giovedì, maggio 10, 2007

Da felicidade

Sua chave está embrulhadinha no papel e guardada aqui no escaninho. É só pegar e usar.
Beijos. Sol.

Chegou o frio...
Lembre-se:
Este casaco é seu!!! Beijos...
Camila



Hoje é quinta-feira, dia de descansar um pouquinho. Tantas coisas para fazer no mundo, mas hoje a cobrança fica um pouco longe. Frio em São Paulo, não é inverno, mas é como se fosse. Acabo de tomar um banho quentinho, de ler algumas páginas de revista, um ou outro conto de um livro que vou lendo devagarinho. Acabo de ver o Gil. A vida é colorida na quinta-feira. E eu resolvi vir aqui, para colocar esses dois recadinhos lindos que me esperavam! Engraçado... Agora tenho chaves de três casas diferentes... Mas não pertenço a lugar nenhum. Ainda tô por aí, procurando no mundo um lugar. Se eu conseguir correr – coisa que não estou fazendo pela quantidade de trabalho dos últimos dias – quem sabe meu lugar no próximo semestre seja lá longe, naquele país tão presente no meu dia-a-dia, mas que eu não conheço. Ainda. Mas talvez, no próximo mês, meu lugar seja uma casinha aconchegante, um lugarzinho para organizar meus livros, meu tempo e minha cabeça. Talvez seja em outra cidade. Em outro estado. É tão estranho se sentir livre. Sentir que posso escolher as coisas. Não, o mundo não é fácil. Tudo é, aliás, muito difícil. Nada vem pronto, a gente tem que arrumar, trabalhar, consertar. Mas essa sensação de liberdade, essa vontade de viver, sempre me invade quando é quinta-feira e o mundo faz a sua pequenina pausa. Os meus sonhos nem sempre foram realizados. Mas muitas vezes vivi coisas tão mais bonitas, tão mais intensas. É claro que tem dia que a gente não quer intensidade. Quer colo, quer livro e edredom, quer distância do mundo. Tem dia que a gente quer ficar sozinho. Mas, voltando aos sonhos, acho que muitas vezes a vida nos traz cada presente que a gente, sozinho e cheio de planejamentos, nem podia imaginar. Agora eu aqui, sentada, com a minha liberdade no colo, a repensar esse mundo.

Não sou eu que me navega, quem me navega é o mar, é ele quem me carrega como nem fosse levar...

Sim, ando procurando e fazendo planos e anotando em caderninho e falando aos amigos. Mas sei que a vida é toda cheia de curvinhas, de gente nova que vai surgindo, de novas estradas, novos caminhos. E também novos sonhos. Quando cheguei em São Paulo, tinha eu 17 anos e um baú de sonhos, algumas leituras solitárias nas noites frias de Piedade, alguns amigos queridos. Muito medo do mundo, mas muita vontade de conhecê-lo. O que eu sonhava naqueles tempos? O que eu queria? O que me fazia viver, acordar todo dia, estudar, trabalhar, dançar? O que me faz dançar hoje em dia? A verdade é que a maior parte dos meus grandes amigos veio
depois dos 17 anos. Pessoas que fui conhecendo, tão diferentes umas das outras, mas tão parecidas comigo, com o que eu fui sendo, com o jeito que fui levando de cada uma delas. Nem todas vejo sempre. Mas são queridas, são pedaços da minha alma, são amadas e nunca, nunca esquecidas. Como pude eu viver tantos anos sem algumas delas? Assim é a vida. A gente vai sonhando, alguns sonhos vão escapando. Muitos vão se realizando. Outros não. Muitas vezes dói, arde, queima. Muitas vezes eu choro. Muitas vezes me senti sozinha, sem amor, sem esperanças. Mas o certo é que sou uma pessoa que gosta das coisas. O certo é que mesmo triste ainda sou um pouco alegre. O certo é que acredito no mundo, ainda que ele esteja tão tortinho, tão errado. Sei que muitas pessoas tiveram seus sonhos e suas esperanças e a capacidade de amar e de renascer violentamente roubados. Sei disso. E tenho medo desse mundo e queria poder ajudar todas as pessoas. Pessoas tristes me entristecem. Se eu pudesse colocaria todas no colo. A verdade é que mesmo as pessoas que não gostam de mim, as pessoas que eu não gosto, ainda gosto. Difícil de entender. Sinto uma certa compaixão pelas pessoas que não gosto. Tenho pena mesmo. Estranho. E nem é uma pena cínica (olha, como eu não gosto de você, tenho pena porque você perderá o prazer de ser minha amiga, meu amigo). Não é isso não. O negócio é que é difícil eu não gostar das pessoas. Mas quando isso acontece de verdade, me dá uma pena, uma vontade de colocar no colo e dizer: poxa vida, por que tem que ser assim?

