giovedì, dicembre 06, 2007

A poesia, a poesia...



Saudade de ler Herberto Helder.


"Todas pálidas, as redes metidas na voz.


Cantando os pescadores remavam

no ocidente - e as grandes redes

leves caíam pelos peixes abaixo.

Cresciam as barcas por ali fora, a proa

aberta como uma janela ao sal.

Metida na voz, toda pálida,

a proa rimava no ocidente

com a cal que os pescadores

remavam, cantando grande, pela luz fora.

Ao sol, ao sal.


E o espírito de Deus como num livro

movia-se sobre as águas.

Com seu motor veloz à popa, veloz, peixe

sumptuoso, o espírito de Deus, motor de um número de cavalos, galgava

a antiga face pálida das águas. Enquanto,

cantando as redes,

os pescadores metiam as mãos cheias

de cal pelos grandes peixes abaixo.

E pelas barcas fora a luz remava

pelo ocidente todo pálido, rimando

as redes leves com a proa.


E o peixe espírito de Deus, rangendo

o motor, rompia com um número,

remando todo pálido os seus grandes

cavalos. Deus

cantava no ocidente sobre as redes de cal,

a proa aberta - como as guelras

da luz. E os pescadores

metiam as redes pelo espírito de Deus abaixo,

E os remos rimavam com as redes

leves no peixe sumptuoso.

Por ali fora as guelras caíam na voz

dos grandes pescadores.


E Deus metido então nas redes, puxando

cor de cal para dentro

das barcas, as mãos cantando cheias

de pescadores.

E sobre as águas rangentes, rompendo

o leve ocidente, os pescadores remavam

o espírito de Deus para terra - peixe

de motor à popa - e a proa

grande aberta.


E cantavam o seu peixe sumptuoso, espírito

pálido na leve cal do ocidente

cantando"

Herberto Helder

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