martedì, marzo 18, 2008

Meu coração tem mania de amor...


Alguém me diz por qual motivo eu ainda - dentro, muito dentro - insisto em acreditar no amor? Naquele amor de madrugada, naquele amor único, naquele amor bonito que a gente divide debaixo do cobertor? Naquele amor que é infinito porque é uno e porque é um. Naquele amor que deixa as coisas mais bonitas, mais mansinhas? Naquele amor que preenche por dentro (feito algodão, como diria Roseana)?

Caminhando pelas ruas, dias de muito trabalho (e muito chocolate para acompanhar), entro na padaria para comprar alguns pãezinhos. Lá dentro um casalzinho de velhinhos, bem velhinhos mesmo, com mais de 80 anos certamente, de mãos dadas, pedem pão. A carteira dela, a pastinha dele. Demoram para pedir o pão, demoram para pagar, demoram para sair. Eu nem ligo. Estou com uma vontade imensa de chegar em casa, em pé há mais de 10 horas, mas nesse momento nem ligo. Fico olhando eles subindo a rua, de mãos dadas, lentinhos, subindo, subindo.

Eis que a minha crença no amor renasce.

Volto pra casa feliz, levinha, com a lembrança daquele carinho verdadeiro, bonito, carinho de um amor muito maior. Lembro do casalzinho de velhinhos que está em Piedade. Casal que brigou a vida toda e ainda briga às vezes, mas que é a coisa mais bonita de se ver, juntinhos. Vovô anti-social, bravo, grosseiro, com mania de dizer verdades para quem quiser ouvir... Vovó doce, muito doce, cheia de amigos, que põe panos quentes em tudo sempre, que quer toda hora arrumar as situações. Tão diferentes, mas tão parecidos. Meu vô me diz que são valores. Só podem caminhar juntas pessoas que têm os valores parecidos, que acreditam na mesma forma de vida. Vê a foto da minha vó com quinze anos e se emociona.... Olha a minha namorada!

Amor, amor de toda vida. Vovô me cobra um amor, um amor mais prolongado, um amor mais bonito. Ainda não achei, vô, ainda não achei. Mas retiro o que disse na nossa última conversa. Eu acredito no amor. Sei que ele existe, bonito, quentinho. Apesar de muitos dizerem o contrário, acredito nesse amor de toda a vida. Amor que é transformação, que vai se modificando ao longo dos tempos. Acredito no amor. Um casalzinho de velhinhos - lentinho, carinhoso -, que entrou na padaria comprar pão, fez renascer em mim a crença nas coisas bonitas.

Cá em mim um monte de coisas pra dividir. Amor, carinho, amizade. Cá em mim músicas e livros e historiazinhas do mundo. Cá em mim há muito amor para dividir. O tempo. Todas as coisas têm seu tempo exato, têm seu tempo certo. Enquanto isso vou cruzando padarias, trabalhando e estudando minhas coisinhas do lado de cá. Enquanto isso vou dançando - dançar é sempre o melhor remédio, o melhor carinho. Enquanto isso vou construindo aquilo que chamo de meu mundo e que cada dia é um tantinho diferente. Acredito no amor, vovô. O meu ainda não chegou. Eu ainda não conheci o amor, esse amor que se prolonga, que ultrapassa o tempo, esse amor compreensivo e terno. Mas devagarinho, com o tempo que todo grande amor exige, ele há de chegar. Até lá talvez outros amores pelo caminho, talvez muito silêncio. Acredito de novo no amor, vovô. Você tem razão. Os valores são muito importantes, as coisas que a gente acredita, a forma de amar e respeitar o outro são fundamentais. Outras diferenças são apenas diferenças. O importante é que a forma de ver o amor seja parecida. Amor não é feito de doer, é feito de perdão. Amor a gente cuida, a gente trata bem, amor não acaba nunca.

Mais não digo, vovô. Há muitas coisas pra fazer por aqui. Digo apenas que você tem razão. Não em tudo, vovô, não em tudo, mas em muitas coisas... Nessas coisas que falam desse amor bonito, de toda vida. Amor que pode tropeçar, mas nunca ficar no chão. Amor que pode magoar, mas nunca deixar de pedir perdão. Amor que é quentinho, de madrugada. Amor que é divisão.

Tão bonita esta música, tão bonito este disco:

"Madrugada chegou

O sereno caiu
Meu amor de cansaço

Caiu nos meus braços

Sorriu e dormiu

Eu só queria

Que não amanhecesse o dia

Que não chegasse a madrugada

Eu só queria amor

Amor e mais nada
Eu só queria amor

Amor e mais nada"

Madrugada e amor, Caetano Veloso.

Do disco Qualquer coisa


Obs. Respeitem minha variação linguística novamente (sem trema, né, Gil?... rs). Existem coisas que ficam mais bonitas assim... Tento mudar, mas fica artificial.

Obs 2. Texto escrito em minutinhos corridos, tantas coisas pra fazer nesse mundo. Tanto trabalho...
Obs 3. Imagem do filme Pane e Tulipani.

2 commenti:

euqueriaser ha detto...

Vou parar de ler seu blog: as pessoas não entedem qdo entram aqui e me vêem chorando... carência de amor.

Lindo Cá, lindo!

Camila ha detto...

Que bonita vc, dona Mariana! Chorona do meu coração... Sabe onde estou indo??? Te ver!

Beijos, beijos, beijos...