venerdì, ottobre 22, 2010

O inferno são os outros


Um texto sobre a in(tolerância)

Este não bem o sentimento do dia, o texto vem atrasado... Hoje talvez fosse melhor falar sobre.. dentistas, sobre o quanto a minha dentista mereceu o dinheirão que deixei lá, por toda paciência e delicadeza que teve comigo. Às vezes penso: ainda bem que existe gente que gosta dessas profissões, porque se elas dependessem de gente como eu, não teríamos mais médicos, dentistas, fisioterapeutas etc. Mas este não é o assunto do texto. Então vamos lá.

Há dias venho pensando sobre essa questão. Hoje assisti a um filme, que poderia ser chamado de bobo, talvez, mas que é um daqueles classicões, que precisam ser vistos uma vez na vida - ou não. E o filme bateu em cheio, falou do mesmo tema e me deixou em lágrimas, com os olhos inchados, tentando entender o que não é para se entender. Para os que não sabem, atualmente sou uma estudante - de novo, de novo..rs - de Pedagogia. E venho lendo algumas coisitas, menos do que gostaria, mas, digamos, que um bom bocado de textos, alguns trazendo coisas que eu já vi, já li, já discuti... Outros trazendo coisas novas. Outros trazendo luz, iluminando algumas coisas que eu não tinha estudado direito... E quanto mais leio, quanto mais entendo, mais acho que está tudo errado, mais as coisas não se encaixam, mais vejo que pessoas diferentes têm razão. Claro, há aqueles que considero loucos, doentes, convervadores, criminosos... Mas há muita gente dizendo coisas contraditórias... que fazem todo sentido!

Por que falar da faculdade agora? Era isso que eu queria discutir? Não, o que eu queria discutir são as relações humanas, as relações que a gente estabelece com os outros. Gostou ou quer mais? Agora vou dizer que quero entender todo o funcionamento do universo!!! rs. Mas é sério. Não sei se pela primeira vez, mas acredito que mais profundamente, entendi que às vezes todo mundo - e ninguém - tem razão. Que nossa vida não é feita apenas de nossas relações, mas também de nossa subjetividade. Deu para entender? Não, né? O que eu quero dizer é que a vida é muito complexa para ser encarada de maneira simplista. Mas isso não quer dizer - longe de mim - que eu também não ache que muitas - mas muitas, muitas vezes mesmo - nós é que complicamos a vida, nós é que tornamos mais difícil o que por natureza não é tão fácil assim.

Como tudo, as coisas não tem apenas uma lógica, um entendimento. Há diversas vozes, algumas abafadas, e a comunicação - feliz ou infelizmente - não é 100% eficaz. Até porque a gente não é 100% a gente, isto é, um ser humano não tem nenhuma segurança de quem ele é e por isso vai se forjando ao longo da vida, assumindo identidades... Assumir uma identidade traz muita segurança, um lugar no mundo, uma sensação de acolhimento, de pertencer a alguma coisa, de fazer parte de um grupo.

Mas entender, entender de verdade, ninguém se entende. E está aí a Psicologia- e suas diversas teorias - para provar isso. Então eu acho que quando dois amigos se desentendem, dois irmãos brigam, duas pessoas discutem na rua, um casal começa a discutir... muitas vezes todo mundo tem razão. Razões diferentes, mas razões. Cada um tem um lado e muitas vezes - talvez na maioria delas - não é possível encontrar uma solução, resolver o problema, chegar a um acordo, compreender o outro. Como compreender o outro se ele não compreende o "eu"? Há diversos fatores envolvidos, de diversas ordens. Cada um dos indivíduos envolvidos em qualquer relação, em seu canto, em seu mundo, com seu modo de viver, de experienciar a vida, tem suas próprias razões, sua própria lógica, seu próprio sentido.

Por isso que é tão difícil viver. Se relacionar. Conviver com os outros.

Ando intolerante. Com um esforço enorme - pelo menos no meu entendimento - para compreender o outro. Até compreendo, vejo que faz sentido... Mas não concordo, me sinto agredida na minha individualidade, naquilo que sinto, não consigo deixar de dizer que pra mim as mesmas experiências foram vividas de outras formas, que tenho outra maneira de enxergar o vivido e aquilo que estamos vivendo.

Ando intolerante. Com todos. Pesada - este é o adjetivo que me foi atribuído há um tempinho atrás. Pesada. Isso mesmo. O ano foi - e está sendo - complicado, com uma série de questões novas para mim. Sei que não só para mim.

