mercoledì, ottobre 31, 2007

Uma alegria




Tenho uma grande alegria e um grande sono. Como é normal das alegrias muito grandes, logo após o êxtase, o sono vem chegando, vem chegando, o corpo vai ficando molinho, pedindo descanso. Mas gostaria de dizer minha alegria. Pelo menos um pouquinho. Até onde o sono permitir. A vida é mesmo uma coisa engraçada. Se eu pudesse contar a minha vida... Não esta desse mês, desse ano, desse tempo... Mas a minha vida num balanço, minha vida desde que eu era pequena até hoje, eu poderia dizer, eu posso dizer que tudo sempre teve um caminho certo. Posso dizer que dia ou outro permaneci demais em certas situações, sofri, me perdi, mas posso dizer que a permanência em uma ou outra situação sempre me fez sentido, sempre era necessária. É impressionante ver como parece que há uma linha, parece que alguém lá de cima vai me guiando, vai me levando, vai me entregando as coisas que preciso e exatamente o que preciso. Nos momentos mais certinhos.

Hoje conheci uma porção de gente, senti uma porção de coisas. Neste instante eu teria uma multidão de acontecimentos, sentimentos e descobertas para relatar. Mas o sono vem se instalando aos poucos e eu quero dizer o essencial. De tudo o que andei conhecendo, assim numa quarta-feira no meio da semana, posso dizer que tudo já estava em mim, que já ardia em mim desde o dia em que eu nasci. Sempre tem aquele dia em que descobrimos um amigo, um amor, uma alegria.

Hoje estou pensando no meu avô. Nas coisas bonitas que ele me disse um dia. Um velhinho de setenta e poucos anos falando sobre sexo. Você aí consegue imaginar? Não, não consegue. Meu avô é um ser fantástico, de outro mundo, e sempre que começa a falar TEM algo para falar, algo para falar de verdade. As palavras do meu avô, uma por uma, fazem sentido, me tocam, me ensinam. Meu avô nesse dia (há uns dois anos atrás aproximadamente) me falava sobre sexo. Sobre essa energia vital que é o sexo e sobre como podemos utilizá-la. Me falava que é muito fácil aplicar toda a energia sexual no ato do sexo. É muito fácil a carne, o encontro sexual, os desejos. Mas me dizia que nem sempre o mais fácil é o mais certo. Acontece que meu avô é espírita - e mais do que espírita, é um sábio. Me falava sobre a necessidade de saber aplicar a nossa energia sexual, a nossa energia vital. Sexo é comunhão, é partilhar a vida, é dividir a energia de uma forma profunda. Não há certo ou errado. O que existe é o amor. Amor é comunhão. A coisa mais triste do mundo é o sexo desprovido de amor ou pior o sexo acompanhado de ódio, de desprezo, de vazio. Nada mais comum nos dias de hoje. Sexo é sexo. Não importa que não haja amor. Não importa que nem haja respeito. Meu avô ia falando contra tudo isso. Dizendo que a energia sexual deveria ser aplicada sempre com amor. E nem sempre essa energia se manifestava no ato sexual. Muitas vezes era aplicada de outra maneira. E ia contando, falando de diversas pessoas que usaram a energia vital de uma maneira muito mais bonita. Sei que tudo isso que estou dizendo parece não fazer sentido. Parece não "casar" com o que comecei a dizer sobre a alegria, sobre as descobertas. Mas casa, veja bem de pertinho, casa. Sei que esse papo parece uma caretice sem fim, de uma menina que realmente é bem careta. Não tenho medo de parecer careta. Respeito as opiniões das pessoas sobre o mundo, sobre o amor, sobre o sexo. Só venho dizer que as palavras do meu avô, hoje, andaram passeando comigo. Sim, podemos e devemos usar a energia vital, essa coisa que nos queima por dentro a favor de outras coisas que não sejam necessariamente o ato sexual em si. Meu avô me dizia que sexo enlaça, a gente cria vínculos. Vínculos que não podem ser desfeitos com um adeus, com um até logo. Veja bem com quem você quer criar vínculos. Vínculo é com aquilo que amamos. A energia vital, a energia sexual também deve ser usada com aquilo que amamos. As pessoas, os sonhos.

Devo dizer que começo a compreender o mundo e tudo começa a fazer sentido. Hoje aprendi coisas importantíssimas, pessoas que me tocaram, que sempre existiram em mim. Hoje pensei muito sobre o amor. Sobre o amor em diversos lugares. Posso dizer que estou completamente encantada. Que é impressionante como o acaso é certo e verdadeiro. Como as coisas na minha vida vão se encaixando e vão se tornando algo. Ainda não sei o que é. Não acredito plenamente em desejos que temos e acreditamos com tal força que eles se realizam. Talvez eu acredite no amor, na aceitação, em ir compreendendo as coisas que acontecem comigo, ir amando as coisas, as pessoas, os lugares que estão perto, que querem estar perto, que vão surgindo. De repente isso me parece a grande certeza. Mas talvez não seja só isso. Talvez realmente alguém, em algum cantinho do universo, esteja me guiando, me acompanhando os passos, me soprando palavrinhas nos ouvidos. Ando tendo sonhos esquisitos. Voltei a dormir. Eu que passei semanas com o sono atrapalhado. E hoje a grande alegria de viver. A alegria que a gente descobre assim por acaso. Ou por destino. Ou por qualquer outro motivo. É engraçado estar sozinha. A semana toda somente ouvindo vozes pelo telefone, lendo letrinhas pelo computador. Durante o dia apenas as pessoas do trabalho. E hoje as pessoas novas, uma multidão delas, como trazê-las pra casa? E eu trouxe. Cada uma delas para o meu cantinho. Não apenas no papel (tantos e-mails e telefones), mas em mim. O engraçado de estar sozinha é ir se conhecendo, é ir gostando de estar sozinha. É ir diminuindo a culpa. Como diz a menininha do Mania de Explicação... Culpa é quando cismamos que poderíamos ter feito diferente, mas geralmente não podíamos. Começo a entender que nos descaminhos desse mundo fiz aquilo que podia fazer. Assim como meus pais, minhas irmãs, assim como você. Não adianta dizer que poderia ter feito de outra forma. Se pudesse, teria feito. Todos fazemos. O que podemos é fazer diferente agora. Eu tenho tantas coisas para dizer, para entender. Também gostaria de dizer que é a coisa mais bonita do mundo morar em São Paulo e ter terminado a faculdade. Ainda mais uma faculdade tão, tão longa e cheia de coisas como a que eu fiz. Acho que a Queirós consegue me entender. Como é bom compreender o mundo por outros caminhos. Como é bom estar aqui.

Para terminar toda essa "falação" sem fim e sem uma linha condutora, gostaria de dizer algo que aprendi. Aprendi que não podemos contar a história do outro se ela não nos toca. Tudo pode ser lindo para o outro, mas se não é para você, não é. As histórias que contamos, que vivemos, que fazemos dia a dia são a nossa história, aquilo que acreditamos, aquilo que amamos. Não dá para contar história que não é nossa. Não dá pra ser aquilo que não somos.

Era só isso para dizer. Meu avô e suas reflexões tão profundas que eu nem soube reproduzir ao certo, mas que reproduzi da forma como elas me tocaram. As pessoas que conheci, as idéias que estou tendo, tudo germinando, essa noite quente de primavera, os planos, as descobertas, a solidão, o amor.

"Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro".

Mania de Explicação, Adriana Falcão.




"Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô


Atravessamos o deserto do Saara

O sol estava quente

Queimou a nossa cara


Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô..."

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