lunedì, maggio 21, 2007

"Invejinha"




Sobre invejas de gente grande.





Hoje eu tenho uma multidão de coisas pra dizer. Esse blog tem me servido muito. Pra desabafar, pra dividir, pra espalhar o que sinto e penso... Pra chegar aos meus amigos, assim de uma vez.


Acabo de ver a minha última postagem. Faz uma semana. Era uma segunda, como essa aqui, e eu declarava a minha desistência. Acontece que o mundo não é como planejamos. Acontece que fui só eu quem desisti. Do outro lado, intrigas. Ai, minha vontade de estar quietinha. Ai, minha vontade de dormir. Do outro lado o duplo sentido, a faca cortando. Meu mundo que anda tão frágil, facinho de ser ferido, de ser cutucado.


Hoje eu não tenho fome. Já passam das três da tarde e nada comi além de um danone e duas bolachinhas água e sal. E olha que acordei cinco e meia. E olha que trabalhei. Meu estômago vai mal, obrigada. Vômitos pelo mundo. Desde ontem. Nada grave. Apenas essa minha mania de comer o que não posso, de dizer o que não devo, de mexer onde não deveria nem chegar perto.



Não há fome nem fraqueza por aqui. Talvez muito sono. Mas mais vontade de dizer. Será que um dia as palavras vão acompanhar o pensamento?


Hoje eu não tenho muitos pedidos. Não ando com vontade de pessoas, nem de doces, nem de nada. Sentei no colégio para preparar as mil coisas atrasadas. Mas nada pude escrever. O mundo ardia. Era meio-dia e não havia fome, mas havia vontade de dizer. Dizer esse medo, dizer esse escuro, dizer esse nada que sinto.


Ontem, viemos eu e a Dani conversando, soluçando. Cheguei em casa e o Mauro jogava xadrez com ele mesmo, por falta de companhia. Lembrei que não jogo xadrez há uns dez anos... Prometi jogar um dia nessa semana... Ontem, ontem. Essa minha mania de ser, essa minha intensidade demasiada, esse meu jeito... Tudo isso me irrita. Nada mais irritante do que se irritar consigo, com as próprias atitudes, com as próprias palavras.


Já disse por aqui que não sou religiosa. Assim, como as pessoas costumam ser ou não ser. Porém fui criada num ambiente cheio de orações, de preces, de palavrinhas doces sobre o amor, sobre a vida. Aprendi uma forma bonita de explicar as coisas. Então eu penso no que ando dizendo, pois cresci ouvindo o evangelho... Cresci aprendendo que as piores atitudes muitas vezes são palavras. Cresci aprendendo que a palavra é forte, que cria e desfaz. Laços, amigos, relacionamentos de todo o tipo...


Cresci aprendendo tudo isso. Mas eu ando pisando na bola. Ando esquecendo o que aprendi. As palavras medidas, pensar antes de falar, de agir... Ando esquecendo que não preciso continuar o que está errado. Que preciso quebrar essa corrente de coisas feias. Assim aprendi com a minha avó, com meu avô, com a minha mãe.


(E também com o meu pai através das atitudes).


Aprendi que quando todo mundo erra, todo mundo magoa, maltrata, eu devo evitar tudo isso duas vezes. Devo cuidar das minhas atitudes, da minha maneira de tratar o outro. Mesmo quando há mágoa. É preciso cuidar das palavras, cuidar das atitudes. Os outros plantam o que bem querem e depois deverão colher. A gente deve se preocupar com a nossa colheita, com o que andamos semeando por aí. Não é preciso se preocupar, como crianças bobas, se o outro também vai levar bronca. A bronca virá, dia ou outro, mas uma bronca de dentro, a bronca mais doída do mundo. Aquela que a gente dá em si mesmo. Isso tudo eu aprendi desde pequenininha.


