martedì, giugno 14, 2011

gotinhas...


Hoje eu só queria do mundo um tiquinho mais de delicadeza.

Só uma gotinha mesmo.

Ou que fosse um domingo daqueles bem compridos, espreguiçados.

Ou uma gotinha de delicadeza.

Um telefonema açucarado.

Um e-mail açucarado.

Um olá açucarado.

Um gostinho de fruta colhida no pé.

Um certo suco de limão docinho do qual gosto tanto e que não sei fazer igual. Já tentei.

Ou uma gotinha de delicadeza.

Um abraço comprido num amigo querido.

Alguém me avisando que as férias já chegaram. Ou que ganhei na loteria. Ou alguém me dizendo lindamente que no céu há um estrela qualquer, pequenininha, que parece comigo. (Já contei da minha vontade de virar estrela quando fico triste?)

Ou uma gotinha de delicadeza.

Tem pra comprar na farmácia? Em gotinhas? Quero delicadeza em gotinhas, para ir pingando bem devagarinho.

Alguém que queira dividir o guarda-chuva comigo. Alguém como aquele moço desconhecido, lá no longínquo ano de 1998, que abriu o guarda-chuva para que eu subisse no ônibus no meio de um temporal.

Brigadeiro de panela na companhia da querida Ana Maria.

Chá, biscoitos e conversa na companhia dos meus avós.

Filme embaixo do cobertor com a minha mãe, que dorme antes de mim..rs

Brincadeira de novelinha com a Vivian, aos 12 anos. Ai, ai... Alguém me dá meus doze anos de volta só um pouquinho?

Música cantada e dançada na frente do espelho.

Uma bacia de pipoca na casa da Nanci numa tarde chuvosa. Um filme antigo - em preto e branco - e bem bonito. Uns segredos tolos de se contar.

Alguém me conta segredos no ouvido devagarinho? Dos mais bobinhos? Conta?

Quero uma carta do Juninho, dobrada daquele jeito que não sei fechar depois, escrita daquela maneira poética e adolescente, cheia de coisas nas entrelinhas, cheia de bobices tão nossas. Alguém também me traz o Juninho da adolescência que ando precisando dele?

Queria uma tarde com o Gui e suas piadas e suas risadas e seus medos...

Alguém me traz uma noite no Crusp na casa da Sol? da Conti? da Mel? Na casa das três meninas queridas?

Me traz copa do mundo com o Neto e a Melissa e várias comidinhas?

Me traz a USP só um pouquinho que eu ando com saudades?

Me traz o sexteto no murinho, conversando, deixando o mundo passar devagar? Alguém me faz parar nesse dia e não passar correndo e com pressa?

Alguém me traz mensagem da Eliane??

Cobertor quentinho no sofá?

Alguém me traz um trabalho da Iná para fazer? Uma prova de linguística?

Uma tarde toda na biblioteca da Letras? **Suspiro**

Ou uma gotinha de delicadeza?

Uma conversa boa com o Igor? Acompanhada de suas sopinhas, de suas piscianices, de seu transbordamento?

Alguém me traz a Deinha e sua risada boa que alegra a todos?

Alguém, por favor, me traz o Gil. Busquem o Gil há uns anos atrás, com menos cursos e compromissos. Um Gil pra dormir em casa? Um Gil para fazer planos de fim de semana comigo? Alguém vá buscar o Gil e traga todos, um modelo para cada dia? Gil de 2003, Gil de 2004, Gil de 2004... Gil de 2011?? Para me abraçar, para falar comigo, para rir com aquela risada dele que acalma tudo, pra dar bronca - sua especialidade -, para perder a paciência comigo, para chorar, para sonhar, para ler, para jogar conversa fora, para dividir segredos?

Alguém traz de volta amigos queridos que sabe lá Deus por que eu perdi? Esqueci? Derrubei pelo caminho?

Ou um tiquinho de delicadeza.

Alguém me traz um ensaio em casa. Meu pai. Alguém pode ir buscar meu pai lá e dizer que p-o-r-r-a ele é importante pra mim.

Hoje o dia foi assim.. bonzinho. Mas indelicado. Distante. Indelicado, mais do que distante.

