
Eu que andava tão perdida, de repente me encontrei tão toda, tão completamente que até me assustei com o tamanho da felicidade. E foi uma felicidade tão prevista, que até parece sonho. Começou por ontem, com uma sensação boa no corpo. Eram cerca de três, quatro horas da tarde. Eu já tinha dado umas 8, 9 aulas... E percebi que não havia cansaço algum. Saí do trabalho ainda algumas horas depois, sem cansaço. Comprei o jornal do dia, cheguei em casa li o jornal, trechos de livros, vi filmes, fui dormir tarde, acordei bem cedo, mais do que devia, ansiosa, fui até os livros que estão no quarto, comecei a ler um. Resolvi pesquisar sobre o autor, li sobre ele e relembrei que comprei muitos na viagem, mas deixei de comprar o principal. Decidi pegar na biblioteca, já que iria pra lá. Tinha visto no dia da inscrição que lá tinha, em português, mas tinha. Mas ao chegar lá, percebo que havia esquecido de levar comprovante de residência, então penso que depois do curso posso ficar lá um tempinho, ao menos para espiar o livro mais um pouco... Mas resolvo ir embora, porque estava atrasada para encontrar um amigo e porque o professor ia até o metrô... Seria bom poder ficar um pouco mais perto dele, ouvi-lo mais, conversar com ele... Vou. Conversa boa e grande. Tanta coisa em comum. Um mundo de coincidências. Não fiquei para ler o livro, mas estou com um nas minhas mãos agora... Ao se despedir depois da conversa boa no metrô, ele me entregou o quê, o livro que eu queria ler, exatamente aquele, sem saber... Estou com ele aqui, namorando uma a uma suas páginas. Na primeira página o nome do professor e a data, 2001. O livro é de 1982.
É, ontem não estava cansada, apesar de ser sexta. Apesar. Hoje estava ansiosa e ainda estou agitada. O livro chegou. E com ele muito de mim. Me assusto com esses encontros. O curso maravilhoso... Me trouxe tantas lembranças de casa, dos meus, de mim. Uma vontade de ir abraçando um a um, todas as pessoas da minha vida. As que se foram. As que ficaram. As que se perderam.
As coisas fazem um sentido absurdo em algum lugar. Há sempre uma fadinha colorida me guiando. Algumas vezes eu me perco dela, fujo. Mas ela é teimosa - assim como eu - e sempre volta para me cutucar.
A fadinha me deu um grande cutucão. Está na hora de começar, de recomeçar, de reencontrar. Reli o terceiro texto aqui do blog, de 2007. A menininha que fui, hoje, também se encontrou comigo. E ela se surprendeu dessa vez. Há tanto que venho preparando a mala, a minha bagagem está pesada, cheia de coisas, de histórias, de vida, de desejos, sonhos, amores, sons, cheiros, gostos, simpatias, lágrimas, gargalhadas. Minha mala está bem grande. Estou pronta para recomeçar, para seguir...
Afinal, a vida nunca é reta, nem poderia. É um círculo, o qual eu inicio de novo hoje. Eu não sou nada reta, nada para mim é em linha reta e eu sempre achei que tinha que aprender a andar em linha reta, tinha que mudar. Não. É mais difícil ser assim, mas agora a narrativa da minha vida está muito mais rica de episódios, tenho muito pra contar.
Agora é preciso sair, para novas coisas poderem entrar, é preciso dividir com os outros a quantidade de tudo que venho colocando na minha malinha ao longo desses anos. É hora de arregaçar as mangas, de fazer o que há muito tempo se espera, o que há muito tempo eu sonho. De caminhar.
Um convite a todos os amigos. Que venham. A todos os que passaram pela minha vida, que cruzaram meu caminho, que se encontraram comigo, não importa se num laço ou num nó.
Que venham. Aqui tem cada um de vocês. Por que eu sou as pessoas que amei e que odiei. Sou a minha história. A minha cidade natal. A cidade onde vivo há dez anos. Sou o bairro antigo e o novo. Sou minhas avós, minhas tias, meus filhos que ainda não vieram. Sou muito, muito a minha mãe, sou minhas irmãs, meus primos e primas. Sou meus alunos. Sou meu trabalho. Sou minha casa, todas as casas por onde passei. Sou a poesia que escrevia quando criança. Sou os livros que li. Sou bastante os que reli. Sou profundamente os que reli diversas vezes. Sou o que me emociona, o que me incomoda. Sou o que me entristece. Sou o mar que eu tanto amo, a terra, o sol, o ar. Sou. Sou o que me alegra, o que me faz rir. Sou o meu passado, meu futuro e meu presente. Sou o tempo.
Que venham. Quero dividir, quero ouvir, quero voltar, sentar na escadinha da rua 2, de madrugada e ouvir meu pai e seus amigos cantarem. Quero a lua cheia, a noite quente, a música penetrando em mim, me fazendo, me mudando, me transformando por dentro. Sou ainda aquela menininha proibida de entrar nos ensaios cheios de fumaça e álcool. Sou essa professora-mulher-menina-futuramãeumdia-esposa-companheira-filha-neta-amiga-colega-vizinha-moçaqueandarindoporaí.
