falei desse assunto mais de uma vez. Mas o que posso fazer se ele é recorrente?
Desde que comecei a ficar mais velha, minha antiga tolerância com as coisas - e pessoas - chatas do mundo foi para as cucuias. Incluindo os meus próprios momentos de chatice. Senhor, como é duro se deparar com as próprias chatices. Como é duro se descobrir chato... :)
Mas como o inferno são os outros, a chatice dos outros incomoda um pouco mais... Com a gente ainda dá pra brigar e tentar ser menos chato. Além do que somos obrigados - e condenados - a conviver conosco por toda a vida. Mas e com os outros?
Fiquei decepcionada quando um amigo muito querido me disse uns meses atrás que fez "uma limpa" nas suas antigas relações e que sobraram poucos amigos. O resto não dava mais, não combinava, era muito diferente, não acrescentava nada. Fiquei indignada, mas nada disse. Como alguém se desfaz dos outros, dos laços que constriu ao longo de anos, simplesmente porque... o tempo passou e as pessoas mudaram?
Mas nada como o tempo. Taí que eu descobri, assim na pele, que nem sempre precisamos manter os tais laços pela eternidade. Que bastam as lembranças dentro do coração, as boas lembranças, os bons momentos, aquilo que éramos e que os outros eram em determinado momento. Não adianta querer arrastar uma multidão consigo. As pessoas mudam, você também.
Refletindo percebi que eu mesma fui deixando muitas pessoas importantes pelo caminho. Justo eu, a que tem imensa dificuldades de se desapegar. Algumas dessas pessoas me fazem tanta, mas tanta falta... Algumas ainda hoje teriam muito a compartilhar comigo e eu com elas, mas quis a distância, os compromissos, os outros laços... que ficássemos afastadas. Outras pessoas precisam estar afastadas mesmo... Aquele tal "gosto muito de você, mas do outro lado da rua"..rs. Tem gente que já foi muito próxima, mas que por mudanças - ou de comportamento ou mesmo de percepção - não cabem mais. Estou me sentindo o tal meu amigo, estou imaginando a indignação de todos.
Alma adolescente, que eu cultivei por muitos anos, é aquela que necessita que todos, todos do mundo estejam próximos, gostem de você. Necessidade de ser amado, aceito, de conviver, de fazer parte da turma. Quando a gente cresce sabe dizer "Não, obrigada. Juro que ficar no meu canto me deixará mais feliz".
Taí. Crescer é um porre por um lado. Mas traz inúmeros benefícios.
Agora o porquê do texto. Os amigos que por um tempo foram muito bacanas, mas que de repente ficaram chatinhos - e chatões - a gente até atura dia ou outro por respeito. Mas chatos novos eu dispenso na caruda. Até porque com gente chata, eu tendo a ser insuportável, ranzinza, viro mais chata que o chato. E detesto me ver como chata. Assim, os chatos novos que não se aproximem, não há vagas.
Quero ser a melhor Camila que há em mim - pois somos tantos. E para isso quero perto as pessoas que despertam o melhor de mim. Não as que despertam o pior que posso ser.
Pessoas... Isso não significa que eu não ame de amor maior do mundo uma porção de amigos queridos... Muitos certamente estão lendo esse texto... Mas significa que eu cresci, mudei. E fiquei mais chatinha. Como todo mundo que cresce. :P
Na minha casa só tem espaço para as coisas que me fazem bem, para as relações que constroem. No meu coração há um espaço imenso para os meus verdadeiros amigos e espaço algum para as chatices desse mundo. Relembrando o post anterior... Eu cansei de andar perto do inferno. Quero perto de mim o que há de mais bonito nisso tudo. Porque quando estamos muito dentro do inferno, a tendência é que sejamos ainda mais infernais, ainda mais insuportáveis.
Quero para mim os abraços dos amigos de verdade, belas amizades que construí ao longo desses anos pelo mundo. Quero o colo deles. E quero oferecer o meu. Quero em meu cantinho somente as pessoas que me fazem bem. Passei anos abraçando o mundo... Mas o mundo, senhores, não é sempre abraçável.
De pessoas chatas, bastam aquelas com as quais a gente é obrigado a conviver. E olha que esse ano - pelo menos aparentemente - elas são poucas.
Não me importa ter fama de chatinha ou que me olhem como eu olhei meu amigo meses atrás. Não me importa a fama de chatinha. Até porque apesar de todo o esforço no passado - de ser simpática e agradável com meio mundo - muitas vezes eu tinha a fama sem ser.
Não quero um milhão de amigos. Quero apenas os meus.
Nessun commento:
Posta un commento