lunedì, ottobre 22, 2007

Pedaço de quase nada



É tarde. E, no entanto, parece tão cedo que é inacreditável que seja tarde. Hoje estive caminhando por caminhos há tempos não visitados, observado o mundo de um jeito que há um tempo não fazia. As pessoas vão dizendo as coisas, as pessoas queridas, os livros. Tenho lido livros, muitos livros, muitas histórias se misturando com as minhas. Tenho sentido o mundo com mais intensidade, com mais dor, mais amor, mais profundidade. O mundo arde e como ouvi hoje de um amigo que não via há um tempo, ele arde porque eu quero que arda. Eu quero que arda? Fiquei um tempo parada, pensando nas palavras que iam e vinham pela tarde. No fim eu posso ser diferente? No fim eu sou o que quero ser? As palavras eternas, jogadas, dando voltas no pensamento. E nenhuma conclusão. Mas a certeza de que o momento não é exatamente o que parece e é apenas meu. Tudo com mais intensidade. São pedaços do dia espalhados, é instabilidade. Os livros, os trabalhos. Tudo parado, como se fosse eterno. Tudo dizendo, as pedras, as bolhas, o dia que acorda depois de mim. Frio, na Avenida Paulista pessoas agasalhadas por papelões. E a chuva, as indecisões, esse mundinho tão restrito, tão errado. O dia vai acordando triste, são lágrimas? É solidão? Como ajeitar tudo, ir corrigindo os desenhos, as folhas espalhadas pelo chão do quarto? Somente depois percebi o que era certeza. Era certeza que entrava pelas janelas, era certeza que deitava-se comigo, que me fazia delirar. Certeza. A certeza que há dias procurava, em desalento, pelas ruas, pelas esquinas, dentro de mim, nos aquários, nas bacias, na água, na água. E ela ali, branca, esparramada, olhando-me nos olhos, me convidando. As palavras iam se encontrando e a música ia entrando, alegrando as coisas, enchendo os olhos de todas as lágrimas. A certeza vinha, e eu não queria. Deitada de costas, na cama, me defendia, pedia para ela partir, que eu não queria, que eu preferia a indecisão macia, a indecisão cheia de angústia, a indecisão que fazia o mundo arder, queimar, tornar-se imenso, tornar-se teatro de mim, viração, noite, estrela, fome. Então não era o alimento, era a fome a errada. A fome que há dias esparramou-se sobre meus dias, meus compromissos, meus dias agitados na cama, esperando, aguardando. Então não havia a fome. Era essa a resposta? O dia foi se torneando e foi virando esta noite clara, sem chuva, sem nada. Esta noite repleta de certeza, sem fome, sem ardência. Esta noite feliz, leve, desprendida. Esta noite em que ouço as palavras que vão e vem, me penetram a alma e estarão comigo na hora de adormecer. Esta certeza líquida, branca, despudorada, que me retira da cama, enche o dia de aquarelas e me convida a dançar, a dançar... Esta certeza da qual fugi, achando que estava a persegui-la, promete dormir comigo, estar comigo, segurar a minha mão durante a noite, acariciar-me, beijar-me a boca, o ventre, o colo. Esta certeza quer me conquistar, quer me levar pra este lugar de não sei onde, lugar onde tudo escapa, não queima, mas fica eternamente esfumaçado, tão diferente do que eu achava que seria uma certeza, uma possibilidade de saber tudo. E ela vem me beijando as mãos, me lambendo os dedos, doida para me ver quietinha, sorrindo, enquanto os livros vão dizendo as coisas que os livros dizem, as histórias todas em mim, pulsando, e eu tão certa das histórias que já não quero, tão mergulhada nesta incerteza sem fim e destemida que é ter certeza. E as palavrinhas serão apagadas, andam pelos ares, mudam-se, e nunca mais, nunca mais, nunca mais. Como é doce dizer nunca mais, nunca mais, nunca mais. Mesmo que não seja. Nunca mais, nunca mais, nunca mais. A boca vai dizendo, nunca mais. E já não são lágrimas, são todas as faltas, todas as ausências. Já não são alegrias relembradas, são aquelas que vivo agora, dançando, de mãos dadas com o tempo, este tão certo e incerto amigo. São passos que dei, que estou dando agora em direção a não sei onde, mas tão envolta de certeza, desta certeza que eu nunca quis e agora tenho aqui, sentada no meu colo, esta certeza tão clarinha, tão bonita. Nunca mais, nunca mais. Tão bom sentir que nunca mais.


"Não se move uma montanha
Por um pálido pedido
De alguém que não se ama
Todo ouro está contigo
Para isso há muita chama
No coração do bandido

Mais uma vez o dia chega
Em minha vida
Como uma chama na selva
O sol na cama da relva
A tua boca e a lua
A minha boca e a tua
Vão deixando pela rua
Palavras e silêncios
Que jamais se encontrarão"

Palavras e Silêncios:

http://radio.musica.uol.com.br/


Conto pititico da Sol:

Não-falavas: Falavras...

Ele disse: "Amor". Ela riu e calou. Durante a erupção, o deslizamento de lava foi envolto por toda a neve acumulada sobre o pico daquele vulcão adormecido desde eras glaciais, cobrindo a chama em gelo e a montanha em cinzas. Ela disse: "Amei..." e "Não mais". Que importava? Havia fala. Pa-lavra. E gotas derretidas começaram a cair

3 commenti:

Anonimo ha detto...

Essa foto é linda. Você também é linda.

Sol ha detto...

Esse meu continho (do jeito q está) é uma coisa feia q eu fiz. Ele era de um outro jeito, as falas eram invertidas.
Mudei porque não sentia mais o que estava lá. Mas, ao mesmo tempo, quero q continue a mesma coisa, o mesmo significado, só fazendo de conta q não é mais comigo, q agora é com gente inventada. Essas histórias q a gente inventa não deviam ser assim? Com gente inventada? Poisé...
Ainda encontro o mesmo sentido, mas não sei se é o sentido q os outros encontram (como sabê-lo? acho q nunca)...

Meu conto é sobre esperança. Sobre a fala como possibilidade no mundo. Engraçado é q na coleção de microcontos, o conto seguinte é sobre a inutilidade de falar... Humano é isso mesmo, uma contradição q anda...

Camila ha detto...

Solzinha... Não conheço o conto original. Mas esse é lindo, lindo, lindo. Amo vc. Vem aquiiiiiiiiiiiiiii...


Melzinha... E vc é a mais linda ainda. Te amo grandão.