venerdì, gennaio 25, 2008

Duas amigas, duas saudades

Creole Jazz Band


Um dia só e uma enxurrada de coisas pra dizer. Engraçado como podemos sentir coisas tão diferentes ao mesmo tempo. Como chover e fazer sol, estar triste e estar alegre.

Dias atrás, vasculhando o orkut de amigos queridos, vi uma conversa sobre nostalgia e saudade. Gil e Sol falando sobre recadinhos de escaninho, sobre o sentir saudade de velhos tempos ou de ser nostálgico. Então fiquei pensando nas palavras. Nostalgia é mesmo uma palavra muito diferente de saudade. Na teoria da Sol, nostalgia é sentir falta, lembrar do passado, mas não querer estar lá naquele momento. E saudade... Saudade é uma outra coisa. Saudade é querer voltar no tempo. Ir para um lugar que nem existe mais, para um momento que passou. Saudade é um apego, uma necessidade física de retorno. Não sei bem se a discussão era essa. Mas é o que entendi. Não sei bem se as palavras nostalgia e saudade servem para falar dessas duas sensações. Mas que elas existem, existem.


"Se a gente lembra só por lembrar
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu

Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade entonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim,
Que vivo doido a sofrer
"

Lembrei dessa música ao pensar que, então, tudo é uma questão de saudade boa e saudade ruim. A boa é aquela que nos faz voltar no tempo, lembrar de alguns instantes passados, de alguns momentos que vivemos. Ao sentir saudade boa, uma sensação agradável invade o nosso presente. Sensação de vida que foi vivida em todos os seus pedacinhos, sensação de presença, de amor. Saudade boa é aquela conversa dos avós que a gente gosta de ouvir, aqueles olhos brilhando, segredos docinhos, um causo de infância, reunião ao redor da cama, brincadeira na rua de criança.

Saudade ruim é aquela que faz mal, que dilacera, que mói, que deixa o dia triste, ausente, sem sentido. É aquela vida que foi vivida pela metade, aquela dor no peito, no estômago, no corpo todo. Saudade ruim é aquilo que nos faz mal, que nos traz incompletude e ausência, uma grande sensação de e se percorre todos os espaços do dia e o presente deixa de existir, mergulhado em passado.

Dialogando com a Sol, não nas palavras, mas nos conceitos, digo que saudade ruim é querer voltar e saudade boa é relembrar. Saudade boa nos torna fortes, saudade ruim nos enfraquece, nos deixa medrosos.

Tanto se fala de saudade nesse mundo. Fernando Pessoa é mestre nisso. Os portugueses todos são mestres na arte de sentir e falar de saudade. A literatura portuguesa é toda bonita, toda envolta em nuvens de saudade... Mas não é bem isso que eu queria falar. Não é sobre sentir saudade. Queria apenas desdobrar os sentidos dessa sensação. Existem coisas, sabemos claramente, das quais não temos nem um pingo de saudade. São desencontros, brigas, episódios tristes, solidão, angústia, desamor. A saudade sempre vem de algo que foi bom, de algo que gostávamos de fazer, de momentos que foram bonitos, que tiveram algo de bom que nos emociona. Mas podemos encarar essas coisas boas que vivemos de duas maneiras diferentes, podemos ter duas posturas em relação às coisas bonitas que vivemos. Uma é querer que o tempo volte, outra é viver o tempo do hoje com as lembranças do ontem.

Hoje eu estava aqui pensando em duas amigas queridas, em dois momentos da minha vida. Amigas que me trazem saudade boa. Uma eu conheci aos oitos anos e poderia escrever um livro com as nossas aventuras desvairadas, sobre a nossa pré-adolescência que vivemos de forma tão intensa e leve... São mergulhos na piscina, tesouros secretos enterrados no Clube de Campo, primeiro porre, meu primeiro (e único) cigarro, meus primeiros segredos... São saudades boas aos baldes, transbordamento de um tempo vivido em toda a sua magia, com toda a sua força. Dessa amiga eu também trago saudades boas recentes. E é sobre um desses dias que quero falar.

A outra amiga eu conheci na musculação, é o meu duplo, a minha Camila ao quadrado, que brincava comigo de fazer ginástica e dividia as histórias de amor contadas no CEPE. Amiga mais recente, mas tão profunda... Conversas de madrugada, lágrimas e risos e cartas de mais de trinta páginas. Cartas que eu nunca mandei, mas que ela ouviu, com os olhinhos atentos. Madrugadas escuras, falando de amor, de sonhos, de sentimentos. Sobre um dia específico, acho que foi no ano de 2006, logo no começo do ano, que eu quero falar.

Dia número 1

Saudade de um dia. Novembro de 2007? Outubro, dezembro? Dia em que a Vi e eu fomos comprar meu baú. Acho que somente ela poderia ter me acompanhado numa loucura dessas. Carregar um baú, trazer no metrô, pintar de verde, encher a casa de tinta verde, ficar com os braços doloridos por causa do peso, entrar em loja de enfeites de natal, ficar namorando uma árvore linda e falar mal de quem não gosta de natal cheio de cores, entrar em loja de bijuterias (com o baú, claro), escolher cortina, fazer o caminho mais longo para ir ao banco, comer muitos sanduíches de pão com mortadela. Foi o dia em que percebi o quanto a nossa amizade de anos e anos ainda vivia com tanta força. Desse dia de baú e lanches, de tinta verde por todos os cantos, eu trago uma imensa saudade boa. Saudade que me faz acreditar na vida e na amizade. Que é possível ser grande mas trazer ainda dentro de si aquela alegria pré-adolescente, aquele deslumbramento com o mundo...