Queria salvas as pessoas de serem tristes, de sofrerem. Muita ingenuidade da minha parte. Mas acontece que eu sou pisciana. E um ser pisciano é meio bobo mesmo.

As coisas não andam tão fáceis quanto esse texto em andamento sugere. Tenho dormido pouco, me esforçado para comer bem, não ficar comendo besteiras por aí por causa da pressa. Trago dentro de mim uma ausência de dias felizes, ausência de querer bem, de ter para onde voltar. Sabe aquela sensação de voltar pra casa que a gente tem quando é criança? Tenho saudades dela... Ando sem casa e ainda sem saber para onde ir. Ando escolhendo. Mas hoje, porque é quinta-feira, porque é frio e talvez porque eu dormi bastante, estou feliz. De uma felicidade mansinha. Com uma sensação de liberdade, de poder ir, poder voltar. Hoje não ligo se não tenho uma casa pra voltar. Tenho três. Quatro, contando com a do meu pai. Hoje recebi os recadinhos da Camila e da Sol e estou contente, de uma alegria que só o querer bem e a amizade proporcionam.

Eu aqui, sentadinha e cheia de coisas pra fazer, feliz.

8 commenti:

Sol ha detto...

Tão difícil escrever pra vc, Camila... Não dá pra ser rápida e sintética, falar pouco e o essencial... E é bom saber q não precisamos ser sempre econômicos nas nossas palavras, nos nossos pensamentos.... E menos ainda nos sentimentos! É bom expandir tudo, deixa até maior do que é, fazer parecer, aumentar e diminurir, brincar com essa coisa sem tamanho que é o discurso, a vontade de falar... Nem precisa ser algo mais profundo toda vez emenos ainda que seja um pensamento coerente e logico ou mesmo científico, nada disso.... Basta q seja sincero, basta que queiramos falar!


Bem, com poucas ou muitas palavrinhas, Camila, o importante é andar por todosos caminhos: não só o do silêncio, não só o do cotidiano apressado, não só o do "oi" e "tchau".... Um pouco do caminho gasto em se ir dizendo por gosto de dizer, falando por gosto de falar, palavras por gostarmos tanto dessas coisinhas bestas chamadas de palavras....

Gil ha detto...
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Gil ha detto...

E eu nem sei como descrever certas comoções. Aquele dia do ônibus (lembra?), você me escreveu depois me contando como foi bom me encontrar. E vc nem imaginava que tinha sido tão melhor pra mim... Nessa quinta eu tb te vi e senti uma sensação boa de ver vc, ver a Sol (sabe como é? ver amigos seus juntos...). A gente fica feliz com essas coisinhas e nem percebe. Q pena! E qdo encontrar o seu cantinho, saiba que sou candidato a dividir contas, sonhos, angústias, saraus, poemas... vida!

Camila ha detto...

Solzinha: Eu não sei ser econômica com nada... Mto menos com palavras - com palavras a gente não precisa ser mesmo? Gosto das coisas inundadas... Por isso brincardeliberdade... Brincar de fazer textos livres, sem pretender nada além disso: dizer. Dizer o mundo, o amor, as pessoas, da forma que for surgindo, sem nexo, sem coerência, de acordo com a vontade de falar... e falar e falar... Bom ter vc pra dividir as palavras. Bom ter vc pra dividir o mundo!

Gil: Tô mto feliz de ter vc como leitor! Vc sabe, não é? Vc é uma das pessoas mais queridas desse mundo... Sempre é bom poder estar pertinho de vc! Sem dúvida que eu te quero no meu cantinho. Pra dividir o mundo, o amor, a poesia... E as coisas feias tb: contas, dores, angústias... rs.. As coisas feias que ficam levinhas perto das pessoas amadas!

Camila ha detto...

Ahhhhhhhh.. Eu não excluí comentário nenhum... Depois que eu vi - no meu e-mail - que vc (Gil) tinha me mandando dois comentários iguais... Acho que o blog exclui sozinho... Ou foi vc? Negócio estranho...

Gil ha detto...

Fui eu mesmo que excluí (rsrsr). Vc sabe, a minha mania de perfeccionismo.... Beijo!

Anonimo ha detto...

Que bonito... :D beijo.

Camila ha detto...

Sérgio... Bonito, bonito não é... São apenas coisinhas do meu mundo, que eu inventei de andar escrevendo por aqui... hehe... Abração!