
Toda vez que escrevo qualquer coisa mais fincada na realidade causo susto nos meus leitores mais assíduos, dado que esse espaço aqui é feito de nuvem e sopro, de espumas e sonhos. Cantinho onde falo muito de amor, de mim, de tempos e espaços que não correspondem aos reais. Porque eu sou mesmo uma menina que, apesar de morar na dura cidade de São Paulo e ter já seus 25 anos, ainda acredita em coisas mágicas, na poesia dos dias...
Mas a realidade não passa batida por mim. Ela me penetra os sentidos, me assusta, me deixa de olhos grandes e parados, sem palavras. Quando leio Cecília Meireles - e quem lê Cecília talvez entenda - percebo que não só eu gosto dos restos, das palavras velhas, dos cadernos antigos, dos pedacinhos de velhas xícaras, da casa da avó cheia de roupas antigas, de pó, de livros empoeirados... Quando lembro de minha infância, lembro disso: menina no meio do que se foi, menina encantada com a história, a história guardada nas gavetas, a história dos dias dos meus pais, dos meus avós, de mim. Mas sempre vivi a história de uma forma diferente da que aprendia na escola. Vivia uma história muito do jeito da minha avó. Todo mundo até hoje a critica pela mania de guardar coisas antigas, de fazer bagunça... Eu sou igualzinha, adoro velhos rabiscos, velhas cartas, objetos velhos, velharias, adoro a marca do tempo. Talvez por isso o estudo da memória me encante tanto. Talvez por isso não consiga entrar (nem entender) nesse mundo cheio de tecnologias, nesse mundo acelerado, acelerado, acelerado... A maneira com que cresci aprendendo a história do mundo é uma maneira espírita, forma de olhar o mundo dos meus avós. De procurar entender e perdoar os acontecimentos, as pessoas, seus crimes, suas maldades, seu desamor. De procurar entender que tudo tem um sentido, tudo tem uma razão de ser... Ao contrário das críticas que ouço sobre o Espiritismo, para mim essa explicação sobre as coisas do mundo não justifica as atrocidades cometidas... Não é para cruzar os braços diante do sofrimento alheio porque há uma justificativa, mas é uma maneira de compreender melhor as coisas e de sofrer menos com o mundo...
Confesso que nem sempre acredito em tudo isso. Essa coisa de vida após a morte, essa coisa de espíritos, essa coisa de que tudo tem uma lógica. Às vezes duvido muito, virei meio cética, como diz minha mãe. Mas às vezes, de repente, volto a acreditar. Percebo que eu me afundo em sofrimentos tolos que eu mesma crio, percebo que todas as situações pelas quais passei foram necessárias...
Mas quando olho o mundo, as coisas acontecendo continuamente, sem fim, essa gente que cobra as atrocidades cometidas lá atrás (e que devem mesmo ser cobradas) e não percebe as barbaridades cometidas no hoje, no agora... Quando vejo essa situação do mundo, esse mundo que não aprende, que parece não saber olhar para trás e nem para a frente. Esse mundo caduco, cruel, desumano. Esse sistema imbecil em que vivemos, essas mortes estúpidas... Quando vejo tudo isso não consigo compreender mais nada, me revira o estômago, tenho vontade de vomitar. Me sinto ingênua, com 5 de idade, tentando entender (desde os cinco anos) por que as pessoas fazem tão mal para as pessoas... Pra que exploração? Pra que assassinatos? Desde os 5 anos me pergunto: Por que inventaram armas de fogo? Uma coisa que só serve para matar os outros? Para que bombas? Para que guerras? Para que isso tudo? Sim, perguntas de menina de 5 anos, mas perguntas que ainda hoje, aos 25, não sei responder.
Ontem vi uma frase na TV e tive essa vontade de vomitar, um ódio enorme, uma falta de entendimento. Vontade de perguntar: Você percebe a barbaridade que está dizendo? Que está fazendo??? Percebe?
A frase todos devem ter ouvido, mas me magoa profundamente, principalmente porque fala de crianças... É de uma crueldade sem tamanho, de uma falta de amor sem tamanho. Criminosa:
"Muitas crianças palestinas estão sendo mortas. Quase nenhuma criança israelense está sendo morta. Por quê? Porque nós cuidamos das nossas crianças” Presidente de Israel, Shimon Perez
Alguém me diz... Como é que a gente compreende uma coisa dessa? Assassinos de terno e gravata. Assassinos buscando acordos internacionais. Assassinos. De novo, de novo, de novo. Fala-se tanto em Holocausto. São filmes, cursos, palestras... Como é que pode... um discurso tão incoerente?
Sinto nojo do mundo, nojo.
