
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”.
Fernando Pessoa
Gosto tanto desse cantinho aqui. De contar as minhas coisas de uma forma descompromissada... O que penso, o que sinto, o que quero. Gosto de dividir com as pessoas que amo meus sentimentos. Fico triste ao saber que pessoas que não gostam nem um tantinho de mim andam lendo minhas palavrinhas, invadindo o meu mundo. Mas internet é assim mesmo, blog é assim mesmo.
Minha vida sempre foi um livro aberto, a casa com todas as portas e janelas abertas, os sentimentos escancarados. Nunca devi nada pra ninguém e nem devo. Até porque nunca fiz nada de muito ilegal nesse mundo. Pelo menos que eu me lembre...
Infelizmente eu sou muito transparente. Digo infelizmente porque gostaria de ser mais fechada, de saber não demonstrar as coisas, dizer que está tudo bem quando está doendo, não contar a alegria quando a alegria está em mim. Seria bom saber ser menos transparente. Para viver bem em sociedade a gente precisa saber suportar bem as situações, precisa saber esconder os sentimentos algumas vezes. No trabalho me esforço ao máximo para ser assim, digamos, mais neutra. Trabalho é trabalho. Mas nas relações pessoais eu tento, tento e sou eternamente transparente e por isso mesmo frágil. É fácil perceber se estou triste ou se estou contente, se gosto ou não, se estou chateada, com medo, alegrinha, cansada, decidida ou cheia de dúvidas. Gostaria de ser mais fechada, de ser menos eu um pouquinho. Nem tudo o que somos é o que queremos ser. Muito dos que somos nos magoa. É tão triste magoar a si mesmo.
(Nesse fim de semana inúmeros sonhos. Sonhos estranhos. Dormi pouco e sonhei muito. Dá para compreender? Eu estava indo para a casa da minha mãe de ônibus e um dos passageiros estava levando muitas placas de vidro. Resolveram colocar as placas de vidro em cima do ônibus. No entanto, em algum momento da viagem, elas quebraram. Os caquinhos foram caindo sobre todo mundo. Minha camiseta cheia de caquinhos de vidro. Eles não cortavam, mas brilhavam, eram bem, bem pequenininhos. Vejam bem. As placas de vidro estavam fora do ônibus e os caquinhos caíram dentro. Freud explica? Jung? Alguém no mundo? Sonhos de fim de semana).
Sei que para nos defender precisamos esconder algumas coisas, ocultar. Preciso aprender a cuidar de mim, das minhas relações, dos meus sentimentos. Dia ou outro aperto a tecla foda-se (vou ser assim e pronto acabou. O mundo precisa de sinceridade, transparência). Mas na maioria deles, penso que não é bem assim. A gente precisa aprender a se expor menos. A evitar mais problemas. Ser verdadeiro pode causar inúmeros problemas. E isso é tão contraditório. Lembro de Maquiavel. Das leituras erradas que as pessoas fazem do livro O Príncipe. Sim, precisamos fazer algumas concessões. E isso não significa ser falso. Precisamos aprender a ver o outro, o outro real e não aquele que achamos que idealmente ele poderia ser.
Eu não sei jogar. Sei apenas insistir ou desistir. Eu não sei jogar. E nem sei se quero realmente aprender.
Uma pergunta final: excluir ou não o blog? O orkut já foi excluído. O que mais posso excluir? Falar menos, talvez vocês me digam. Pensem nos receptores. Nem sempre são aqueles que imaginamos. Isto ninguém me ensinou na escola, isto não ensino para os meus alunos. Esquisito, eternamente esquisito não saber quem está do outro lado lendo. Pessoas que amo e pessoas desconhecidas. Gostaria que meus leitores fossem apenas desses dois grupos.
Gostaria de ser menos explosiva, de mostrar menos quem sou, o que penso. “Tudo o que disser será usado contra você”. Cadê meu advogado?
Post longo, cheio de idas e vindas (de praxe...rs). Mais uma letra de música e mais um poema.
São Paulo, 29 de outubro de 2007.
OBS 1. Gosto tanto de São Paulo por poder ser eu mesma nas ruas, nos ônibus, em todos os lugares. Em São Paulo são desconhecidos que me “lêem”. Gosto disso. Por mais que seja solitário.
OBS 2. A imagem é do filme Minha vida sem mim (um maravilhoso e profundo clichê).
“O samba, a viola, a roseira
“O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração”
Roda Viva, Chico Buarque
1 commento:
Lindo, Bambina!
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