
Histórias complicadas... me ne vado.
(Um texto ruinzinho escrito por um coração cansado de idas e vindas).
Febre. Febre. Febre. A cabeça estourando de dor. Não, não posso visitar miha avó no hospital.
Ontem uma conversa com a Queiroz pelo facebook. Uma conversa na internet.
A Camila e suas histórias complicadas, dizia ela.
Em Piedade. Todas as vezes que acontece algo assim, eu penso em como faria para morar por aqui. Como viveria, como sairia, como veria as pessoas que amo e que estão em São Paulo. Onde trabalharia. Quanto ganharia. Me dá uma paz tão grande imaginar que moro por aqui. Só imaginar. Talvez eu não queira de verdade, mas imaginar ajuda.
Febre. Dor de garganta, dor no corpo. De novo. Acho que as gripes, sinusites e rinites deveriam aparecer - se apareceserem - apenas uma vez ao ano. Não tá bom? Que droga!
Fim de trimestre, as coisas se acumulando. Provas, trabalhos, histórias, escolher histórias, contar diferentes histórias, são diferentes idades...
Outro dia ouvi algo que me deixou magoada e me chamou a atenção. Coisas que magoam costumam chamar muito a atenção. Com a palavra a pessoa que me disse algo:
"Como uma pessoa tão independente, morando sozinha, pagando suas contas, pode depender tanto de ter alguém?"
Na hora me senti um lixo. Um lixinho carente. Com vontade de pedir desculpas, de dizer "pois é, estou tentando, estou tentando, estou tentando...". Mas depois me deu uma baita vontade de dizer:
Pois é, eu sou assim. Eu gosto assim.
Eu nasci assim
Eu cresci assim
Vou ser sempre assim
Carências resolvo no consultório do meu psicanalista, no colo de amigos, em livros, músicas, no seio da minha família.
Mas não são apenas carências. Estive casada por dois anos. Com tudo o que há de bom e mau em estar casada. Tudo em excesso. Aprendi um bocado. (só para não parecer que a pessoa que me disse aquela frase é uma malvadinha, digo que ela também me disse isso, que eu aprendi como nunca, que sou diferente agora e que puxa, valeu a pena, agora sei melhor quem sou, o que quero). Aprendi sim. Muito.
E confesso que tenho saudades do ex-namorado. Saudades do jeito de ele gostar de mim, tão intenso e verdadeiro, de ser acordada para ouvir o quanto eu era linda, o quanto ele me amava. Por ouvir elogios, muitos elogios, por receber muito carinho. Saudades dessa vidinha de ter alguém esperando em casa. Do cheiro, do gosto, dessas coisas todas. Do abraço apertado. Das lágrimas quentinhas. Dos planos de vamos fugir desse lugar. De Prudente, que saudade de Prudente! Saudade.
(Um texto ruinzinho escrito por um coração cansado de idas e vindas).
Febre. Febre. Febre. A cabeça estourando de dor. Não, não posso visitar miha avó no hospital.
Ontem uma conversa com a Queiroz pelo facebook. Uma conversa na internet.
A Camila e suas histórias complicadas, dizia ela.
Em Piedade. Todas as vezes que acontece algo assim, eu penso em como faria para morar por aqui. Como viveria, como sairia, como veria as pessoas que amo e que estão em São Paulo. Onde trabalharia. Quanto ganharia. Me dá uma paz tão grande imaginar que moro por aqui. Só imaginar. Talvez eu não queira de verdade, mas imaginar ajuda.
Febre. Dor de garganta, dor no corpo. De novo. Acho que as gripes, sinusites e rinites deveriam aparecer - se apareceserem - apenas uma vez ao ano. Não tá bom? Que droga!
Fim de trimestre, as coisas se acumulando. Provas, trabalhos, histórias, escolher histórias, contar diferentes histórias, são diferentes idades...
Outro dia ouvi algo que me deixou magoada e me chamou a atenção. Coisas que magoam costumam chamar muito a atenção. Com a palavra a pessoa que me disse algo:
"Como uma pessoa tão independente, morando sozinha, pagando suas contas, pode depender tanto de ter alguém?"
Na hora me senti um lixo. Um lixinho carente. Com vontade de pedir desculpas, de dizer "pois é, estou tentando, estou tentando, estou tentando...". Mas depois me deu uma baita vontade de dizer:
Pois é, eu sou assim. Eu gosto assim.
Eu nasci assim
Eu cresci assim
Vou ser sempre assim
Carências resolvo no consultório do meu psicanalista, no colo de amigos, em livros, músicas, no seio da minha família.
Mas não são apenas carências. Estive casada por dois anos. Com tudo o que há de bom e mau em estar casada. Tudo em excesso. Aprendi um bocado. (só para não parecer que a pessoa que me disse aquela frase é uma malvadinha, digo que ela também me disse isso, que eu aprendi como nunca, que sou diferente agora e que puxa, valeu a pena, agora sei melhor quem sou, o que quero). Aprendi sim. Muito.