Nesse fim de semana, mortes. Acidentes na cidade, suicídio. A dor dos outros. Tão funda, tão áspera. Ninguém conhecido. Mas é gente. Mas é vida. Mas arde. Nesse fim de semana, no carro, conversamos sobre borboletas negras e coloridas e sobre seus significados. Tradições da família da Dani. Os maus agouros, as más notícias que chegam em forma de negras borboletas. A vida que entra na janela em forma de bem-te-vi. Uma maneira de transformar a dor. O cheiro da pessoa querida que faleceu na segunda-feira passada. Pessoa que eu não conheço, mas por quem rezo. Pessoa que fez a Dani chorar às seis da manhã de terça.


Gosto sempre dessas conversas sinceras que temos aos domingos. Essa conversa sobre o que fizemos, sobre o que somos, sobre o que mudou. Essa conversa sobre a família, sobre o amor. A minha família e a maneira de falar da vida e da morte. A família dela e a maneira que eles encontram de viver essas mesmas dores. Então eu lembro bem forte do que sou, do que penso, do que me foi ensinado e do que andei aprendendo sozinha, nesses caminhos desordenados do mundo. Então concluo que andei errada. Que andei errando, assim como essas pessoas que teimam em me cutucar, em me magoar, bem nos pontinhos que mais doem.


Sexta-feira é sempre um banquinho. Sempre um abraço apertado. Sonhos recheados, carolinas, docinhos, pudins ("O Ieiê gosta de pudim!", diria a Ana Clara). Sempre mala pesada, sempre um beijo demorado. Uns olhos verdes me olhando. Sexta-feira eu sempre lembro o quanto amo, o quanto é forte. E a gente senta lá na frente, a gente conversa ou fica em silêncio, de mãos dadas. A noite é toda esse estar perto. Mesmo que existam tantas coisas a doer, à noite a dor aplaca. À noite abraços quentes.


E é amor. Amor que vem aos bocados, amor que vem invadindo tudo, amor que vem arrastando. Essa minha violência de amar. Esse meu jeito, essas minhas manias. E como é que se aprende a amar? Quem é que ensina a dosar o amor, as lágrimas, o desejo?


Dia ou outro ando até assistindo partida do Corinthians. Dia ou outro – Deus do céu! – ando até torcendo para que o time ganhe. O amor é também engraçado.


De onde vem essa vontade de fugir pra loooooooooonge? E a vontade de voltar correndo e de dizer: "Desculpa, eu estava errada, errada, errada"?
De onde vem esse mar de sentimentos? Sábado à noite, nos braços dele. "Quentinho, muito quentinho, Cá". Palavrinhas, calor, sentimento. Sábado à noite um fazer amor macio. Sábado à noite não querer mais nada do mundo.


Mas o mundo não sou eu. O mundo são todos. Ele, eu, você. E não é todo mundo querido, não é todo mundo bonzinho. Nem eu. Hoje eu queria aprender a dizer as coisas, aprender a sentir diferente. A não ligar para as palavras brutas. Andam falando de mim por aí. Pessoas que não tem mais o que fazer a não ser lamentar, interferir, gostar de causar dor, desentendimento. E eu sei fingir? Sei deixar de dizer? Alguém pode me ensinar a não chorar? A não arder, a não sentir nada? Hoje não sinto nada. Mas é um nada tão triste, sem fome, sem vontade.


“Invejinha” escreveram por aí. Por aí. Até que enfim confessaram. Inveja. Essa é a palavra. Tão ou mais bruta do que ciúme. Eu aqui, a careta. A menina “bonitinha e bem comportadinha” que anda fazendo mal para ou outros. Inveja. Eu já senti as minhas. Mas luto tanto contra esses sentimentos frios, que nada acrescentam. Hoje estou triste com o mundo. Sem vontade de chorar. Sem vontade. Hoje eu queria o mar. Areia, sal, mergulho. Queria aprender a não me magoar. Aprender a não ligar, a perder menos tempo. Querendo ou não devo trabalhar, as coisas me esperam. Querendo ou não temos sempre coisas a fazer.


(...)