Dia número 2

O dia número 2 era para ser bem simples. E foi mesmo. No começo do ano de 2006 fiz alguns passeios com ela. Minha amiga Conti. Cinemas, ruas de São Paulo, risadas... Mas esse dia foi tão simples e tão bonito que sempre que penso nele, uma sensação de leveza me invade. Era domingo. Eu estava com um mocinho, mocinho com o qual eu nunca vivi um grande amor, mas que amei de certa forma e por quem fui amada de certa forma. O mocinho estava em casa, era de manhã. E eu resolvi ir ao SESC ler, passear. Nos despedimos no ônibus e lá fui eu. Tive um dia bonito, simples, de não pensar no futuro, nem lembrar que há futuro... Li, almocei. À tarde era um show de jazz, mas não de ficar sentado. Show de jazz ao ar livre, de dançar, de sair acompanhando a banda. Show como antigamente, falaram os músicos. E lá estava a Conti, comigo, dançando e rindo naquele domingo à tarde. Lembro da nossa alegria, de dançar, dançar, dançar. Lembro de sair depois correndo para pegar um ônibus e entrar atrasada no cinema para ver o filme do Vinícius. Lembro da gente correndo pela Avenida Paulista, de mãos dadas, afobadas, contando os minutos... A pipoca que caiu no chão e as inúmeras risadas no fim do dia. Uma grande saudade boa para relembrar com carinho. Acho mesmo que a amizade é muito adolescente. Que se não houver um quê de adolescência, de exagero, se houver muita seriedade, muito siso, não há amizade. Há uma outra coisa, com outro nome.

Hoje eu resolvi escrever esse texto sem pé nem cabeça, sem fio condutor, sem estrada, sem caminho, sem ter onde chegar. Queria falar de saudade, de saudade boa, de duas amigas, de dois dias, de dois momentos.

Dia desses, conversando com uma pessoa do mundo, ouvi que eu costumo cristalizar as coisas, as amizades, os momentos. Acho que essa é uma grande verdade. Eu costumo cristalizar todas as coisas que gosto muito e tentar apagar as que eu não gosto. E isso não é bem um defeito. Talvez nem uma qualidade. É uma forma de viver o mundo. De perceber que diazinhos aparentemente bobinhos às vezes adquirem na memória muito mais importância do que dias que se dizem grandiosos. Esses dois dias dos quais eu falei estão cristalizados. É pintar um báu de verde, é dançar jazz num domingo à tarde. São duas amigas que eu gosto tanto. É dividir.

4 commenti:

Gil ha detto...

Acho que era disso que eu e Sol estávamos falando... Só não sei se sei delimitar muito bem o tipo da saudade que sinto. Mas, posso dizer que quase sempre dói um pouquinho que seja. Senão, não seria saudade...

Anonimo ha detto...

Eu quis chamar de "nostalgia" e "saudade" só pq, na hora, me pareceu que essas palavras serviriam... Mas não servem sempre e revejo tudo e não sei bem se delimitei bem com apenas duas palavrinhas essas sensações, mas concordo com vc em tudo o que li aqui, na descrição dessas sensações... Inclusive com o Gil, na parte em que diz q se não doesse não seria saudade, pq é uma dor boa a da 'saudade boa' (como a tardelli disse) essa q a gente sente. É uma dorzinha sim mas q ajuda a sentir o mundo, a nos sentirmos vivos.... Se não doer um pouco pelo menos, não é vida tb.... A vida dói junta com a alegria...

E acho q a saudade ruim só prioriza a dor sem entender a lógica e a beleza de continuar em frente e reaprendermos sempre com o que foi, com o que é e com o q nunca saberemos se virá...

Enfim... Saudade, nem sempre, é tão ruim como na música do Chico ("Oh, pedaço de mim"), mas a música continua linda ainda assim...

Sol ha detto...

Eu quis chamar de "nostalgia" e "saudade" só pq, na hora, me pareceu que essas palavras serviriam... Mas não servem sempre e revejo tudo e não sei bem se delimitei bem com apenas duas palavrinhas essas sensações, mas concordo com vc em tudo o que li aqui, na descrição dessas sensações... Inclusive com o Gil, na parte em que diz q se não doesse não seria saudade, pq é uma dor boa a da 'saudade boa' (como a tardelli disse) essa q a gente sente. É uma dorzinha sim mas q ajuda a sentir o mundo, a nos sentirmos vivos.... Se não doer um pouco pelo menos, não é vida tb.... A vida dói junto com a alegria...

E acho q a saudade ruim só prioriza a dor sem entender a lógica e a beleza de continuar em frente e reaprendermos sempre com o que foi, com o que é e com o q nunca saberemos se virá...

Enfim... Saudade, nem sempre, é tão ruim como na música do Chico ("Oh, pedaço de mim"), mas a música continua linda ainda assim...

Sol ha detto...

Ca, qdo puder, apaga o outro comentário q tem meu e-mail... e este aqui tb!

bjs