Teclado desconfigurado, parte 2Aqui estamos nos. Digo eu. As coisas pra fazer, para entregar daqui a pouco. Mas escrevendo, fugindo das coisas do mundo.
Hoje eu caminhei por lugares tao bonitos, visitei uma papelaria cheia de adesivos e papeis coloridos, fui a um sebo, comprei fruta na feira - uma feira tao bonita, que eu gosto tanto e que nao visitava ha uns dois anos. Na feira vi frutas e verduras, tudo muito colorido... E flores. Por fim hoje fui a um sebo, comprei livros infantis, uma porcao deles.
(Tudo isso porque uma aluna nao pode fazer aula e quando eu soube ainda nao estava indo encontra-la.)
Hoje Sao Paulo se fez tao presente. Mas agora estou aqui, tantas coisas atrasadas para fazer. Tenho exatamente duas horas para terminar.
Como disse uma menina que encontrei por acaso> (nao tem dois pontos nesse computador... ahhhhhh)> as vezes e bom chutar o balde... O problema e que chutei o balde demais... Ontem e hoje.
Acabo de chorar todas as lagrimas dessa dorzinha, que em um momento e inha, depois e ona, e chega uma hora - como agora pouco - que doi tanto que e preciso chorar alto. O coracao se alivia. Se nao tem alguem por perto, imagino alguem querido, um abraco...
Gosto de Sao Paulo. Em Sao Paulo a gente pode chorar a vontade. No onibus, no metro, na rua, no cinema. A gente chora. Nao ha ninguem conhecido. Essa liberdade de poder chorar quietinha, sem ninguem para interferir, para comentar, sem ninguem saber... Essa liberdade me faz muito bem. Sabado a noite eu nao estava em Sao Paulo e queria chorar, queria andar e chorar e ler um livro quietinha. Mas nao. Nao pude chorar, as ruas nao eram as ruas de Sao Paulo, as ruas eram cheias de pessoas conhecidas - o que e muito bom em alguns momentos, mas nao na hora de chorar. Porque quando a gente chora e hora de estar com gente querida ou de estar sozinho. As vezes a melhor opcao e estar sozinho, e o melhor que estar sozinho e estar sozinho com um monte de gente ao redor.
Sao Paulo me comove. Me cobre de carinho, assim na quarta-feira de amigos. De pessoas novas. A menina de cabelo vermelho estuda italiano. E como e linda. De uma delicadeza tao impressionante. O teatro me comove. A musica. Me comove o mar. A nudez. A danca, as rosas, as criancas. Me comove estar sozinha.
Agora preciso sair, nem ha tempo de revisao, nem de dizer aquilo que doi. E uma especie de desamparo, uma especie de desamor. Mas e tudo tao avesso. O desamor tambem e bonito. E a solidao. E bonito estar doendo. Ainda mais agora - nesse momentinho - em que a dor foi um pouco embora...
Uma menina sozinha, em Sao Paulo, chora. Chora um tempo tao proximo, chora a fome e a falta de tempo. Chora estar sozinha e ao mesmo tempo prefere assim. Mesmo que seja so ate daqui a quinze minutinhos quando a dor voltar correndo, ardendo...
Eu vou chorando os meus sonhos pelo caminho. Quem sabe um guarda-chuva. Quem sabe um beijo. Quem sabe um livro. Quem sabe o tempo.
"São Paulo! Comoção de minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original!...
Arlequinal!...Traje de losangos...Cinza e ouro...
Luz e bruma... Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de Paris... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...
São Paulo! Comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América"
(Paulicéia Desvairada - Mário de Andrade)
3 commenti:
As vezes que chorei em São Paulo, depois dei risada. Tão engraçado alguém chorando na rua (se for eu mesma, lógico. Ver o outro chorando é tão angustiante... impotência). Andando e chorando. Com o rosto molhado. Os olhos inchados.
Ai, que saco, chorar e ninguém ver!
A cidade me seca as lágrimas sozinha.
A última vez que chorei, eu fui chorar com alguém que eu amo. E foi tão surpreendente alguém me ver chorar e ter de dar conta de me ver chorando.
Estou meio farta de chorar. Anos e anos de choro que não foram e que querem ser de uma vez só. Pronto, acabou.
Será que ninguém vai me ver gargalhar no ônibus, na rua, andando por aí, no metrô, no cinema (sem que ninguém mais esteja rindo)?
Quero existir sem dor. Sem chorar.
Ai, eu não gosto mais de São Paulo! Quero ver coco no coqueiro todo dia. Quero viver uma vida reggae.
Querida Cá,
Eu também ja chorei em São Paulo, mas também dei gargalhadas na Paulista e no ônibus em plena Rebouças.
Acho São Paulo uma "mistureba" de sentimentos inconstantes, ela pulsa e não espera nosso sentimento se adequar ao seu estado cinzento ou quase azul, mas ela corre, acho que temos que correr também, mas correr brincando de mãos dadas com crianças e sorrindo.
Espero ler num próximo post seus sorrisos, espero vê-la assim, tão linda e sorridente, dando gargalhadas pelos sebos, pelas sorvterias, pelos ônibus malucos...
Te Amo Menininha!
Lupe
Meninas lindas... Sim, dar gargalhadas - principalmente no meio da rua, daquelas que ninguém entende - é muito bom também e dou sempre as minhas! Sorrio, canto, dou gragalhadas às vezes... Mas isso posso fazer em qualquer lugar... Mesmo naqueles cheinhos de pessoas conhecidas. Ok, todo mundo deve me achar louquinha, mas nem ligo. Agora pra chorar - eu gosto de chorar o mundo às vezes - prefiro a multidão de São Paulo, a multidão deserta...
Também sonho em morar em um lugar mais bonito... Talvez com caminhadas na praia todos os dias de manhã... Mas hoje eu vivo, mais do que vivi nos seis anos de graduação, a cidade no que ela tem de mais profundo... Em São Paulo eu conheci a maior parte dos meus maiores amigos... Em São Paulo eu vivo, com meus vinte e tantos anos... Sei que no trânsito, no banco, nas suas ruas sujas, aparentemente desumanas, existem pessoas - as mais diversas - que vivem paixões e desilusões e ternuras e chateações de cada dia... Não, a cidade não é a ideal pra se viver. Não é onde sonho viver. Mas é São Paulo. Gosto de estar no ônibus a observar as pessoas do mundo. Com pressa, com sono, tão longe do ideal de se viver, mas vivendo, fazendo a vida, sentindo...
Ahhhhhh... Tenho essa mania de ver bonito no triste... É terrível estar triste, é terrível morar em São Paulo... Mas no triste também há beleza... Como há beleza em tudo...
Amo vcs!
Beijo grande. Uma mocinha mais alegria do que ontem...
Posta un commento