venerdì, luglio 08, 2011

Encontros


Quando vem a solidão, depois de tantos compromissos, exigências e novidades, é que a gente consegue refletir. 2011 está virando história, marco na minha vida, ano muito, muito importante mesmo. Ano em que descobri, reconheci o meu lugar. Ano em que estou marcando meu território. Que orei, gritei, me ajoelhei, pedi tanto por um lugar no mundo onde eu pudesse fazer o que amo. E finalmente consegui. E parece um sonho. E deve ter seus dias difíceis. Sempre existem dias difíceis. E vai ser cansativo. Mas estou com gosto de amor, com gosto de encontro, com gosto de quem encontrou seu lugar no mundo. Há uns meses escrevi aqui um texto chamado Convite. Para convidar todos os meus que viessem, que entrassem, que se achegassem. Não, ainda não aprendi a diminuir o ritmo, a pensar no corpo, a dar tempo ao tempo. Mas irei aprender. Irei ter um lugar no mundo. E no ano que vem, finalmente, irei trabalhar menos e me dedicar mais a um sonho grande que eu comecei a sonhar desde que me conheço por gente.

2011 trouxe o Giba para a minha vida. Espero que seja para nunca mais sair. 2011 trouxe a Fran e sua paixão por tudo que eu amo e sua competência. A Fran já vinha de 2010, mas neste ano eu pude perceber mais ainda que bela joia que ela é.

2011 me trouxe um curso que mudou minha vida profundamente. Me trouxe amigos novos. Seu João. A Lu, o Thiery.

2011 me trouxe o lua e o sol, os contos indígenas.

Me trouxe o desejo imenso de escrever. Me trouxe história. Me trouxe tanta, tanta vida.

Foi um verdadeiro encontro comigo. Está sendo um verdadeiro encontro comigo. O fim de um ciclo, o início de outro. É só ler um dos primeiros textos deste blog,(http://brincardeliberdade.blogspot.com/2007_02_01_archive.html), lá havia um encontro triste entre a menina que eu fui e a pessoa que estava sendo. Hoje não.

2011 me trouxe a psicanálise, o desejo de entender a minha cabeça de doida.

2011 vem me fazendo entender que a minha maneira passional de enxergar as coisas, a minha loucura, a minha intensidade tem muito de beleza, tem muito de cor, de vida.

2011 me fez entender que eu não apenas tenho coisas para aprender, mas tenho uma mala imensa para dividir, tenho coisas a ensinar. Que não posso ficar quieta, não dividir o que vai aqui dentro, esse mar de histórias e lembranças, dores, amores, verdades e mentiras, fins e recomeços.

2011 me fez entender que a vida vale a pena quando a alma não é pequena.

2011 me fez ver que eu sou sim paulistana. Também paulistana. Afinal o lar está em muitos lugares, como diz o Ondjaki. Me fez ver o quanto amo São Paulo, o quanto sou São Paulo, o quanto São Paulo me fez crescer, ser, o quanto São Paulo me fez descobrir quem sou, o que sou, para que sou.

Sim, há muito de Piedade em mim. Como há muito de minha mãe. De meu pai. De minhas irmãs. De meus avós, de meus amigos e professores. De meus alunos. Mas eu sou eu, uma mistura de todos os lugares, de todas as pessoas, de todos os sentimentos, de toda a intensidade com que sempre provei a vida. Pareço ora a minha mãe, ora meu pai para os olhos de alguns. Mas... prazer. Eu sou eu. Camila Tardelli. Metade paulistana, metade piedadense. Metade sonho, metade realidade. Metade preguiçosa, metade trabalhadeira. Metade água, metade terra. Metade sim, metade não.

2011 me fez parar de chorar pelas coisas que vão indo. Pelas perdas. Pelos amigos que se foram aos pouquinhos, pelos amores que não deram certo.

2011 me fez ver o quanto deles há em mim. Que não há necessidade de eternidade. Que as coisas passam e ficam, que há boas coisas para se lembrar. Que valeu a pena. Apesar do coração consumido, das marquinahs no peito. Que sempre vale a pena.

2011 tem me feito grande, bem grande, flutuante. Tem me feito perder o medo. Medo de palavras, medo de lugares, medo de pessoas, medo de mim.

2011 tem me feito ser menos exigente comigo mesma. Tem me feito menos irritadiça por chorar quando me magoam, por gritar quando me irritam, por falar quando não concordo, por fazer cara feia quando não gosto. Tem me feito ver o quanto fui - diversas e diversas e diversas vezes - minha inimiga mais cruel, o quanto me maltratei e me maltrato, o quanto compro a opinião dos outros, o quanto dou valor ao que os outros pensam sobre mim, o quanto sofro negando e assumindo papéis dos quais não gosto, nos quais não caibo.

Ao mesmo tempo 2011 tem me feito menos chorona, menos medrosa, com menos vontade de pedir desculpas eternas pelos meus erros.

2011 tem sido um ano e tanto. Com tantas chegadas e partidas. Com o coração ardendo, mas vivo.

2011 me faz sentir a vida, me faz desejar a vida, me faz querer ser, acontecer, estar, crescer, aprender.

A jornada não é fácil, não é à toa que os velhinhos ficam tão cansados. A jornada é esgotante. Viver é deveras complicado. Mas a vida tem um gosto tão bom!

2011 parece estar sendo um tempo de despedida, de separação. Mas tem me feito chorar menos, muito menos. 2011 me fez ver que o que ficam são as histórais, que todo o resto passa. Nós passamos. E que por isso mesmo as histórias têm que ser tratadas com muito amor, respeito, admiração, com grande carinho.

2011 tem me dado tanto. Mas eu queria fazer um pedido. Agora que eu já descobri para onde eu vou, o que estou fazendo e o que devo fazer... Você pode me ajudar a diminuir a corrida, a desacelerar, a respirar fundo, a começar a caminhar mais devagar, 2011?

Corri tanto, tanto, para todos os lados, procurando algo, sem saber o que era, onde estava.. Agora encontrei. Não preciso mais de pressa... Nem de planos mirabolantes, nem de tanta sede. É necessário calma, serenidade. A serenidade que tanto pedi na virada do ano.

Obrigada, 2011. Obrigada. Hoje tenho certeza que se a menininha que fui aos 8, 9 anos, com seu caderninho de poesias, com seu pequeno violão, com sua mania de cantar, de escrever, de olhar para o céu, de gostar do barulho de chuva, de ser sonhadora, sonhadora, sonhadora... Que se essa menininha me encontrasse, ela sorriria. E viria correndo me dar um abraço. E estaria orgulhosa de mim.

Hoje eu estou orgulhosa de mim.

Com o coração ardendo, com medo de solidão. Mas com gosto de encontro na boca. De um profundo encontro com a minha verdade, com a minha história, comigo mesma.

2 commenti:

Igor Pushinov ha detto...

Sabe o que é mais bonito de ver? Como a gente muda com o tempo mas continua tão igual. Eu tava pensando nisso dia desses: que eu mudei, cresci (tá certo, sempre fui alto!), amadureci mas continuo o mesminho de sempre. Os mesmos medos, os mesmos sonhos.

Eu acho que a vida é isso mesmo. Um monte de aprendizados, um bem atrás do outro, pra gente poder perceber quem a gente é de verdade.

Tenho uma saudade imensa dessa tua poesia e desse teu jeito tão lindo de ver a vida.

Tem uma sopa, um café e um livro lindo de poesias que eu descobri e quero te mostrar. Tudo isso aqui comigo. Vamos?

Igor Gomes ha detto...

Adorei o texto, e adorei também poder ler um pouquinho desse cantinho aqui (: