martedì, febbraio 17, 2009

Texto sem pé nem cabeça pra quem tem paciência


A Renata é mesmo uma pessoa muito especial. Assim começo esse textinho. Bom saber que tem alguém no mundo pensando em mim, no meu dia, nas coisas que eu tenho pra fazer, no que ando pensando e sentindo... Bom saber que ainda se fazem amigas como antigamente.. rs

Hoje eu fui para a USP, depois de quase três meses sem pisar lá. Fui ver a apresentação de um amigo, cheguei um tanto tarde e só peguei um pedacinho... uma pena porque estava bem bonita. Resolvi ir para a Letras. Era noite. Há alguns anos eu não pisava na Letras à noite, eu acho. No semestre passado fiz uma disciplina da pós mas era à tarde e eu sempre ia embora de carona por volta das 6. A Letras da minha memória é sempre a Letras da noite. Fiz algumas disciplinas de manhã e achava tudo meio chatinho... Pessoas e luzes... À noite estavam, para mim, os melhores amigos, os conhecidos, os encontros, as leituras, as músicas, o transbordamento de mundo. Aquilo lá era um mundo todo parecido comigo. Hoje fiquei um tanto triste... Nada de pessoas conhecidas, nada de amigos, nada dos velhos tempos. Onde estava a Thatá? Onde estava o Felipe? O Gabriel? A Eliane? Onde estava a Aline? A Camila? A Sabrina? O Everton? Onde estava o Fábio e a coca-cola? A Joana e os chocolates? A Alezinha e o discurso político? A Ale e a dor de estômago? Onde estavam os desconhecidos-conhecidos, aqueles corredores cheios de gente que a gente sempre via, por mais que nem soubesse o nome já dava uma impressão de estar acolhido, como se fosse uma cidade de interior... Coisa tão rara nessa imensa cidade onde tudo se perde, a gente não conhece as pessoas do próprio prédio, do próprio bairro...

Banca de livros, festa para os bixos começava às 22, festas que eu tanto gostava. Prédio da Sociais e samba. Prédio da História... Passeios noturnos feitos nos intervalos... Cadê a turma do italiano? A Juliana? O Alê? O Luciano? O Fran? Cadê a Daniela? Nada de pessoas conhecidas. Vou para meu canto preferido de mundo, que ficava, na verdade, na Sociais. Canto em que certo moço ficava sempre tocando sax, quieto, num canto. Tenho lembrado muito do moço do sax. Acho que é saudade. Hoje, sentada naquele cantinho, noite, FFLCH, lembrei dele repetindo meu nome, ficando feliz de me ver, sorrindo e dizendo aquelas coisas que só ele sabia dizer. Tenho lembrado muito dele. Talvez seja porque reli esses dias uns dos livros que ele me deu. Talvez seja porque pensei um tanto sobre desencontros nesses tempos. Talvez seja porque falei sobre ele. Não sei. Sei que ele foi o desencontro mais encontrado que eu já tive e que ando com saudades dele. Não dá pra dizer que o mocinho com quem namorei durante quatro anos ficou menos na memória do que ele, tenho cá algumas lembranças bonitas (e outras nem tanto), histórias que eu precisava ter vivido, músicas, momentos, pedacinhos de vida que vivem ainda em mim, que me fizeram como sou. Mas dá para dizer que esse menino do sax ficou muito. E ficou só como uma coisa bem bonita, sem nada feio para estragar. O que poderia ter estragado foi a tentativa de dar certo, algum tempo depois. Tentativa fracassada. Mas não é isso que ficou. Ficou um menino bonito, tocando, repetindo meu nome, indo ao cinema comigo. Ficou um menino me olhando nos olhos, me encantando, uma vontade de beijo que eu reprimia em nome de um amor... Ficou um menino que me leva para conhecer a casa da mãe, mas a mãe não está. O menino da mãe flautista, mãe que fez diversos abortos, mãe que vivia sem dinheiro e que emprestava do filho. Mãe que ele amava e que compunha umas músicas bonitas de ouvir, de sentir. Ficou esse menino com quem eu ia viajar até desistir e pensar que seria muito ruim, que não era uma idéia boa. Menino que eu beijei uma única vez - era segred0 - com o braço quebrado. E depois não. Depois foi um eterno namoro de crianças de 10 anos. Menino que inventava histórias, ampliava histórias, ia e vinha, migalhava qualquer atenção minha, se apaixonava sempre pelas pessoas erradas. É, pensei muito nele esses dias. Agora ele anda feliz, eu acho. Anda alegrinho, eu acho. Esses dias foi seu aniversário e eu mandei uma mensagem de orkut curtinha dizendo parabéns. Será que ele sabe o quanto foi importante na minha história? Será que sabe que lembro dele com carinho? Será que sabe que quando piso na Letras à noite, a imagem dele me vem forte? Ele escrevia muito bem, muito bem mesmo. E tinha um texto sobre mim. Texto que nunca li e que tenho curiosidade até hoje, mas ele não deixou.

