mercoledì, aprile 18, 2007

E eu que nem gosto de cerveja...



Escrever com pressa nunca e uma boa pedida.










Especialmente quando estamos num computador com o teclado todo desconfigurado, especialmente quando temos cronogramas para preparar, e aulas e aulas e aulas. Mas... a vontade foi grande. Acabo de encontrar um blog (assim muito por acaso, no meio da preparação das aulas) interessante, lindo, cheio de postagens maravilhosas e umas nem tanto. Não conheço a mocinha. Descobri que e professora e tem os gostos incrivelmente parecidos com os meus...

A minha vontade de escrever e diária. Todo dia há algo para ser dito, todo dia penso... se houvesse tempo eu escreveria isso... Mas não há muito tempo. A cidade de São Paulo nos absorve de tal maneira que quando nos damos conta já e tarde, já estamos apaixonados pela correria, pela cidade, pelas suas possibilidades, pela sua ausência de silencio e de pausas. E de tempo. Hoje li em uma revista que ter tempo e artigo de luxo na sociedade atual, mais do que ter dinheiro. E não e que e mesmo?

Uma menina há uns dez minutos estava se derramando em lagrimas no computador... Tive vontade de ajudá-la, de falar alguma coisa, de sorrir, de convidar para comer um chocolate. Daí lembrei que não posso comer chocolate. Daí lembrei também que eu não conheço a menina e que para algumas dores o chocolate não e remédio.

Transito, mau cheiro, poluição de todos os tipos, pressa, gente mal educada, desamor, desanimo, desconhecidos, lotação, barulho, buzinas, sono, multidão, dor de estomago, tonturas, tonteiras, medo, solidão, gente, gente, gente. São Paulo e um acontecimento caótico. As vezes me pego como a menina que estava aqui do lado. Chorando. Chorando no ônibus, chorando na rua, chorando em casa, chorando por dentro. De ódio, de raiva, de solidão, de medo, de saudade, de angustia. A cidade cansa. Mas há sempre um dia colorido – um em muitos. Como hoje. Um dia em que sorrio – e quase choro, como boa chorona que sou – de alegria, de leveza, de ver as coisas tão certas, tão verdadeiras. Acontece que a cidade me faz sonhar. E que minha relação com São Paulo – acho que a de todo mundo que mora por aqui – e permeada de amor e ódio. Como tudo.

Ando um pouco cansada do interior. E olha que sou uma grande amante de cidades sem nada para fazer, com cobertor, filme, namorado, chocolate... Mas estou bem cansada disso tudo. Meses que estou nessa rotina trabalho casa, casa trabalho. E uma casa tão não minha. Tão de outros. Se ao menos fosse aconchegante, se ao menos ali eu pudesse ser quem sou, com as minhas musicas e os meus silêncios, com pouca TV e muitos livros... Mas não. Ando sem casa, sem espaço, sem tempo... Tudo apertadinho. Existem sábados em que não faço nada, me delicio do ócio. Mas não. Há sempre la dentro o atraso, as coisas por fazer... Milhares de coisas.

Estive conversando com o Ma sobre a vida simples e requintamos a minha teoria. A minha vontade de morar para sempre na mesma cidade, de nunca ter saído, nunca ter feito amigos novos, nunca ter lido mais do que devia, nunca ter me preocupado com tudo o que me preocupo. Vontade de viver uma vida mais levinha, de morar naquela casinha que ate pouco estava para alugar... De ter uma casa e uma família e filhos. De caminhar pela cidade com calma e de ter sonhos mais levinhos. Vontade de viver uma vida que nem sei se existe. E como o Ma me disse, mesmo que eu nunca tivesse saído, nada tivesse feito de diferente, eu seria um pouco sempre essa Camila, uma Camila com vontade de sair, de conhecer outras coisas, uma Camila mais infeliz (por não ter feito o que queria) e com muitos sonhos. Mas então... O sonho de vida simples e bestinha mesmo... E sonhar exatamente com aquilo que eu nunca poderia ser e que e tão bonito, tão profundo, tão colorido. Mas que não sabe que e colorido... Sim, muito Fernando Pessoa, muito Tabacaria, muito cichezinha essa minha reflexão. Mas não tenho culpa. Não prometi escrever nada demais, disse ate que tenho pressa. E nem mudei nada do que escrevi, justo eu que gosto de mudar as coisas.

E vou ficando por aqui. Coisas para fazer. Saudades, cartas, amores, amigos, tudo acaba ficando pra daqui a pouquinho. Espero que isso mude logo.

Um cantinho. Hei de encontrar um cantinho pra mim. Pra colorir do meu jeito, para guardar minhas coisas e minhas pessoas...
Meus discos e livros e nada mais....

Nada mais não, pois enquanto houver amor e essa vontade que tenho de abraçar aquela pessoinha especial que mora longe, vontade de beijo, vontade de pedir desculpas de coração, vontade de colinho... Enquanto houver amor – e amor acaba um dia? Ainda não sei responder – haverá sempre no meu cantinho, um cantinho pra ele, para o meu mocinho, mocinho que me confunde e que anda distante, e que mora longe, mas que eu amo tanto... Mocinho que quando toma cerveja e lindo (molha os lábios devagar, com aquele jeito leve de ser, com aquela alegria calminha de fazer as coisas), mocinho que faz amor comigo de madrugada e acorda para fazer lanchinho e que atura tantas coisas desse meu humor que vai e vem e desse meu jeito agarrado de amar. Então, esse mocinho sempre vai ter um cantinho aqui em mim. Mesmo que um dia seja so na memória – a vida e tão cheia de mudanças –, mesmo que so na memória – espero que muito mais do que isso – ele terá para sempre um espacinho no que eu sou, no que fui e no que serei.

Um post escrito em minutos apressados. Teclado totalmente baguncado.

Muito amor, muita pressa, muitos sonhos... Daqui a pouquinho quem sabe... Mais amigos, um cantinho meu. Meu amor.

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