
Arrumando as coisas do mundo. Como eu acumulo coisas! Rasgando coisas, jogando velharias.... Nunca consigo jogar tudo e às vezes até me arrependo de ter jogado algo, mas é necessário.
Descobri que é exatamente às 6, às 6 da tarde, que me vem aquela sensação desagradável de solidão, sensação de abandono, de mundo só. No começo da tarde, quando chego em casa (isso até semana que vem, porque depois a coisa muda, começo a chegar tardão de novo), a solidão ruim não vem. Vem a boa, a vontade de descansar, de não ver ninguém, de ler e ficar quieta. Mas às 6 alguma coisa muda. Às 6 eu fico mais sensível e com vontade de alguém que chegue, abra a porta e me diga "Boa noite, Camila!". O Gil, que quase não passa mais por aqui (cadê você, carino mio?), inventou um curso de inglês de todos os dias em fevereiro e agora fica longe, longe do meu mundo durante todo esse mês. Logo mais estaremos mais perto por um tempo. Logo mais, por volta das 6, ele vai abrir a porta. Olha que bonito! Mas agora é fevereiro, sem Gil, e às 6 da tarde eu sinto uma solidão enorme, uma sensação ruim de que estou sozinha. Quando dou aulas até tarde essa sensação não vem, justamente porque quando trabalho muito num dia, nem penso, nem sinto direito as coisas, o que é muito ruim. Em dias que consigo descansar um tanto, percebo que às 6 da tarde o mundo dá uma paradinha. As pessoas voltam para casa, encontram seus queridos, riem, veem TV juntos, jantam, conversam... Em Piedade, as três mulheres da minha vida nesse horário provavelmente estão em casa... E aqui eu como sozinha, penso sozinha num amanhã. Aqui, sozinha, me vem um sentimento de tristeza, uma vontadinha de chorar. Besteirinhas de Camila.
Há duas solidões no mundo. Uma bonita e boa, que eu sempre gostei desde pequena, quando me internava no quarto para ler e ouvir meus discos. Quando escrevia sem parar palavrinhas em enormes cadernos e folhas avulsas. Essa solidão boa me é necessária como comer e dormir. Não dá pra passar um dia sem um tanto de solidão, de silêncio, de quietude. Por isso penso o quão difícil deve ser casar, ter filhos (isso tudo junto)... Iria precisar sair só, mesmo que fosse por meia hora, todos os dias.
Mas há uma solidão triste e feia. Solidão de quem se sente pequenininho no meio do mundo grande, de quem tem desejo de contar um sonho, um projeto, de falar como foi o dia, de dividir as impressões e sensações que as coisas e as pessoas despertaram... Essa solidão dói, aperta o coração. Você pode ligar, conversar com uma amiga. Você pode entrar por uns minutinhos no msn. Você pode ver TV sozinha. Pode escrever. Pode ouvir suas músicas preferidas... Mas não passa. Às 6 da tarde o mundo é feio e só. Hora em que todo mundo devia estar sempre acompanhadinho. Hora que eu mais queria um abraço apertado, um telefonema bonito. Hora que eu mais queria alguém querido entrando pela porta e dizendo "Boa noite!".
Ainda bem que agora já passa das 8 e a solidão das 6 já se foi...
Ps. Se eu morasse no Rio, iria todos os dias, às 6 da tarde, para o Arpoador. Lá a solidão triste seria um tantinho menos triste e muito mais bonita.
Ps. 2 Foto do flickr de um tal de Felipe Correa. Roubei. Sorry...
Descobri que é exatamente às 6, às 6 da tarde, que me vem aquela sensação desagradável de solidão, sensação de abandono, de mundo só. No começo da tarde, quando chego em casa (isso até semana que vem, porque depois a coisa muda, começo a chegar tardão de novo), a solidão ruim não vem. Vem a boa, a vontade de descansar, de não ver ninguém, de ler e ficar quieta. Mas às 6 alguma coisa muda. Às 6 eu fico mais sensível e com vontade de alguém que chegue, abra a porta e me diga "Boa noite, Camila!". O Gil, que quase não passa mais por aqui (cadê você, carino mio?), inventou um curso de inglês de todos os dias em fevereiro e agora fica longe, longe do meu mundo durante todo esse mês. Logo mais estaremos mais perto por um tempo. Logo mais, por volta das 6, ele vai abrir a porta. Olha que bonito! Mas agora é fevereiro, sem Gil, e às 6 da tarde eu sinto uma solidão enorme, uma sensação ruim de que estou sozinha. Quando dou aulas até tarde essa sensação não vem, justamente porque quando trabalho muito num dia, nem penso, nem sinto direito as coisas, o que é muito ruim. Em dias que consigo descansar um tanto, percebo que às 6 da tarde o mundo dá uma paradinha. As pessoas voltam para casa, encontram seus queridos, riem, veem TV juntos, jantam, conversam... Em Piedade, as três mulheres da minha vida nesse horário provavelmente estão em casa... E aqui eu como sozinha, penso sozinha num amanhã. Aqui, sozinha, me vem um sentimento de tristeza, uma vontadinha de chorar. Besteirinhas de Camila.
Há duas solidões no mundo. Uma bonita e boa, que eu sempre gostei desde pequena, quando me internava no quarto para ler e ouvir meus discos. Quando escrevia sem parar palavrinhas em enormes cadernos e folhas avulsas. Essa solidão boa me é necessária como comer e dormir. Não dá pra passar um dia sem um tanto de solidão, de silêncio, de quietude. Por isso penso o quão difícil deve ser casar, ter filhos (isso tudo junto)... Iria precisar sair só, mesmo que fosse por meia hora, todos os dias.
Mas há uma solidão triste e feia. Solidão de quem se sente pequenininho no meio do mundo grande, de quem tem desejo de contar um sonho, um projeto, de falar como foi o dia, de dividir as impressões e sensações que as coisas e as pessoas despertaram... Essa solidão dói, aperta o coração. Você pode ligar, conversar com uma amiga. Você pode entrar por uns minutinhos no msn. Você pode ver TV sozinha. Pode escrever. Pode ouvir suas músicas preferidas... Mas não passa. Às 6 da tarde o mundo é feio e só. Hora em que todo mundo devia estar sempre acompanhadinho. Hora que eu mais queria um abraço apertado, um telefonema bonito. Hora que eu mais queria alguém querido entrando pela porta e dizendo "Boa noite!".
Ainda bem que agora já passa das 8 e a solidão das 6 já se foi...
Ps. Se eu morasse no Rio, iria todos os dias, às 6 da tarde, para o Arpoador. Lá a solidão triste seria um tantinho menos triste e muito mais bonita.
Ps. 2 Foto do flickr de um tal de Felipe Correa. Roubei. Sorry...
1 commento:
Amor, estava pensando dia desses em como estou ansioso por esses momentos de chegar em casa e partilhar o dia com vc. Enquanto isso, a gente vai tentando encarar os momentos de solidão intensa da melhor forma: vivendo-os. Eu demoro pra passar aqui, mas vc sabe q estou sempre por perto. Não se assuste com o mundo feio às 6h da tarde... Afinal essa é uma das horas mais bonitas pra pensarmos na vida.
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