
Hoje eu fiquei meio boba com um "eu te amo" que recebi. Acho na verdade que eu ouvi errado mesmo. Não. Sei que ouvi certo, mas veio de tão longe, de outro espaço, que me deixou meio assustada. E eu entendi. Entendi o que só o tempo explica. Entendi o "eu te amo" como "eu gosto muito de você e te desejo todas as coisas lindas desse mundo, toda a felicidade, todo o amor, toda a alegria". Entendi e desejo o mesmo, entendi e fiquei feliz com esse amor desprendido que só o tempo traz. Demora. Nem é paixão, nem é apego, nem é estar perto. É só amor mesmo. Amor sem desejo, descarnado. Amor. Então lembrei de um poema do Vinícius, lembrei de ausências e faltas e desse estar na gente. Lembrei de outro poema, agora de Drummond. Que fala da ausência que na verdade é uma presença. Lembrei de orações bonitas e da amizade. Lembrei de ter dez anos e tomar água no bebedouro. Lembrei de correr pelo pátio, os amigos, a escola. Bonito é estar no mundo e poder sentir tudo isso. Hoje é segunda-feira, dia cheio de trabalhos. Mais trabalho me espera. Mas hoje eu cumpri horários e datas, cronogramas e planejamentos. Hoje eu ainda tenho o que trabalhar, o que planejar. Mas de repente tudo se explica, tudo fica clarinho, clarinho. Alguns lugares simplesmente desapareceram. Algumas pessoas sumiram. Amigos que a gente vai esquecendo pelo caminho. A gente tenta, tenta, mas não dá pra ir levando todo mundo, ir levando tudo, manter contato, ligar, escrever. Mas há o sentimento. Aquele amor que independe de estar junto, de estar perto. Aquele amor que vem tarde, bem diria, ainda uma outra vez, Drummond. Hoje me sinto um pouco grande porque tenho história, porque sinto amor. E é bom ser grande. É bom crescer. É boa essa sensação que estou sentindo. Sim: bonito é estar no mundo e poder sentir tudo isso.
"(...)Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. Amor começa tarde"
Carlos Drummond de Andrade
"(...)Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. Amor começa tarde"
Carlos Drummond de Andrade
4 commenti:
Dizem que a internet afasta... acho o contrário.. a gente acaba se aproximando, né?
Saudades docê. Beijocas.
Lindo o texto, como todos os outros:-)
Pena o amor não ser sempre assim bonitinho e colorido.
Por falar em amor, Cá, esse moço do meu penúltimo post é ficção. Já o do último existe sim. E como existe...
Puxa, que lindo!!
Comentário besta sobre a foto deste post: e eu achando que os churros eram espigas de milho!!! hahahahahahahahaha!
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