sabato, maggio 16, 2009

palavras jogadas de madrugada


Meu blog sofre de censura - minha e dos meus amigos. Muitas e muitas vezes escrevo coisas e depois decido - ou alguém me dá um cutucão - que é melhor apagar.



Está frio, um frio tenebroso aqui em Piedade. Passa da uma da manhã, eu visto chachecol, uma blusa imensa, toca...

Estava com uma preguiça enorme de vir pra cá, mas, como sempre, quando chego, tenho vontade de ficar.

Esou apaixonada pela gata da Melissa, que a é coisa mais linda do mundo. Isso é muito estranho, dado que eu sempre tive medo de gatos. Mas a da Mel é tão liiiinda...

Hoje foi o começo da festa do caqui. Meu coração saudoso, frio, vinho quente (que parecia chá de maçã), doce de gengibre, pastel de alcachofra, yakisoba (sei lá como escreve.. rs). Mãe e amiga. Frio, frio. Vento no rosto. Parquinho. Terra. Feirinhas. Gente conhecida. Show (maravilhooooso) em homenagem ao Caymmi. Calor de tanto dançar. Rosto queimando.

Às 9, uma saudade dos 16 anos, do primeiro namorado. Saudade de andar de mãos dadas e de ter os sonhos longe... De comer churros e pastel, de estar no frio bem agasalhado, de abraçar forte o grande amor, de nem pensar em grande amor, o tempo e sua eternidade... Saudade dessa adolescência, dos sucos de morango no Tranchan, das cirandas no meio da rua. Saudade dessas certezas, do abraço depois do futebol, de perder a virgindade. Saudade de amigos, de sensações, da menina que eu era, das ruas de Piedade, do descompromisso com o mundo, do teatro e das poesias descobertas. Saudades dos cadernos, dos registros, do Centro. Saudade da escola, dos professores, dos passeios. Saudade de estar ali, viver ali, de ser, daquilo tudo que foi indo, indo e se foi para sempre. Um aperto no peito de saudade...

Às 11 tudo muda. É música tocando, o som alto. A gente dança samba, canta, a gente dança ciranda e vê rostinhos conhecidos. A gente abraça de saudade, a gente vive novas coisas, a gente esquece de novo do tempo, do espaço, da vida. A gente esquece dos compromissos e ama a cidade com todo o coração. Às 11 nem a vontade das 10. É que às 10 tinha batido uma vontade de Piedade, de estar em Piedade, viver em Piedade, casar em Piedade e ter filhos e trabalhar aqui e construir aqui um mundo colorido. Uma vontade de fazer, de ajudar, de dar colo para a cidade, de aninhá-la nos braços, nos abraços, nas carícias. Vontade de fazer amor com a cidade, de adentrá-la e de cá ficar para sempre. Desejos tão vivos quando cá passeio.

Tem gente que não gosta. Tem gente que nem liga. Mas eu gosto, eu ligo, eu sinto falta, eu estarei dia 20 com o coração apertadinho de vontade de estar aqui. Eu sei, eu poderia ver Renato Teixeira outro dia. Eu sei, o Cataia sempre toca em Piedade, em São Paulo... Mas ver o Renato com a minha mãe, com as irmãs, com os rostos conhecidos, ia ser bem lindo. E dançar Cataia. E estar aqui no dia 20...

Mas às 11 tudo é diferente. Às 11 o coração viaja. E você pode morar em Piedade, em São Paulo, em qualquer lugar. Às 11, no meio do show, o coração vai amansado, alegre, dançante, feliz. Às 11 passa a saudade. Às 11 passa a breve tristeza e de certa forma até a vontade de morar aqui para sempre. Abre-se espaço para outros sonhos, às 11 horas a gente se sente vivo, leve, livre e sabe que virão outros encontros. A gente alivia. Respira e percebe que tudo muda o tempo todo, mas que há sempre grandes encontros. Às 11 ninguém diz, mas a gente percebe que passou. Passou o grande amor, passaram todos. Passou a tristeza, o coração apertado, passaram as lágrimas que perduraram por mais de um ano e findaram há uns meses e ninguém tinha se dado conta. Passou o que havia de mais bonito na paixão, chegou outra paixão, mas rápida e mais fácil de tratar. Paixão que também já se foi com o vento...

Às 11 acredita-se mais no mundo. Às 11 percebo que sou uma historinha do que fui, que Piedade estará comigo, dentro do peito, por onde eu for, que vou espalhar a sementinha. Que eu posso ficar, voltar, continuar, partir. Que tudo pode ser, que é questão de escolha. Mas que para sempre levarei comigo a cidade, seu vento gelado, todas as experiências e risadas e lágrimas. Que levo minha adolescência na mala, que cá dentro trago o que fui, que é parte do que sou hoje.

Às 11 a gente dança e não pensa. A gente sente o mundo. Deixa o rosto queimar. A gente se aquece, a gente se alegra, a gente percebe o sentido das coisas, aquele Deus que está em todas as partes. Às 11 a gente sente amor, companhia, a gente se compreende. Às 11 uma comunhão, essa é a palavra, essa é a sensação. Comunhão.

6 commenti:

Camila ha detto...

não vou mudar o "trago ela"... eu acho bonito...

uma banana para os gramáticos malas do mundo...

Camila ha detto...

yakissoba... arrumando... ehhehee.. :)

Juliano Soares ha detto...

Ai os 20 de maios... Dói o 20 de maio para quem está onde não é 20 de maio.
Dói o cheiro dos churros que você disse, os desfiles que a gente não vê mais, as escolas fechadas e a caras de Piedade na rua.
Bom 20 de maio.

Camila ha detto...

nem me fale no 20 de maio... que saudades da terrinha... ai, ai...

nesse ano comecei a sofrer a ausência do 20 de maio bem antes da data... ai, ai, ai...

Caçadora de Arco -íris ha detto...

Camila que depois da festa vai escrever e agente que vai dormir hehehe




ps: Cá cadÊ seu último post? eu li ele hj estava tão bonito!

Camila ha detto...

meu blog sofre censuras... eu disse.. rsrsrs... que bom que leu antes de ser retirado do ar... ehehhee.. beijões...