Ando intolerante. Irritada com um dos meus trabalhos, não fazendo esforço algum de esboçar um sorriso falso. Essa talvez seja uma das vantagens de um emprego público - e talvez uma das únicas - não ter que manter uma relação positiva com quem não merece. Por outro lado, no outro emprego, ando feliz da vida, me sinto no lugar certo, na hora exata, conseguindo seguir meus projetos... Sendo feliz ao ensinar literatura. Vendo o quanto a literatura pode transformar.. Ser professora tem uma coisa mágica, esse contato com gente, que é tão difícil às vezes, mas que faz nosso trabalho ser tão diferente, ser tão único em cada turma, em cada ano, com cada ser humano... Meus alunos fazem parte dos encontros que tive na vida, encontros bons e maus, mas que me fizeram crescer. Sinto falta de muitos deles... E foram tantos, tantos... Lembro de muitos, sinto saudade. Às vezes encontro com um ou outro por aí, apesar do tamanhão da cidade. Mas eles cresceram, mudaram, são outros. Em mim eles ficaram eternizados, naquela idade, daquele jeitinho... Ser professora me fez ser certamente uma pessoa melhor. A cada ano sinto que entendo melhor como me relacionar, como "chegar" até um aluno. E, talvez, como chegar, como lidar melhor com o outro.

Mas como eu disse, eu ando intolerante. Não com os alunos, com quem fui aumentando a tolerância, mesmo nas turmas mais difíceis. Ando encontrando estratégias, convivendo bem com todos. Mas ando intolerante com a cidade. Com essa cidade horrorosa onde eu inventei de morar. Com as pessoas da minha vida, todas. E comigo. Ando sendo tão intolerante comigo mesma, eu que tinha aprendido a me perdoar tão bem, a entender meus limites... Ando irritada com meus limites, irritada com minhas irritações, irritada por não ser uma pessoa melhor. Menos medrosa, menos dramática, menos reclamona, chorona, menos vítima da situação.

A intolerância consigo mesma é a coisa mais difícil que uma pessoa pode ter... É a relação mais complicada. Afinal convivemos conosco o dia todo, o tempo inteiro, sem intervalo. Só na hora de dormir e nem nessa hora, afinal logo vêm os sonhos e estamos lá de novo. É duro lembrar de coisas que dissemos, fizemos e pensar: Mais que cretina!!! Por que fiz isso? Por que disse isso? Por que não fui mais atenta? Por que não fui mais delicada?

Ando somando intolerâncias. Puta da vida com qualquer coisa. Em época de eleição ando muito, muito intolerante com tucanos. Tenho aversão de gente que vota no PSDB. Prometo que depois passa, tomara que depois passe... Mas nesse momento, não me venham com discursos tucanos, pelo amor de Deus... Se você é professor e vota no PSDB, pelo amor de Deus, não me fale. O que me deixa mais triste - e irritada - ainda é ver pessoas que votam no PSDB não porque acham que será um partido melhor para o país - tem gente que vota assim... juro que é verdade - mas porque acham que "o Lula deu dinheiro para pobre e deixou todo mundo acomodado, como é que o país cresce com esse monte de gente, com esse monte de vagabundo?" Não falem mais isso perto de mim, ok? Nem por brincadeira.

Aliás andei intolerante comigo mesma também. Quem me conhece sabe que não fui uma grande defensora do governo Lula. Tenho críticas, muitas delas. Não vi nenhuma mudança real na educação. O PT não mexeu de verdade na educação, não fez uma reforma - como eu esperava ansiosamente. Ficou apenas enfeitando daqui e dali. Colocou dinheiro em universidade privada. Sei, existem argumentos para isso, conheço esses argumentos. Mas, porém, contudo, todavia... Tenha dó. Não é assim que se muda de verdade a educação de um país. Esse discurso de que agora todos podem consumir e que muita gente "subiu até a classe média" me deixa de cabelo em pé. E... Pensa que eu tive opção para votar? Nada! Infelizmente o melhor governo que tivemos foi o governo Lula. Infelizmente porque os outros foram muito, muito piores. Só de pensar no PSDB na presidência uma outra vez... votei na Dilma já no primeiro turno. Não que eu ache que ela não seja uma candidata boa. Não que eu não goste do Lula. Sou daquelas que gostam, que acreditam nele. De verdade. Mas sei que no Brasil, um país conversador, conservador, conservador, não havia como termos uma ruptura, não aquela com a qual sonhávamos.

2002. Alguém lembra da sensação boa, da grande emoção que foi a eleição do Lula.? Eu lembro. No dia seguinte tive uma das melhores aulas da minha vida. Tema: utopia, momentos de utopia, como são importantes e necessários.

Fugi do foco. Mas ainda bem que isso aqui não é texto acadêmico, não é nada disso. Ainda bem. Me permito errar aqui, não corrigir, deixar como está. Às vezes corrijo, mas só se releio e acho o erro muito feio. E quando não estou com preguiça, senão segue o erro feio mesmo. rs

A verdade é que não sei de nada. De mais nada. Meu dente dói aqui. Muito tempo no computador. Estou zonzinha, zonzinha. Mas há semanas queria dizer, queria falar sobre a intolerância. Sobre o quanto é difícil lidar com o outro. E com a gente mesmo.

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