giovedì, luglio 31, 2008

Lá se vai julho...


Inspirada pelo post do Gil, corro para escrever algo... Ainda é julho, cinco minutos para acabar julho. Mês de férias e abraços, de família e de histórias, de comidinhas, de panquecas... rs... Mês de pizza e de bolo de chocolate. Mês de quilinhos a mais, de muito sono, de dormir até mais tarde, mês de lágrimas poucas e muito riso, um tanto grande de tédio na pequena cidadezinha onde minha família mora, mas de um tanto grande de paz. Sem trânsito não posso dizer, porque lá o trânsito começa a existir... Uma pena. Mas sem poluição, com muito silêncio, sarau, samba. Com amigos de longe e muito colo. Com campanha para vereador, comitê...

Julho passou rapidamente. Efêmero, curto... Lá se vai julho de 2008... Mês de tomar café todo dia junto, às 6 da tarde. Mês de ver a mãe a as irmãs todos os dias, de ir para a casa da avó sempre. Mês de aprender a dançar um forró meio diferente. Mês de saudade, mês de falta de chuva. De filmes e sonecas...

Terça-feira, na casa da minha avó, foram muitas lágrimas, a avó e seus cuidados comigo, seu amor, sua saudade. O avô e o computador novo, as fotos todas, a vó com quinze anos, o avô jogando bola pelo time da cidade, as tristes e bonitas histórias de um tempo que se foi...

Pronto. Meia-noite. Já é agosto, já não é julho. Julho se foi e foi tempo de descansar, de planejar, de ler um tanto. Mês de pouca internet, muitos abraços, mês de casa da tia, de ir ao centro tomar passe. Mês de ir à casa do pai, dormir com o pai. Mês que foi indo, indo, indo...

Há um tempo não ficava tanto tempo por lá. Cheguei em terras paulistanas e meu coração doia de saudade, de vontade daquele espaço-tempo piedadense. Mês de padaria, a amiga das carolinas, dos bolos, a amiga de ler poesia italiana junto. Mês de amor.

Meia-noite e três. Agosto vai chegando e trazendo novas coisas. Hoje a moça da loja me assustou ao dizer: você mora lá há quase um ano. É mesmo, quase um ano, foi em setembro do ano passado que mudei pra cá. Resisti quase um ano sem tv. Resisti a tanta coisa. A gente sobrevive, a gente chora, ri, conversa, trabalha, conhece gente nova, engorda, emagrece, cai, levanta, faz planos, faz outros, gasta, economiza, pinta, borda, grita, gira, roda, dança. A gente sobrevive. Um ano de mudança, de casa nova, de novas coisas, desse conhecer essa menina um tanto antagônica que sou eu. Cresci? Mudei? Nesse ano algo modificou por dentro, ou não? Muita coisa se passou, grandes decepções, litros e litros de lágrimas, novas amizades. Projetos novos no trabalho, dias de sol, dias de chuva, guarda-chuva amarelo, preto, azul. Quase um ano de morar sozinha, de conviver com a solidão de si mesma, com meus medos, minhas contas, minhas fomes, meus vazios. Vez ou outra a casa cheia, vez ou outra acompanhada. Mas quase sempre sozinha, acordando cedo, saindo para trabalhar, sonhando, lendo, lendo, lendo.

Julho passou, assim como os meses anteriores passaram, se desfolharam um a um e foram virando passado, lembrança.

Há cerca de meia hora cheguei em casa, leve. A casa me protege, me abriga. O meu cantinho de brincar de ser. Conversas ao telefone... Voz que me diz que vai me levar para mais perto, eu dizendo que ficarei por aqui. Ficarei, irei? O futuro é tão longe. Hoje já é agosto, meia noite e doze e eu tenho que dormir. Não sei quase nada do amanhã. Sei os poucos planos que desenho, que busco, que procuro colorir. Mas o futuro sempre vem recheado de acasos, de coisas e pessoas novas. Compreendo um tanto o hoje, como reflexo do ontem, procuro entender o ontem, procuro me compreender, me fazer menos impulsiva, procuro, procuro. Analiso o mundo, me analiso, às vezes sinto raiva, às vezes sinto amor. Às vezes dor, às vezes medo, às vezes saudade. Vez em quando uma tristeza, vez em quando uma ternura. Como diz sabiamente o Junior em seu poema, o mundo que eu queria "teria todo mundo sambando, juntando pedacinhos da vida, usando saia indiana e bagunçando o coreto - o mundo todo. Um mundo todo lindo, do lado de cá".

É isso, a única coisa a fazer é tocar um tango argentino, é dançar, dançar, dançar. Para mim a função da dança é essa. Uma libertação dos sentidos, um diálogo entre o ontem, o hoje, e o amanhã. Dançar é viajar no tempo, é sair e entrar dentro de si mesmo.

Julho acabou, meia noite e vinte, primeiro de agosto. Nos restam as lembranças, o que fizemos, como fizemos, o que fomos. Não dá para mudar julho, às vezes nem agosto, setembro, existem coisas que não sabemos, nem podemos mudar. Outras é só querer. Julho se foi, às férias se foram. Novamente na loucura de São Paulo. Bom é ainda ter vinte e alguns tantos anos e ainda poder mudar de direção. Vontade de viver as mil vidas que a Sol propôs. Qualquer coisa que desse uma sensação de eternidade. Somos todos efêmeros como os meses, os dias, os minutinhos. Resta dançar. Um tango, um samba, um rock, um maracatu. Resta dançar ciranda e, de mãos dadas, ir pensando num futuro melhor, menos afobado, menos gritado, futuro mais silencioso. Perto daqui, longe daqui? Não sei.

O negócio é dançar.


3 commenti:

Anonimo ha detto...

Tomara que o futuro seja que nem julho...com coisas boas de lá, coisas de boas cá. Bem dançante..rs.
Beijos, amor.

Caçadora de Arco -íris ha detto...

Ciao!
Cá ,Ah!! mês de julho !
se todos os meses fossem como julho,coisas boas amigos ,familia e saraus de comer seria bem melhor!
é mesmo o negócio é dançar.
baci

euqueriaser ha detto...

Julho de frio, de Ouro Preto, de BH, e reencontros... você na casa da sua mãe e eu longe da minha... por opção, claro...
Julho foi bom, e agosto já vai correndinho...

beijo,

Mari