Espaço de tempo de quatro horas. Quase desmaio – não dá pra ficar sem comer, mesmo quando o estômago rejeita – mais bolachinhas água e sal. Um sono de uma hora. Uma preguiça esticada. Preparação de aula, power point para os meus alunos. A Camila do lado me ajudando. Tudo o que eu precisava era alguém para me ajudar. E daqui a pouco descanso. Talvez fique por aqui. A Camila pediu minha companhia, disse que tem prova de cálculo amanhã e estudar para a prova de cálculo é bem melhor quando tem amigo do lado. Nunca tive prova de cálculo, mas posso compreender perfeitamente. Se eu descobrir como faço pra sair daqui e ir amanhã diretamente para o trabalho...


Ainda sem fome, com menos sono. Mas toda complicada. Ânsia, enjôo. Menstruação – senhor, o que será dos meus leitores masculinos? Desculpem, queridos... No entanto, há pouca vontade de chorar. Como diz a Sol, a vontade é de ir dizendo, dizendo...


Ainda que ninguém leia. Ainda que acabe. Como diz ele, não é só isso. Não é tão simples, não é equação, não é esquema. O amor é muito maior. E os motivos para estar junto ou separado também.




Hoje deixo uma oração que minha avó sempre faz. Ninguém nesse mundo sabe orar de forma tão bonita quanto a minha avó:


“Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja”


Gostaria de ser tão diferente. Mas já que eu não posso, espero pelo menos aprender a compreender o outro. Mesmo que seja um outro que me agride. Mesmo que as atitudes do outro me façam vomitar. Ou chorar. Devo parar de julgar com a mesma feracidade com que andam me julgando.

Agora eu preciso sair. Duvido que alguém consiga ler esse texto até o final. Tudo muito complicado, um ir e voltar de sentimentos. Essa minha forma de existir. Espero conseguir seguir os conselhos da Dani e aprender a rezar por aqueles que me magoam. Espero poder, ao menos, repensar as minhas atitudes. Sobretudo as minhas palavras. E que o tempo venha. E com ele os acontecimentos, as guerras desse mundo, já que não há como fugir. E que as invejinhas se dissolvam. E que eu saiba lidar com as pessoas, com as intrigas, com as dificuldades. Ando precisando crescer.

7 commenti:

Anonimo ha detto...

Nunca duvide que alguém possa ir até o fim, Cá. Os olhos marejados de ontem me deixaram preocupada, então vim ver o que estava acontecendo. Ok, eu não descobri oq ue estava acontecendo, mas li coisas bonitas.
Beijo. Te amo, tá?
Mel

Rosely Zenker ha detto...

Eu li até o final, sim senhora!!!!
E também adoro a oração de káritas.
Tem outra que admiro muito: a de são francisco de assis.

"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna."

Acho que esta oração, neste momento diz muito do que você diz: acho que amar é assim, viver é assim, todo rodeado de mil coisas do mundo que a gente não entende, como inveja, pessoas que só querem fazer o mal aos outros..., mas ainda assim com o peito cheio de compreensão e esperança!

Tenha uma boa semana, minha amiga!!!
Adoro o seu blog.
E vê se melhora do estômago!! a natureza é muito sábia, quando a gente não está passando bem, a fome diminui mesmo.

Beijão!!!!!!!

Rosely Zenker ha detto...

A propósito, coloquei um link do seu blog no meu!!!!!
:-)
Outro a propósito: a figura que você colocou é de um filme,não é? eu me lembro dele, tão legal!!!!!

Van Pelt ha detto...



viu só? essa coisa de dizer que ninguém vai ler até o final...dá o q falar rs

Linda,

Antes de mais nada, darei um puxão de orelha bem grande, como fica assim sem comer no mundo? ainda mais no mundo São Paulo?
não pode não!
(tente um matte, pão de queijo, uma maça ou como a Ana Clara um Ades) conselho de mãe!

acredito que não tem com que se preocupar se é que entendi o post, acredito de verdade que você pode e deve parar de vomitar tantos estraguinhos...