A fadinha me deu um grande cutucão. Está na hora de começar, de recomeçar, de reencontrar. Reli o terceiro texto aqui do blog, de 2007. A menininha que fui, hoje, também se encontrou comigo. E ela se surprendeu dessa vez. Há tanto que venho preparando a mala, a minha bagagem está pesada, cheia de coisas, de histórias, de vida, de desejos, sonhos, amores, sons, cheiros, gostos, simpatias, lágrimas, gargalhadas. Minha mala está bem grande. Estou pronta para recomeçar, para seguir...
Afinal, a vida nunca é reta, nem poderia. É um círculo, o qual eu inicio de novo hoje. Eu não sou nada reta, nada para mim é em linha reta e eu sempre achei que tinha que aprender a andar em linha reta, tinha que mudar. Não. É mais difícil ser assim, mas agora a narrativa da minha vida está muito mais rica de episódios, tenho muito pra contar.
Agora é preciso sair, para novas coisas poderem entrar, é preciso dividir com os outros a quantidade de tudo que venho colocando na minha malinha ao longo desses anos. É hora de arregaçar as mangas, de fazer o que há muito tempo se espera, o que há muito tempo eu sonho. De caminhar.
Um convite a todos os amigos. Que venham. A todos os que passaram pela minha vida, que cruzaram meu caminho, que se encontraram comigo, não importa se num laço ou num nó.
Que venham. Aqui tem cada um de vocês. Por que eu sou as pessoas que amei e que odiei. Sou a minha história. A minha cidade natal. A cidade onde vivo há dez anos. Sou o bairro antigo e o novo. Sou minhas avós, minhas tias, meus filhos que ainda não vieram. Sou muito, muito a minha mãe, sou minhas irmãs, meus primos e primas. Sou meus alunos. Sou meu trabalho. Sou minha casa, todas as casas por onde passei. Sou a poesia que escrevia quando criança. Sou os livros que li. Sou bastante os que reli. Sou profundamente os que reli diversas vezes. Sou o que me emociona, o que me incomoda. Sou o que me entristece. Sou o mar que eu tanto amo, a terra, o sol, o ar. Sou. Sou o que me alegra, o que me faz rir. Sou o meu passado, meu futuro e meu presente. Sou o tempo.
Que venham. Quero dividir, quero ouvir, quero voltar, sentar na escadinha da rua 2, de madrugada e ouvir meu pai e seus amigos cantarem. Quero a lua cheia, a noite quente, a música penetrando em mim, me fazendo, me mudando, me transformando por dentro. Sou ainda aquela menininha proibida de entrar nos ensaios cheios de fumaça e álcool. Sou essa professora-mulher-menina-futuramãeumdia-esposa-companheira-filha-neta-amiga-colega-vizinha-moçaqueandarindoporaí.
Venham todos. O caminho está aqui, vamos de mãos dadas. Um pouco de mim e um pouco de você. Onde vai dar essa estrada eu não sei não, juro. Mas não tenho medo. Sei que o caminho é esse - finalmente! Sei que o caminho se abriu, que ele realmente ainda não estava pronto, que ainda havia muita coisa oculta por dentro de mim, esperando esse momento.
Não há respostas por aqui, há perguntas, muitas, de todas as cores, mas elas fazem parte da descoberta, elas são necessárias, são absolutas, descobri que são as perguntas que fazem o caminho, as respostas só são as respostas, o gostoso, o bom, o valioso é fazer perguntas, é saber perguntar. É depois de tanto, tanto, voltar a ter aquele olhar de menininha, aquele olhar de estranhamento, que a todos olha, a tudo duvida, a tudo observa com ar questionador... Foi preciso dar uma volta toda para perceber que a vida, aquela que eu quero viver, aquela que merece esse nome tão bonito - V I D A - é aquela inicial, com aquele olhar de criança perguntadeira, com aquela certeza de menina que tudo vai dar certo porque não tem outro jeito, com aquela alegria descarada de olhar para tudo e de não se importar com o que falta, de amar profundamente o que se tem ao alcance dos olhos.
Venham todos.
Venham todos.
3 commenti:
Eu vou!! Amor
Queiroz...
Fui lendo teu texto num fôlego só que quando acabou eu não aceitei. Voltei e li de novo, e de novo, e de novo...
Depois de ler todas essas inúmeras vezes, eu chorei (confesso). Chorei porque me senti amado, querido e parte de ti.
Eu vou, logo logo eu apareço e te faço uma surpresa. Tem um poeta que descobri e preciso dividir com vc, não consigo parar de lê-lo e acho que vc vai gostar tbm! É muito pisciano.. rs
Te beijo a face com saudade.
Nossa Ca, me emocionei muito. Ótimo texto. Obrigada por compartilhar esses sentimentos conosco.
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