Alguém, por favor, faz o relógio parar de andar de lá pra cá, de lá pra cá??

Alguém me dá uma borrachinha capaz de apagar as coisas?

Um chocolate quente com canela em épocas que ele não me fazia mal?

Sorvete de morango.

Pastel de alcachofra.

Sopa de feijão. Da minha mãe, claro.

Massa do tio João.

Creme de papaia com cassis.

Um tiquinho, um tiquinho de delicadeza?

Alguém me dá um rosa, me traz uma flor? Me dá uma certeza embrulhadinha pra presente?

Alguém me faz por a luva e vestir o anel? Ou me ajuda a decidir?

Alguém lê um poema pra mim bem devagarinho?

Alguém manda o Juliano me escrever um poema bem bonito de desaniversário? Diz pra ele por num guardanapo de papel?

Alguém fala pra ele que eu ainda tenho 15 anos, mas ninguém mais percebeu?

Me tragam dezembro. Me tragam um mar bem azul... Um passeio de bicicleta na areia. Um passeio de mãos dadas. Um passeio solitário.

Me tragam as boas solidões. Piedade num sábado à noite. Sem namorado e com uma pilha de filmes para assistir ou para rever...

Me tragam as solidões de adolescência. O friozinho bom da manhã, os poemas falados ao vento, enquanto o sol nascia... A alegria da liberdade, de falar poemas na marginal às cinco da manhã após perder o ônibus que me conduziria para a escola chata onde cursei o colegial. A alegria de ter uma manhã só minha, só minha, um dia só meu, só meu. De mais ninguém.

Me tragam a Vivian de novo. Digam que tenho saudades. Tragam a Vivian menininha. Magricela, comprida, sonhadora, inventando mundos comigo. Me tragam a Vivian e eu e uma sessão de fotos. Me tragam o clube de campo e nossas maluquices. A piscina e os mergulhos. As tardes de quase desfazer de tanto ficar na água, os olhos vermelhos de cloro, o balanço, as brincadeiras, as risadas, os salgados. Aquele clube que parecia um mundo bem maior. Uma tarde toda bem nossa, o espelho do clube e o vestiário, os peitos pequenos, o espelho e a gente se olhando, se comparando, tentando entender quando viria a primeira mesntruação, quando os peitos cresceriam, quando, quando. Querendo crescer, mas sendo tão menininhas, tão menininhas, tão menininhas.

Me tragam a mãe da Vivian tocando violão, dizendo que gostava tanto de mim... Aquela casa da rua 9...

Me tragam a Casa da Cultura. Corram, me tragam a Casa da Cultura. A Casa da Cultura. E a Casa do Escritor. E a Paineira. E as ruazinhas estreitas... Aquela falta de grana terrível, adolescência, cachorro quente. Ciranda na rua. Caminhada. Teatro. Alto, falar bem alto. O eco, o eco, o eco. A voz do grupo passando pela rua.

Me tragam meus 12 anos. Um pouquinho de delicadeza. Um tiquinho de delicadeza.

(Hoje eu só queria uma gotinha de delicadeza)

4 commenti:

Anonimo ha detto...

Te amo flor.... Também estou precisando desta gotinha. Queria te dar, mas não sei onde encontro também.. beijos, Queiroz

Anonimo ha detto...

Nossa Cá que saudades... Tivemos uma infância e pré-adolecencia bem vivida...
E nossa amizade vai durar até a velhice, onde vamos fazer tricô juntas...rs...
Te amo muito minha amiga... E estou sempre aqui, um poquinho mais gorda...bjs***Vivian

Gil ha detto...

Ah, meu amor. Eu sei que não somos os mesmos, a gente vai mudando e se moldando, vai se entregando a rotinas boas e ruins. Mas to fazendo um esforço tremendo de ser sempre eu mesmo para os meus melhores amigos. E você merece não uma gota, mas um oceano de mim. E sempre que eu puder vou trazer um pouco e um muito de mim e de nós juntos, misturados. E como é bom ser nostálgico às vezes, não? Também ando assim, também sou um tantão assim melancólico com momentos bons que se foram... Fazer o quê? Se foram...

Igor Gomes ha detto...

Ah, como amei esse texto... Tão bom, com uma gotinha de delicadeza...