Pq vc é além de muito amada e querida, é de luz.

A oração da sua avó é mesmo das bonitas, daquelas que fazem os olhos lacrimegarem...

e qto as partidas do corinthians:

Assim que o amor entrou no meio o meio virou amor...

Grande beijo, da cunhada e amiga

Lu

Sol ha detto...

Cá, já sou a quarta que leu até o final... E é engraçado que entendo mesmo sem saber, mesmo que cada coisinha aí seja um acontecimento do mundo-camila, um acontecimento único e vivenciado só por vc... Eu entendo o que vc escreve é pq vc escreve sentimentos, escreve como quem pensa sobre si mesmo e sobre como aprender o mundão de fora, o mundo grande que aparece e se impõe sempre diferene da nossa vontade, sempre difícil... Eu entendo pq vc escreve sentindo, pensando, aprendendo, perguntando, desejando ser melhor, querendo entender a vida, assim aos pouquinhos e aos montes também... O texto é a sua dignidade, a sua aceitação e não-aceitação de vc mesma, a sua necessidade de estar no mundo e se conhecer no mundo... O seu texto , Camila, é redenção...

Camila ha detto...

Para minhas amigas queridas: tô muito contente de ter leitoras! Assim eu me empolgo e desato a escrever feito doidinha... ehehhe

Mel: As lágrimas vieram aos montes. Essa minha mania de querer entender e provar o mundo em demasia... Mas já estou melhorzinha. Nada como um dia após o outro. Também te amo muito. A história da nossa amizade merece um texto. Um texto que fale sobre uma amizade que surgiu justamente de uma inimizade (diferente do que andou acontecendo esses tempos na minha vida... pessoas queridas que passaram a não ser queridas...). Te amo grande e te quero pra sempre pertinho de mim.

Rosely: A oração que você deixou também é linda. Fiquei emocionada. O estômago vai melhor, ainda bem. Ando sentindo o mundo com o estômago nos últimos anos e isso é um problema. Como ficar sem chocolate, me conta? A natureza é sábia mesmo. Mas agora eu tô com fome e com algumas proibições (gordura, chocolate) que eu já andei desrespeitando nesse fim de semana... E as pessoas são uma complicação danada. Nunca é um conto de fadas, malzinhos de um lado, bonzinhos do outro. A gente é mau e bom, a gente ama e sente coisas feias. Que difícil entender os próprios sentimentos e ainda ter que conviver com os alheios... Hoje meu humor está mais leve, mas com mau humor é difícil ser compreensiva... Muitos beijos, querida!!! Tô feliz de ter você nesse meu cantinho!

Lu: Em compensação eu tenho uma cunhada maravilhosa e linda. Em compensação papai do céu me mandou de presente essa pessoa sensível, doce e amiga que você é. De tudo o que andou me magoando, nada como ter você no mundo. Te amo grande, viu? Preciso comer melhor e cuidar mais de mim, né? Ai, ai... Achei mto linda a frase que você mandou... O meio virou amor... Daí o santo google me informou que é uma música dos los hermanos... Qurero ouvir!!! Viu... Mas o corithians jamais será amado. Não pode, não pode... Torço pela vitória algumas vezes (e só algmas vezes mesmo!!!), mas para o meu amor não ficar tristinho. Nada mais triste que o amor triste.... hehehe... Esse mundo...

Sol: Minha flor. Seu comentário comunica mais do que o meu texto. O que seria de mim sem você? Sim... O meu escrever é todo um lidar com sentimentos, com essas bagunças interiores que eu tenho, que todos temos. Sim, é um eterno lutar e aceitar, um eterno tentar compreender. E às vezes mandar tudo para a p.... hehehe... Nada como ter você nesse meu mundo.

Beijos para as quatro mocinhas lindas!!!

Camila ha detto...

Ahhh... Esqueci de dizer... A imagem é de um filme mesmo... "Pane e Tulipani" (Pão e Tulipas). Filme lindo... Dá até vontade de morar dentro dele... hehehe... Beijos!