A Letras me lembra um punhado de histórias. Amigos, conversas apressadas... Eu sempre tinha pressa de ir, de vir, ir à biblioteca, voltar, ir, subir, descer, ver as pessoas, voltar, aula, casa, trabalho, amigos, namorado meio mala...

Eu tinha pressa.

A Letras me lembra um caderninho preto onde eu anotava os telefones. Resisti a ter celular até onde deu, acho que 2004... 2005. Não sei. Sei que minha mãe dizia que as duas filhas que moravam perto dela tinham celular e eu, que morava longe, não tinha. Meu caderninho preto era cheio de preciosidades, eu achava que devia ter o telefone do mundo todo (vai que eu precisasse!). Esses dias me falaram sobre a listinha, que minha listinha de mocinhos estava aumentando e eu ri sozinha lembrando do meu caderninho... Lá tinha os nomes dos mocinhos também. Mocinhos para os momentos em que eu brigava com o namorado e queria sair acompanhada. Eu sempre fui uma menina de andar acompanhada por mocinhos... O povo em casa morria de rir da minha listinha de mocinhos apaixonados que com apenas um telefonema apareciam em casa dispostos a apenas me fazer companhia. Sem beijos, sem nada. Talvez andar de mãos dadas, talvez um colo, talvez um abraço. Eu era exatamente isso: uma menina, uma menina meio boba, meio atrapalhada, encantada com o mundo, apaixonada e com uma paixão que mais dia menos dia não daria mais certo... Mas era uma menina alegre que só, atarefada, cheia de lágrimas tranbordantes, textos enormes, leituras descompassadas e sorrisos escancarados.

Mas o tempo vem passando e a menina vem crescendo...Ontem estava putíssima com tudo no trabalho. Ainda estou. Hoje fiquei triste quando a minha companheirinha de área me disse que irá pedir demissão. Menininha doce, que estudou comigo. Super engajada, inteligente, estudiosa... Também não está suportando as maluquices... Fiquei triste. Anda todo mundo irritado por lá. E espero que ninguém venha me cutucar porque eu tô uma onça de brava. Tudo muito incoerente. Desrespeito com o tempo dos outros, com o trabalho dos outros. Ando muito chateada com isso. E olha que eu para ficar chateada com trabalho levo milênios. Mas agora estou. Não vou mudar tudo de uma vez, não vou cumprir os prazos dessa vez porque realmente não consigo. Eu também tenho vida pessoal e não vou atropelar as minhas coisas, o meu carnaval, o meu espaço porque as pessoas resolvem mudar tudo de uma vez, os projetos, as avaliações... Vou nada.

A menina que disse que amanhã pede demissão namorava o mocinho mais nerd da faculdade (será que ela briga se ler isso??), e hoje estão casados. É doce, pequena, apaixonada por literatura. Nunca nos tornamos grandes amigas, ela era mesmo muito quietinha, mas ela é amiga de grandes amigos meus. Tem aquele olhar apaixonado que eu gosto nas pessoas.

O passeio na Letras me fez lembrar dela também, passeando de mãos dadas com o namorado, distribuindo rápidos sorrisos por onde passava. Aulas de sintaxe, latim, morfologia, fonética. Aulas de literatura, muitas aulas de literatura. Aulas de italiano. Aulas de Língua Portuguesa. Optativas, milhares delas. Conversas nos banquinhos. Turma do murinho... Biblioteca.

Entro na biblioteca e vou direto para a parte das poesias, buscar um poema que li lá... esse ano! (acabo de lembrar que estive na USP esse ano) e que eu não tinha copiado. É, estive mesmo uma tarde na Letras, fui à Educação buscar meu diploma da licenciatura e passei a tarde lendo poesias com uma menina bonita do lado, menina do Rio que estuda Sophia de Mello. Passeio bom, carinho bom na alma. Lá descobri um poema bonito que busquei hoje. Lá ouvi a mocinha recitando alguns poemas, lá recitei alguns e brincamos de letra e som, de poesia, de dividir encantamentos... Tarde muito bonita.

Hoje fui lá. Aproveitei e fiz cópia de duas histórias que quero passar para meus alunos. De tudo ficam os alunos. Os alunos que eu tanto gosto. Gosto muito dos pequenos e, recentemente, aprendi a gostar dos grandes. A coisa mais bonita é quando você consegue envolver os grandes numa história. Grandes olhos te procurando, querendo saber o final, o que aconteceu, o que acontece... Os grandes falam mais alto, tem um tanto menos de doçura mas quando envolvidos surpreendem. Escrevem coisas muito bonitas, dizem coisas muito bonitas, se entregam.