Mas a realidade não passa batida por mim. Ela me penetra os sentidos, me assusta, me deixa de olhos grandes e parados, sem palavras. Quando leio Cecília Meireles - e quem lê Cecília talvez entenda - percebo que não só eu gosto dos restos, das palavras velhas, dos cadernos antigos, dos pedacinhos de velhas xícaras, da casa da avó cheia de roupas antigas, de pó, de livros empoeirados... Quando lembro de minha infância, lembro disso: menina no meio do que se foi, menina encantada com a história, a história guardada nas gavetas, a história dos dias dos meus pais, dos meus avós, de mim. Mas sempre vivi a história de uma forma diferente da que aprendia na escola. Vivia uma história muito do jeito da minha avó. Todo mundo até hoje a critica pela mania de guardar coisas antigas, de fazer bagunça... Eu sou igualzinha, adoro velhos rabiscos, velhas cartas, objetos velhos, velharias, adoro a marca do tempo. Talvez por isso o estudo da memória me encante tanto. Talvez por isso não consiga entrar (nem entender) nesse mundo cheio de tecnologias, nesse mundo acelerado, acelerado, acelerado... A maneira com que cresci aprendendo a história do mundo é uma maneira espírita, forma de olhar o mundo dos meus avós. De procurar entender e perdoar os acontecimentos, as pessoas, seus crimes, suas maldades, seu desamor. De procurar entender que tudo tem um sentido, tudo tem uma razão de ser... Ao contrário das críticas que ouço sobre o Espiritismo, para mim essa explicação sobre as coisas do mundo não justifica as atrocidades cometidas... Não é para cruzar os braços diante do sofrimento alheio porque há uma justificativa, mas é uma maneira de compreender melhor as coisas e de sofrer menos com o mundo...
Confesso que nem sempre acredito em tudo isso. Essa coisa de vida após a morte, essa coisa de espíritos, essa coisa de que tudo tem uma lógica. Às vezes duvido muito, virei meio cética, como diz minha mãe. Mas às vezes, de repente, volto a acreditar. Percebo que eu me afundo em sofrimentos tolos que eu mesma crio, percebo que todas as situações pelas quais passei foram necessárias...
Mas quando olho o mundo, as coisas acontecendo continuamente, sem fim, essa gente que cobra as atrocidades cometidas lá atrás (e que devem mesmo ser cobradas) e não percebe as barbaridades cometidas no hoje, no agora... Quando vejo essa situação do mundo, esse mundo que não aprende, que parece não saber olhar para trás e nem para a frente. Esse mundo caduco, cruel, desumano. Esse sistema imbecil em que vivemos, essas mortes estúpidas... Quando vejo tudo isso não consigo compreender mais nada, me revira o estômago, tenho vontade de vomitar. Me sinto ingênua, com 5 de idade, tentando entender (desde os cinco anos) por que as pessoas fazem tão mal para as pessoas... Pra que exploração? Pra que assassinatos? Desde os 5 anos me pergunto: Por que inventaram armas de fogo? Uma coisa que só serve para matar os outros? Para que bombas? Para que guerras? Para que isso tudo? Sim, perguntas de menina de 5 anos, mas perguntas que ainda hoje, aos 25, não sei responder.
Ontem vi uma frase na TV e tive essa vontade de vomitar, um ódio enorme, uma falta de entendimento. Vontade de perguntar: Você percebe a barbaridade que está dizendo? Que está fazendo??? Percebe?
A frase todos devem ter ouvido, mas me magoa profundamente, principalmente porque fala de crianças... É de uma crueldade sem tamanho, de uma falta de amor sem tamanho. Criminosa:
"Muitas crianças palestinas estão sendo mortas. Quase nenhuma criança israelense está sendo morta. Por quê? Porque nós cuidamos das nossas crianças” Presidente de Israel, Shimon Perez
Alguém me diz... Como é que a gente compreende uma coisa dessa? Assassinos de terno e gravata. Assassinos buscando acordos internacionais. Assassinos. De novo, de novo, de novo. Fala-se tanto em Holocausto. São filmes, cursos, palestras... Como é que pode... um discurso tão incoerente?
Sinto nojo do mundo, nojo.
1 commento:
Ca, acabo de escrever algo sobre isso, lá no meu espacinho...
As vezes da vontade de não crescer...pra saber menos talvez.
Quando ouvi esta frase também senti nojo. É um misto de tristeza e incapacidade.
Me senti um grão.
Mas mesmo assim, bom te ler aqui.
Sonharemos um pouco mais...ingenuaremos que as coisas mudarão...quem sabe?
beijo, beijo...Lu
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