mercoledì, maggio 27, 2009

Outros horários


Eu dormindo, toca o telefone... Insiste. Atendo, preocupada, achando que é a Renata. O que será que pode ter acontecido?

Para minha surpresa não é... Meu pai. Nem sabia que ele tinha o telefone da minha casa. Altinho de tudo. Me dando conselhos, dizendo saudades, fazendo convites, dizendo coisas de amor. Digo que vou no aniversário da avó, que é mãe da mãe (lembro que é no mesmo dia que o pai dele, meu avô, fazia aniversário). Ele me diz que gosta da minha avó (os dois se gostam) e que também vai no aniversário. Os dois completamente diferentes, vivendo o mundo de uma forma diferente, com valores diferentes... Os dois que eu amo com uma intensidade absurda. Tão diferentes...

Andava chateada com meu pai. Muito chateada. Nos vimos em março, eu acho. Me magoou, mexeu em coisas que não são de mexer. Veio me falando de amor, de umas coisas que eu não Justificarqueria falar. Doeu um tantinho. Eu e as minhas sensibilidades exageradas. Mas, como sempre, o meu 'estar chateada' dura pouco. Logo passa. E ele é meu pai. Tenho a mesma facilidade para me chatear e para perdoar, para a mágoa e para a compreensão.

Quer falar sobre a minha vida, diz que moro em São Paulo para ficar longe da família. Ninguém nunca tinha me dito isso... Eu que gosto tanto da família... Só podia ser meu pai mesmo, o fugitivo, o que adora amigos e que é sempre distante da família. Mas que às vezes chora e abraça e pede perdão, que às vezes vai ver as irmãs e fica abraçado contando histórias e mais histórias feito besta. Só podia ser meu pai e sua infantilidade e seu imenso coração. Penso um tanto. Será que moro longe para ficar longe? Faz um tanto de sentido. Não gosto de ninguém opinando, não gosto de gente colocando o dedinho nas minhas coisas. Do conservadorismo, da mania de cuidar da vida dos outros, regras... estúpidas. Gosto do colo, do carinho, do amor. Mas gosto da minha solidãozinha. Desde criança. Penso e acho que ele não está tão errado assim. Gosto um tanto da distância.

Me diz que São Paulo é horrível, que eu devia morar em Sorocaba ou na cidade onde ele mora, que devia ficar mais perto, longe das terríveis coisas de São Paulo. Defendo a cidade. Depois canso e resolvo falar sobre ele, sobre mim. Digo: Pai, amanhã acordo 5 e 30. Digo: Pai, amanhã trabalho muito, você poderia me ligar mais cedo da próxima vez?

Me diz coisas bonitas, diz que acaba de chegar em casa, que aguarda a minha visita, tem saudades, quer me ver. Não me faz perguntas de amor. Fala de mim. Diz que essa coisa que inventei - ser professora - não é uma ideia muito boa e que posso ser professora, mas por que não trabalho no interior? Digo novamente: Pai, preciso dormir. Esse horário... Ele me diz: Você sabe que tenho outros horários... Imediatamente lembro que ouvi essa frase de um certo alguém esses dias. Freud explica, não é? Meus horários são outros... rs. Então tá.

Desligo o telefone e olho no relógio. Passa da 1 da manhã. Não me lembro de telefonemas do meu pai que tenham sido antes disso. 1, 2, 3, 4, 5 da manhã. Sempre umas palavras de saudade, uma carência leonina, um amor bonito e adolescente. Meu pai. Com cuidados porque minha mãe andou contando as novidades e deixou o pobrezinho preocupado... rs

Meu pai.



Hoje São Paulo para. Eu tenho tontura. Uma vontade imensa de chorar. Horas no trânsito, horas no metrô, horas, horas, horas perdidas, muita gente, eu com medo de multidões. Vontade de apertar um botãozinho e chegar em casa. Chuva, pés molhados. Acho que vou chorar. Tantas mudanças previstas... Nem sei como estará minha vida profissional na semana que vem, nem no segundo semestre... A Viva que me diz que é muita mudança pra pouca Camila, a Viva e sua paciência e seu entendimento. A Viva que me conhece tão bem...

Quarta-feira. Nada de chorinho, nada de dança, nada de passeios. Amanhã acordo cedo. Abro a internet e vejo que a previsão é de muita chuva pra amanhã, com pontos de alagamento. O bairro onde trabalho alaga. É longe, tem trânsito. Vou passar o dia num indo e vindo. Releio as previsões: chuvas intensas.

Me vem novamente uma vontade de chorar. De alguém para me acalmar, para conversar comigo, para me ajudar a organizar as coisas na minha cabeça que anda mais confusa que a caótica cidade. Uma vontade de um único abraço, que durasse uns bons dez minutos. Às 7 da manhã, recebi uma mensagem da minha mãe no celular: amo você. Chove, mãe, eu estou preocupada, mãe, já com saudades de uns alunos, com o coração besta aos prantos, enquanto vou de um lado para o outro. Chove, mãe, e agora eu queria estar aí. Eu só penso. Respondo: eu também amo você para não preocupá-la.

Hoje eu acho que meu pai tem razão. E fico sonhando com o abraço dele, com dormir abraçadinha com ele. E me sinto pequenininha no meio de tanta confusão do lado de fora e tanta confusão do lado de dentro.

Hoje, só hoje, no meio da chuva, no meio do vento, no meio do trânsito, no meio da cidade grande, no meio de todas as mudanças, de todas as saudades, dos alunos que talvez não sejam mais... Hoje, somente hoje, só um tantinho hoje, só um pouquinho hoje, eu queria um abraço.

Nessa semana eu precisava de uns carinhos. Um chá quentinho. Umas palavras doces. Alguém que compreendesse a minha dificuldade para lidar com fins, com ausências, com mudanças grandes. Alguém que chegasse e dissesse: hoje eu cuido de você.

5 commenti:

Unknown ha detto...

Pode ser que a gente more longe pra ficar mais perto, sabia?

Camila ha detto...

perto da gente ou dos outros??? camila confusa... rsrs...

mas acho que entendi...

vc quis dizer morar longe para conseguir ficar perto, não é?

para cuidar da nossa vidinha, mas conseguir dividir as coisas de amor, carinho... essa parte boa da família... ehehee

beijões, querida.

Camila ha detto...

esqueci de dizer... se é isso.. eu concordo..

a distância é um elemento importante em qualquer relação... um tantinho de distância e um tantinho de presença para equilibrar o mundo... ehehe

mais beijos.

Meio assim... ha detto...

Sim, acho que entendo a Miriam e penso como ela. Sinto muita falta porque agora a distância física está muito intensa, mas também acho que a distância é positiva em alguns momentos. Essa distância gera respeito. E respeito é fundamental em qualquer forma de relacionamento humano.
Beijos da peixinha que tem nadado do outro lado do oceano.

Camila ha detto...

isso, isso, isso. respeito. a palavra é exatamente essa.

respeito. relação de gente grande.

amo vc, minha peixinha.

beijão