De tudo ficam os alunos. Hoje briguei com uma sala (de pequenos) por causa do imenso barulho. Depois que dei o esporro a sala ficou tão quieta na aula de produção de texto que me deu até medo. Detesto brigar com os alunos, mas também não sei dar aulas com gritarias. Nem escrever com gritarias, nem ajudá-los a escrever com gritarias. Daí que sou mesmo muito brava em sala de aula. Acho que um misto de brava e doce.

Agora me pergunto... Se estive na Letras antes, nesse mesmo ano, por que é que fiquei tão nostálgica e cheia de pensamentos hoje? Talvez seja culpa de ser noite. Talvez seja culpa da TPM. Do inferno astral. Da irritação com o mundo do trabalho. Talvez seja culpa de amores desencontrados. Ou talvez seja só saudade mesmo. Saudade sem justificativa. Desde sempre gosto de morar um tanto no passado...

Pra não dizer que não vi ninguém conhecido por lá, vi o melhor amigo do saxofonista, que está fazendo um mestrado em sei lá o quê. Disse oi, diz um abraço e lembrei mais ainda do menino do sax, que preferia ficar fora tocando a ver as aulas, mas que quando escrevia algo arrebentava e quando dizia algo em sala desmontava todo mundo. Lembro dele, da primeira vez que tomei consciência de sua existência. Era 2001. Um professor, que até hoje eu adoro mas que teve nesse dia uma atitude meio ruim, estava destruindo a resposta escrita que um aluno deu para uma atividade. Digamos que tinha uns 60 alunos (pelo menos) na sala. Não sabíamos de quem era aquela resposta. Mas ele sabia que era dele. Levantou a mão e debateu com o professor, com as bochechas rosadas. Foi a primeira vez que o vi, fiquei olhando para aquele menino, nem bonito e nem feio. Que podia ser bem bonito para quem o amasse. E que tinha uma sensibilidade aguda.

Na Letras me deu uma vontade de chorar de saudade das pessoas, dos encontros, dos sorrisos pelos corredores, desse tempo que vai correndo... 8 anos. Parece coisa de doido tanto tempo em tão pouco tempo. Não tenho saudades do Colegial. Tenho saudades de uns anos que estudei em colégio público, na época dos 13 aos 14 anos. E tenho saudade da faculdade, desse comecinho de faculdade. De desconhecer São Paulo por completo. De desconhecer o mundo por completo. De ter uns 17 anos atrapalhadinhos e cheios de sonhozinhos miúdos. Hoje os sonhos são maiores, o tempo passa rápido. Hoje, em apenas quatro anos, chega os 30, ano de ter o filho planejado. Dará tempo?

Hoje me deu uma vontade de fazer aquilo mesmo que conversei com a Mari. Esquecer por um tempo as idéias para o mestrado... Prestar vestibular e ir estudar umas coisas que eu bem gostaria. Ir com a Mari morar na praia. Trabalhar menos, talvez ganhar menos, gastar menos, frequentar mais festinhas, mais bibliotecas. Rir um tanto mais aproveitar desse restinho de 20 e poucos anos fazendo as coisas que mais gosto. Escrevo um recadinho para a Mari dizendo que penso com carinho em mudar, em ir mesmo com ela para longe no ano que vem... Será um desejo muito sem realidade? E o que é realidade?

Nesse fim de semana um beijo mexeu um pouco comigo, mas não é hora agora nem é menino certo. Eu acho. Tem umas coisas que... não sei. Não é. Eu acho. Um pouco de dúvida, na verdade...

Hoje estive por uns segundinhos com outro mocinho, meu último "princípio de paixão". Que teria virado paixão imensa se não fosse um detalhe. E que teria virado paixão imensa apesar de um detalhe caso eu tivesse uns 4, 5 anos a menos. Pois há 4, 5 anos atrás eu tinha menos defesa, sabia lidar menos com o mundo e não temia grandes tombos. Hoje tenho mais cuidado comigo, verifico bem onde estou pisando, o princípio de paixão foi arrancado. Swrá que evoluí ou desevoluí? rsrsrs

Esse texto é sem pé nem cabeça. Quem é que vai ter paciência de ler? Texto de moça atrasada e com sono, cheia de lembranças e de vontade de mudar umas coisinhas no mundo.

Deixo aqui a poesia encontrada em janeiro de poetisa tão bela e sensível:



MENINA SEU MUNDO

I

Corre conta o vento
o cabelo em liberdade.
Flor da infância
não a toca o tempo
no espaço em que demora
sem medida
ou marca.