E confesso que tenho saudades do ex-namorado. Saudades do jeito de ele gostar de mim, tão intenso e verdadeiro, de ser acordada para ouvir o quanto eu era linda, o quanto ele me amava. Por ouvir elogios, muitos elogios, por receber muito carinho. Saudades dessa vidinha de ter alguém esperando em casa. Do cheiro, do gosto, dessas coisas todas. Do abraço apertado. Das lágrimas quentinhas. Dos planos de vamos fugir desse lugar. De Prudente, que saudade de Prudente! Saudade.
Claro, existem as coisas ruins, as coisas muito ruins, eu poderia listá-las, mas deixo-as quietinhas, afinal foram as coisas ruins que nos fizeram desunidos, nós que nos queríamos tanto!
Mas o que eu queria dizer hoje é que eu preciso sim de uma pessoa do meu lado. Inteira. Que preciso de histórias menos complicadas. Que preciso de um colo quente e confortável, ser cuidada, ser acarinhada, não estar só a resolver problemas... Tão só a ponto de não ter ninguém com quem dividir as alegrias...
Cansei de histórias complicadas. Estou exausta, a imagem que tenho de mim é essa. Cansei de ter que aprender a virar a página, a recomeçar, a olhar para o mundo à procura de algum olhar a fim de caminhar com o meu.
Sim, eu dependo de outras pessoas. Todos dependemos. É muito fácil apontar o dedinho e falar. Viver só numa cidade como São Paulo, tendo os amigos adultos, eu mesma adulta e a família longe não é brincadeira.
Meus pés estão cansados e andam querendo um chinelinho para repousar.
Aos 28 eu não sei se acredito em grande amor. Nem se o meu já passou e eu nem vi ou vi e não soube cuidar, não soube amar, não soube... Não sei.
Não procuro um grande amor. Quero e necessito de uma companhia. De alguém que queira estar por inteiro comigo. De alguém com a alma afim.
De uma companhia quente pelas manhãs.
Também necessito rever a minha vida, o meu excesso de trabalho.
Dor no estômago agora.. Que maravilha!!
Queria alguém que dissesse: eu gosto de você, venha aqui, vem pra cá, vou cuidar de você. A Queiroz disse que todo mundo quer isso, quer ouvir isso. Mas saber que é um desejo comum a toda a humanidade não me faz desejar menos.
Hoje, noite febril, com dor de estômago, garganta, cabeça, corpo...
Hoje eu queria um amor. Inventar um amor. Um amor menos complicado. Alguém livre de amarras que me desamarrasse. Que me levasse pelas mãos e dissesse: vem cá, meu bem.
Não queria nada complicado. Queria o fácil. A leveza. A certeza. Não queria dúvidas, nem solidão, nem passado, nem futuro. Só um hoje carinhoso. Um hoje que me desse certeza que esse hoje se estenderia. E que não existem outras pessoas, outros momentos, outros problemas.
Uma companhia.
Meu avô e minha avó estão casados há 57 anos.
Estou cansada de ouvir problemas, sentimentos que se acabam, que mudam, abandonos. Estou cansada de abandonar e de ser abandonada. De não ter certeza.
Hoje eu queria uma certeza. Andar de mãos dadas por aí. Saber que segunda eu trabalho e que depois dormirei no colo de alguém.
Queria alguém que quisesse inventar uma certeza comigo.
Um adeus às histórias complicadas. Estou indo para outro lugar do mundo.
Meu marido labuta no campo,
eu não paro na lida da casa.
Um casal tem sempre que fazer,
e que ser unido no trabalho.
O casal camponês tem de zelar pelo amor.
O casal da cidade zela pela sua roupa.
Pode trocar-se um fato velho por um novo.
Não se troca o amor de uma vida inteira.
Eu cozo o arroz e preparo o chá.
Tu mondas, semeias, cavas e ceifas.
Quando como um ovo, deixo-te a gema.
Juntos envelheceremos.
Canção Popular chinesa (Século XVIII)
in Claude Roy, A China num Espelho
Tradução de António Ramos Rosa
eu não paro na lida da casa.
Um casal tem sempre que fazer,
e que ser unido no trabalho.
O casal camponês tem de zelar pelo amor.
O casal da cidade zela pela sua roupa.
Pode trocar-se um fato velho por um novo.
Não se troca o amor de uma vida inteira.
Eu cozo o arroz e preparo o chá.
Tu mondas, semeias, cavas e ceifas.
Quando como um ovo, deixo-te a gema.
Juntos envelheceremos.
Canção Popular chinesa (Século XVIII)
in Claude Roy, A China num Espelho
Tradução de António Ramos Rosa
Nessun commento:
Posta un commento