sabato, dicembre 22, 2007

"As pessoas que eu amo, eu amo bastante"



Camila


Camila tem os pés na água

e uma paixão que não funciona.

Camila tem a alma

de quem já sonha.

Camila ri (isto que importa),

o resto se resolve na

curva do espaço-tempo.


Juliano Soares

(Piedade, junho de 2000)


Um dia este meu amigo escreveu este poema. Era junho, era frio, estávamos em um barzinho, cantando.


O espaço-tempo fez inúmeras curvas desde então.


Hoje, cá estou eu, sentada no meio da curva, temendo o futuro, o desenrolar-se da história. Da história da minha vida.


Por isso releio o poema, o poema que lembra das coisas que passaram. E que ficaram. Hoje é sábado de manhã, logo, logo é natal. Logo, logo o ano termina. Um ano cheio de histórias, de mudanças, de aprendizados. Um ano que fica na história. Que vai virando passado. Releio o poema e me encho de coragem. É preciso fazer novas escolhas. É preciso sair do meio da curva, não adianta querer segurar o tempo entre os dedos. É preciso deixá-lo escorrer, deixá-lo ir. Que o novo ano traga coisas novas. E que elas sejam mais bonitas. Que o novo ano traga mais amor. Que o ano novo seja bom para todos nós. No entanto, é preciso lembrar que o ano novo ainda é futuro. Que esse ano ainda está aqui. Esse finzinho de dezembro. É preciso não temer o "rumo dos acontecimentos". Acreditar no que vem vindo. E lembrar do que meu tio me disse um dia:


Cada amor é um amor. Não há fórmulas, nem ninguém que possa vivê-lo por você. Não há nenhum conselho, nenhum amigo, nenhuma pessoa que possa compreendê-lo mais do que você. Viva o seu amor e as suas escolhas da maneira que achar correta. Não há uma maneira mais correta do que a outra, nem um amor igual ao outro. Cada amor é um amor. E a escolha é sempre nossa. Os outros, os que nos amam, falam para nos confortar, mas nada sabem. Não há modelos, e os que existem quem disse que são certos? Quem sabe o que é certo?


Dá para entender como amo meus tios? Esse é um tio mais distante, uns dizem que agressivo, muitos dizem que errado. Mas ele vive as escolhas dele. E ele é apenas ele. E eu sou apenas eu. E você é apenas você. Um bom natal para todos! Um fim de ano cheio de planos, mas cheio de consciência do presente. Do dia de hoje.



Destino


Como uma folha

ao vento confiar no rumo

dos acontecimentos.

Soltar o corpo

e a alma

e deixar que dancem

com o coração do mundo.

Abrir as portas

e as janelas

para que as estradas

entrem pela casa

adentro,

com todas as luas

e luzes e sombras

e infinitas surpresas.

Como um veleiro

na hora da partida

não sabe ainda

as palavras do mar,

assim todos os dias

no umbral da vida.


Roseana Murray
Obs: Não descobri ainda como exclui blog. Por enquanto vou resolvendo ficar. Mas eu tenho um caderno. Um caderno lindo onde me escrevo.

3 commenti:

Juliano Soares ha detto...

O tempo hoje, eletrônico e plástico, supreende-se com a persistência de velhos papéis de bar, ecoando cantigas e versos, ecos de tudo que éramos, antes mesmo de qualquer tempo.
Já não tenho mais meus pés em qualquer tipo de àgua, e já faz um tempo. Hoje meus pés caminham estradas longas, e trazem muita gente comigo.
Mas reler você, e me reler no meio do que você diz, refresca um pouco os pés.

Beijos neste mundo, um ótimo natal, com todas as coisas boas que você puder ter e imaginar.

Teu velho amigo,
Juliano

Unknown ha detto...

Camila,

Eu e a Mércia fundamos o fã-clube: "nós amamos a Camila"!!! Você é muito querida por nós, viu?
Gostamos do que vc escreve e somos irmãs da Mel.
Ah, e nós amamos muito a Mel, tb.

(rsrsrsr... é que ela fica toda ciumentinha quando falamos isso)

Beijo, minha linda!

Gil ha detto...

Ca, amor. Tive que fazer tudo rápido aqui na net... Nem vai dar pra falar tudo o que gostaria sobre seu post. Deixo apenas registrado aqui meu desejo enorme de um ano maravilhoso a vc, meu anjo. Beijo!!