lunedì, giugno 11, 2007

Nada tem importância se a gente não tem importância


" (...)Já faz muitos anos que meu avô morreu. Eu continuo gostando muito de música e continuo gostando muito dele, e acho que essas duas coisas continuam um pouco misturadas. Aprendi muitas coisas ouvindo música e outras tantas com ele, ou pensando nele. Não sei muito bem o que foi que aprendi naquele domingo. Mas sei que foi mais importante do que Vivaldi, mais importante do que a música e muito mais importante do que descobrir que podia confiar na minha própria opinião.
A música, afinal de contas, não tem importância se a gente não tem importância. E poucas pessoas têm mais importância pra mim do que o meu avô".

Trechinho do texto Uma aula de música do meu avô, do livro Histórias de Avô e Avó, de Arthur Nestrovski

Hoje eu li e-mail bonito da minha amiga que vem chegando. Voltando. Hoje os livrinhos que eu escolhi para trabalhar com os meus alunos chegaram. Coloquei um trechinho de um deles aí. Detalhe... Percebi que todos os livros que escolhi têm uma coisa em comum: memória. Um livro mais denso, outro mais levinho, outro mais lírico... Mas todos cheios de memória, de tempo, de vida recontada, revivida em cada palavrinha... Memória pra mim é assunto importante. Assunto que pretendo estudar melhor ao longo dos anos...


Tão bom escolher livro... Bem bonito esse aí. Li no começo do ano... Minha eterna mania de entrar em bibliotecas e livrarias e ficar horas lendo livros infantis e juvenis...

Hoje o tempo é tão curto que pouco posso dizer além dessas palavrinhas... Se houvesse tempo, eu poderia falar do meu avô, do dia de ontem, da casa dos meus avós, da conversa. De certezas e incertezas... Ontem fiquei um tempo conversando com meu avô. Olhos nos olhos, degustando suas palavrinhas, seu modo de ser, de ensinar, de dar carinho. Impressionante como fico quieta perto do meu avô, escolho as palavras, prefiro o silêncio. Ele tem tanto a dizer... Eu gosto de ficar ouvindo, falo pouco, acompanho seus movimentos, seus gestos, seus pensamentos, suas críticas. Tenho um avô muito crítico, muito inteligente. Acho que ele é a única pessoa do mundo que me acha um pouco silenciosa. Pelo menos um pouco. Todo mundo que me conhece sabe como eu falo... Perto dele, no entanto, só tenho vontade de ouvir. Às vezes discordo do que ele diz. Mas mesmo quando não concordo, e falo uma ou outra coisa com todo cuidado, ainda concordo, ainda ouço, ainda acho importante o que ele diz. A opinião dele é sempre bonita, é sempre cheia de ternura, de leituras. Mas não pensem que ele é bonzinho. Ele é bravo, fala alto, briga, cutuca, coloca a mão na ferida. De um jeito que só ele sabe fazer. E por isso é importante. Existem coisas que só ele sabe dizer. Só ele sabe mexer no que dói, sabe enxergar as pessoas por dentro.

Tenho um avô inteligente, presente, delicado e rude. Quando ele fala eu paro tudo para ouvir. Ontem senti que deveria ter passado mais tempo do feriado do lado dele, ouvindo as coisas que ele tem a dizer. Meu avô está lendo um livro sobre a vida de Eisntein e poemas de Augusto dos Anjos (ou seria Cruz e Souza?). Foi pedreiro, criou oito filhos, estudou até a quarta série e só. Gostaria de ter estudado mais, mas não lamenta. Tem criação espírita, acredita em outras vidas, em outros mundos, em outras histórias. Apesar disso, há alguns anos anda criticando o espiritismo, anda dizendo que a religião, como os homens a vivem, está toda errada. Anda lendo Nietzsche. Ficou uns meses sem poder ler direito por causa da catarata, mas agora já operou um dos olhos e voltou a ler. Inteligente o meu avó, às vezes agressivo, muitas vezes irritado. Doce, bonito (o homem mais bonito que pode existir nesse mundo!), muito, muito sábio. Quando ele fala, eu silencio. Afinal, ele é muito inteligente, tem muita coisa pra ensinar. Porém, desconfio que qualquer coisa que ele dissesse eu ouviria, eu estaria ali, atenta, quietinha, prestando atenção. Na sua fala ou no seu rosto - marcado de histórias, de vida. Mesmo se meu avô nada tivesse pra dizer de bonito, lá estaria eu, sentadinha, ouvindo.

Mas ele tem. E muito.

Obs: Nesse trimestre trabalharei com meus alunos tempo e memória. Narrativas, histórias, literatura. Falaremos sobre o compartilhar, o dividir, sobre a mágica da narrativa. Ser professora tem suas coisas bonitas também, né?

2 commenti:

Rosely Zenker ha detto...

Eu também adoro livros infantis e juvenis!!! Também fico lendo e espiando o que há nas prateleiras.
O que é ótimo é ficar lendo livros que a gente leu na infância, desta vez com nova perspectiva.

Estórias de vô normalmente são ótimas mesmo!
Não cheguei a conhecer nenhum deles...

Camila ha detto...

Eu também adoro reler livros que já li! E de conhecer novos... Livros infantis são tão lindos... Adoro as ilustrações, a linguagem...

Beijinhos.