Só vê o ar que sem olhos
se comove em volta.
Cumprimenta os bichos
a água
o jardim.
Nas nuvens se extasia
porque têm formas
do impossível.
E tudo é um
na trama de seus dias.

II

Menina para onde vais
voando com folhas pássaros
a natureza levando
presa no passo ligeiro?
Corre o vento nos teus cachos
suaves atalhos castanhos
corre a terra nos teus passos
ágil tentando alcançar-te
corre o sol as águas correm
debatendo-se na luz

e quando paras o passo prossegue
sem que te movas

Dora Ferreira da Silva

2 commenti:

Camila ha detto...

acabo de reler o post. é tarde e não há tempo de mudar a pontuação e os milhares de errinhos. depois arrumo, ok? rsrsrs

Ps. Camila conversando com o blog... ahahahha

La Nostra Italia ha detto...

Ca, eu li seu texto!! E confesso que me emocionei quando vi seu relato sobre a Letras... meus olhos se encheram de lagrimas.

Quando fazia so as optativas, no primeiro semestre de 2006, encontrava pouquissimas pessoas da nossa época (na verdade eram Cris, Maria Vitoria, Marta e Thiago) e era tao estranho nao encontrar com as pessoas que estudaram conosco, do primeiro ano ou da turma de italiano. Parecia que a Letras estava vazia, escura (alias, tenho essa imagem dela, mais escura, quando lembro dessa época).

Da ultima vez que estive la, em maio do ano passado, encontrei a faculdade um tanto desleixada e tao triste. Enquanto esperava a Jacque, o Ale e um amigo nosso da Historia, fiquei olhando as pessoas na porta de entrada e tentando encontrar um rostinho conhecido. Mas nao encontrei nenhuma Camila, Cris, Carol, Dani, Aline, Flavia, Everton, Ale, Elaine, Fabiana, Francisco, Evandro e por ai vai, a lista é imensa! E a cantina nao é mais a mesma sem nos, nem a fila de xerox, nem as salas vazias, nem aqueles espaços ao aberto onde nos encotravamos, la em cima ou la embaixo. E nem os professores sao os mesmos! Encontrei tantos diferentes...

Voce falou do Everton e da Coco-cola... lembrei de quando voltava das aulas de espanhol la na FEA, toda terça e quinta, e encontrava com o Everton, Felipe, o Manuel e às vezes voce la no banco do andar térreo, perto do banheiro do fundo e de frente ao jardim. Era tao legal ouvir as historias, rir um pouco... o Everton estudou comigo no primeiro ano e voltavamos juntos de onibus até as Clinicas. Toda vez que pegavamos o tal do onibus "Pedra Branca", entrava um monte de maloqueiros que nos deixavam com medo. Por isso preferiamos o "Horto Florestal" :D

Também tenho mais saudade dos tempos da USP que do colegial. E mantenho mais contato (verdadeiros) com as pessoas da USP que do colegial. So do ultimo ano que tenho saudade... sei la, algumas das minhas amigas queriam se achar as "pops", as "barbies" em uma escola publica. Queriam que fossemos como elas. E te excluiam de algumas festas so porque nao éramos como elas. Eu sempre fui na minha, falava com todos, das "barbies" às "nerds", meninos e meninas.

Sabe que época tenho mais saudade da Letras? De 2004. Foi o ano que fomos ao "Parlando", a nossa turma era bem unida e também porque era o ultimo ano que todos estavam juntos e nos viamos com certa frequencia. De 2005 também tenho saudade, foi o ano que começamos a trabalhar la na Higienopolis... voce, a Cris e eu (lembra das idas à USP de onibus?)

Quando eu comecei a estudar em Milao, tentava comparar e encontrar as pessoas da USP nos meus novos colegas. Mas foi uma tentativa em vao e me frustrei. Apesar de serem solicitos e sempre me ajudar, meus novos colegas nao eram como os amigos que fiz na USP.

Voce disse de culpa em alguns trechos do texto... mas nao é isso, é saudade, esta palavrinha tao misteriosa e dificil de se traduzir, que so nos que falamos portugues entendemos. A saudade esta e estara sempre comigo, ainda mais agora que estou do outro lado do Atlantico, longe da minha cidade, dos meus pais, dos meus irmaos, dos meus amigos. E quando estou ai sinto saudade do Salvatore, da minha nova casa, da tranquilidade da "minha" nova cidade, da vida italiana...

Desculpe se escrevi demais. Era para ser um simples comentario, mas acabei escrevendo um "post".

Um otimo fim de semana e um maravilhoso Carnaval, bem colorido e animado!

Beijos com saudade!