venerdì, aprile 08, 2011

'La natura è piena di infinite ragioni'



Anteotem, descendo os Apeninos para chegar a Florença, meu coração batia descompassado. Que infantilidade! Finalmente, numa curva da estrada, meu olho mergulhou na planície e vislumbrei de longe, feito uma grande massa escura, Santa Maria del Fiore e sua famosa cúpula, obra-prima de Brunelleschi. Ali viveram Dante, Michelangelo, Leonardo da Vinci! - dizia a mim mesmo.

Stendhal, Roma, Napoli e Firenze


De vez em quando, é assim São Paulo -meu coração agitado, eu sem saber pausar, respirar, sem saber desacelerar o tempo nem quando paro, aliás, quando percebo que não sei mais parar... - e me vem uma saudade de Firenze, uma saudade que faz doer o corpo todo, como se estivesse longe do ser amado, uma saudade doída, que corta a alma em pedacinhos.

Firenze foi a cidade mais bonita que já conheci. Lembro de estar jantando num restaurantezinho pequeno e bem simples, quando um senhor me perguntou sobre o Rio de Janeiro, disse que já estivera lá e se eu achava a cidade linda. Eu, deslumbrada com Firenze, onde pude ficar míseros três dias, completamente apaixonada, disse:

- O Rio é realmente lindo, mas Firenze...

Ele me interrompeu e disse:

- Ahhhhh, mas Firenze é a cidade mais bonita do mundo! - e abriu um sorriso imenso.

É, a cidade mais bonita do mundo. Não sou pessoa de grandes viagens, de grandes desejos de conhecer a tudo e todos. Costumo pousar por bastante tempo num lugar e os lugares, assim como as pessoas, me fazem falta. Ainda hoje, de vez em quando, meu coraçãozinho aperta de saudade do meu apartamentozinho no Vergueiro, tão a minha cara, onde aprendi tanto sobre mim mesma, sobre o mundo, sobre a solidão...

Gostei muito de Roma, há lugares absolutamente lindos em Roma. Há também uma senhorinha das mais simpáticas e bonitas, uma das pessoas mais leves e verdadeiras que conheci. Com ela dividimos uma garrafa de vinho branco - maravilhoso- para nos despedirmos da Itália no dia em que íamos embora...

Gostei de Veneza e queria ter ficado lá por mais alguns dias. Achei ótimo todos serem assim como eu, pés no chão, sem carros.. As ruazinhas estreitas, os cantinhos, as pontes... Cidade realmente linda.

Mas Firenze... Mas Firenze... Firenze é o lugar mais parecido comigo que eu já conheci. Sabe aquela coisa de amor à primeira vista? Em Firenze você pode só caminhar, não é necessário pegar ônibus... Você pode ver o Rio Arno.. E que rio! A Ponte del Vecchio, a Galeria Degli Uffizi, a Piazza Michelangelo...

Em Firenze eu me senti na Itália que sempre sonhei. E Firenze fica na Toscana, com suas cidadezinhas mais lindas do mundo...

De vez em quando, me vem essa saudade de Firenze, meu coração aperta, fico imaginando ficar por lá um mês, quatro meses, um ano, uma vida toda.

Uma cidade que é grande e pequena ao mesmo tempo. Grande porque cheia de arte, por todos os lados, em todos os cantinhos. Grande, imensa, inegualável. Mas pequenina. Menininha. Menininha que parou no tempo. Uma senhora menininha, uma menina senhorinha.

Firenze parece a imagem do Paraíso, do que eu gostarei de encontrar do lado de lá da vida, se houver eternidade. Firenze para mim tem um gosto de passado, tem algo de mim em suas ruas, em suas praças, em suas paisagens... E é só pegar o trem e você está em Lucca e Lucca, meu amor, é outro lugar onde eu ficaria semanas, meses, anos... É um outro modo de viver o mundo. Mais silencioso, mais quieto, mais sereno. Pra mim a Toscana deixou esse gosto bom na boca, esse gosto bom do silêncio, da paz, esse jeito de ter 1000 habitantes numa cidadezinha pequenina, onde um parente distante nasceu, cresceu, viveu até seus vinte e poucos e anos e partiu. E nunca mais voltou. Que saudade ele deve ter sentido, meu Deus! Como deve ter cortado em seu coração a saudade daquela terrinha longe, tão bonita e silenciosa, daquelas ruas sem ninguém passando, daquelas casas com as portas abertas, daquele jeito de viver... Em mim a saudade dói, imagine o quanto doeu no senhor Giovanni Tardelli. A saudade dele dói em mim agora... A cidadezinha continua intacta, parada no tempo. Lá tomei chá, visitei a Iireja e o cartório, comprei cartões postais... Vi a torre, as casas de pedra...

Queria eu poder ficar por lá um tempo maior.

Queria andar de mãos dadas ao lado do rio Arno... Queria ficar horas, dias, meses, olhando a cidade da praça Michelangelo e me conhecendo por dentro. E conhecendo o mundo. E conhecendo Deus. E o amor. E todas as coisas importantes que devemos conhecer. Ah, Firenze! Ah, Toscana!


Ps. A foto eu roubei na internet. É linda e não estou conseguindo anexar as minhas...

1 commento:

La Nostra Italia ha detto...

Que texto lindo, Cá! Até me emocionei.
Também tive a mesma sensação do Stendhal quando vi pela primeira vez, da rodovia, parte da cidade de Florença, o Duomo, o campanário e a famosa cúpula.
Um beijão