sabato, ottobre 02, 2010

Wendy




Às vezes (muitas vezes) eu fico com vontade de sair pintando tudo, passando por cima do colorido que fiz da minha vida até aqui.

Às vezes (algumas vezes, mas bem forte) me sinto bem sortuda pelos encontros que tive nessa vida, pelas descobertas, pelo prazer de fazer aquilo que gosto de fazer. Por conhecer o amor. Pelo espaço onde vivo, a cidade onde vivo, as experiências que tive.

Às vezes (muitas, muitas vezes nos últimos tempos) ando com vontade de jogar tudo pelos ares. Entrar num ônibus qualquer, sem direção.. Levar um dinheirinho no bolso e recomeçar - em outro lugar bem longe de tudo - o meu caminho.

Às vezes (algumas) tenho vontade de solidão e chocolate. De filme e livro. De noite longa e solitária, acompanhada somente por mim mesma, por algum livro, por algum sonho, por alguma expectativa. Noites sozinhas no Vergueiro.

Às vezes não. Às vezes tenho medo de solidão, da sensação angustiante que é se descobrir sozinha, sábado à noite na cidade de São Paulo. Da solidão imensa que é não ter um grande amor para dividir o mundo.

Às vezes (às vezes) me sinto a vítima do mundo, acho que devo ter feito algo muito, muito errado para ter tantas pedrinhas e pedronas pelo caminho.

Às vezes conheço gente que tem pedras muito maiores e me sinto uma besta.

Às vezes me acho uma cretina, sem coração, egoísta e tudo o que há de ruim.

Às vezes (quando o coração aperta, há muitos anos) tenho vontade de dormir, dormir, dormir pra ver se passa. E às vezes passa.

Às vezes acho que eu deveria trabalhar metade e ganhar metade e viver bem feliz com a metade.

Às vezes faço as contas e vejo que é difícil. Lembro que é difícil.

Às vezes (todas elas) quero abraçar o mundo, fazer mil coisas ao mesmo tempo e ser competente em muitas delas. E por isso às vezes eu quebro, rasgo, caio, fico zonza, sem chão, gripada, com mil manifestações do meu corpo dizendo: Pare, pare, pare! Desde criança.

Às vezes (quase todas) eu acho que meu corpo é muito preguiçoso, pisciano, neurótico.

Às vezes faço as contas e vejo que exagerei nas horas de trabalho e estudo.

Às vezes me acho o ser mais burro de toda a humanidade. Nem adianta tentar me ensinar. Não consigo.

Às vezes me sinto a inteligentona, sabichona. Mas nessas vezes logo me sinto chata e passa. Eu acho.

Às vezes o espelho me mostra uma coisa boa e nos olhos das pessoas eu me vejo bem, bem do jeito que gosto de ser.

Às vezes o espelho é um inimigo cruel e me mostra o tempo passando... E reforçando o que não ia bem e estragando o que era muito bom...

Às vezes eu choro (todas, todas), às vezes dou risada (antigamente era muito mais), às vezes detesto São Paulo com todas as minhas forças, vou para Piedade e peço pelo amor de Deus para mim para ficar lá.

Às vezes eu gostaria de ter seguido outro caminho (mas ele já foi), gostaria de ser diferente (mas faço tudo sempre igual), gostaria de ser menos confusa (eu tento, tento), de ser mais corajosa (não sou nem um tiquinho).

Mas às vezes me sinto corajosa e enxergo em minha vida inúmeros episódios de grande coragem. Mas, ao mesmo tempo, consigo listar outros inúmeros episódios de imensa covardia.

Às vezes eu acho que sou facilmente controlável (e fico completamente irritada), às vezes eu acho que falo demais (e me ponho de castigo), às vezes eu sinto falta de um castigo (mas me lembro que eu deslizava, fugia e, cuidadosamente, nunca obedecia quando me proibiam de algo).

Às vezes eu tenho certezas. Às vezes eu tenho dúvidas. Às vezes eu quero, às vezes não. Às vezes eu me perco (e fico meses, anos me procurando). Às vezes me encontro e me assusto com o que vejo.

Às vezes me encontro e me sinto aquecida. Às vezes eu tenho certeza que estou andando no caminho certo. Às vezes não.

Às vezes me lembro de tanta gente que ficou pelo caminho e que não coube nos bolsos.. Às vezes percebo que deixei de me carregar e tenho que voltar para me procurar. Quando me encontro, estou sentada num samba, vermelha de tanto sambar, com a cabeça nas nuvens, com o coração longe. Sentada.. num samba.

Às vezes eu acho o mundo uma grande merda. Muitas, muitas vezes. Cada vez mais. Às vezes sinto saudade da minha velha maneira de enxergar - e de viver - o mundo.

Era tão simples. Onde foi que complicou? Onde foi que eu compliquei?

Às vezes eu acho que gente grande é um porre e quero voltar a ser gente pequena. Às vezes eu acho que é por isso que sou professora. Por isso gosto de gente pequena. Da sua maneira de ver o mundo - tão verdadeira, tão intensa.

Às vezes eu acho que escolhi a profissão certa, o namorado certo, a família certa, os amigos certos. Mas o mundo errado.

Às vezes eu acho que cresci. E me dá uma síndrome tardia de Peter Pan.

2 commenti:

Anonimo ha detto...

Texto foda.
Beijo.

Igor Pushinov ha detto...

Eu passo "às vezes" por esse blog... Porque "às vezes" não dá tempo. É correria, trabalho, casa, namoro é tudo...

Mas eu SEMPRE me emociono com a batida do teu coração pisciano! É que rola uma identificação! rs Vc sabe, né?

Te amo no mundo!

beijo.