
Camila: Significa mensageira e se associa a uma jovem e linda criada que servia os participantes das cerimônias pagãs. Indica uma pessoa que é competente porque executa suas tarefas com amor. Com grande senso de observação e justiça, sempre sabe ver os dois lados da situação.
Às vezes eu me esqueço de algumas coisas importantes na minha vida. Ontem perdi um livro, na segunda também. O primeiro ainda espero encontrar na casa da Sol.
Então fui lembrando da Aninha, dela falando que também andou perdendo coisas um tempo atrás até perceber que isso tinha um significado.
Perder coisas me lembram sobre o que é importante. Eu gosto de trabalhar. Gosto dos meus aluninhos e dos alunões. Por mais chatinhos que eles pareçam dia ou outro, por mais que um dia sejam crianças demais e no outro adolescentes demais. Gosto deles, das brincadeiras, da alegria, das histórias que ouço. Todo dia é uma história diferente. Gosto de participar da vida deles, de pelo menos tentar trazer alguma coisa que julgo importante.
Eu sempre gostei de escola. Ontem aprendi que a palavra escola tem uma relação com ócio, com descanso, lugar para descansar a cabeça e por isso mesmo aprender. Escola precisa de tempo. Penso todo dia que a concepção de escola que temos hoje está tão diferente. Tudo muito rápido, muito corrido, muita cobrança, pouco tempo para deixar a imaginação livre.
Para que ler um conto? Quais são os objetivos específicos desta tarefa, professora?
Eu queria explicar que a poesia, que os contos populares, que a fábula são muito mais do que parte do cronograma. Queria explicar que a poesia é e ponto. Que nem tudo o que é inútil é ruim. Que a inutilidade é também importante, justamente por ser “desimportante”. Num mundo onde o que conta é o importante, as coisas importantes pra fazer, as coisas importantes para aprender, as coisas importantes que devemos saber, decorar, ter em mente, soletrar, nada mais bonito e importante (!) do que as coisas “desimportantes”. Nada como um livro sem justificativa, como uma história só para ser ouvida, deliciada, vivida.
Professora vale nota? Quanto vale? Professora, professora?
Os alunos já aprenderam que tudo deve valer nota, que nada na escola é porque é, que tem explicação, nota, dever, tarefa e tantas outras coisas. Os alunos estão no mesmo processo do mundo. Mais e mais e mais informações... Como trazê-los de volta? Como ensinar o ar, mas não o ar que podemos decodificar em fórmulas? Como ensinar o cotidiano, os sentimentos? Como ensinar que nada mais útil do que o inútil? Como ensinar que cada um deveria saber o que é útil para si mesmo? Que cada um precisa do seu mundinho de inutilidades? Que cada um precisa sentir, respirar, aprender, viver da sua maneira, no seu próprio tempo? Como explicar que a vida é muito mais do que as coisas que a gente deve (porque alguém decidiu) aprender? Como ensinar as tantas coisas inúteis que não cabem no cronograma (e são trimestre por trimestre riscadas, deixadas de lado, apontadas como não pertencentes ao conteúdo de Língua Portuguesa)? Como ensinar o amor? E amor se ensina? Sim? Não? O que se ensina? Algo que eu simplesmente decido que é importante? Dá pra ensinar o que não se quer aprender? Existe educação forçada?
Existe, infelizmente.
Lembro das coisas que aprendi, das histórias, das escolas onde estudei. Lembro das alegrias, do clima, de quanto aprendi nas escolas públicas por onde passei. E lembro do pânico que eu tinha de ir à aula no Ensino Médio. Acho, sinceramente, que as coisas “importantes” que eu tive que aprender (e nem aprendi tudo e nem metade de tudo) para o bendito vestibular, que era uma ladainha sem fim do primeiro ao terceiro ano, são tão menos importantes do que algumas outras coisas... Como a amizade, como a alegria, como o gostar de aprender o mundo, tocar o mundo, sentir de maneiras diferentes...
Isso eu queria ensinar... Mas como? Como?
Não sei se fui, sou ou serei uma profissional dedicada (como me descreveu minha aluninha no dia dos professores). Mas posso dizer que faço meu trabalho com amor. Mesmo que dia ou outro esteja cansada, mesmo que dia ou outro esteja triste, com medo, assustada com o mundo. O que me move é o amor. Nada como chegar em casa e ler os textos que pedi, nada como perceber que os projetos deram certo, que os textos estão tão, tão bonitos. Amor, nada como o amor.
Então fui lembrando da Aninha, dela falando que também andou perdendo coisas um tempo atrás até perceber que isso tinha um significado.
Perder coisas me lembram sobre o que é importante. Eu gosto de trabalhar. Gosto dos meus aluninhos e dos alunões. Por mais chatinhos que eles pareçam dia ou outro, por mais que um dia sejam crianças demais e no outro adolescentes demais. Gosto deles, das brincadeiras, da alegria, das histórias que ouço. Todo dia é uma história diferente. Gosto de participar da vida deles, de pelo menos tentar trazer alguma coisa que julgo importante.
Eu sempre gostei de escola. Ontem aprendi que a palavra escola tem uma relação com ócio, com descanso, lugar para descansar a cabeça e por isso mesmo aprender. Escola precisa de tempo. Penso todo dia que a concepção de escola que temos hoje está tão diferente. Tudo muito rápido, muito corrido, muita cobrança, pouco tempo para deixar a imaginação livre.
Para que ler um conto? Quais são os objetivos específicos desta tarefa, professora?
Eu queria explicar que a poesia, que os contos populares, que a fábula são muito mais do que parte do cronograma. Queria explicar que a poesia é e ponto. Que nem tudo o que é inútil é ruim. Que a inutilidade é também importante, justamente por ser “desimportante”. Num mundo onde o que conta é o importante, as coisas importantes pra fazer, as coisas importantes para aprender, as coisas importantes que devemos saber, decorar, ter em mente, soletrar, nada mais bonito e importante (!) do que as coisas “desimportantes”. Nada como um livro sem justificativa, como uma história só para ser ouvida, deliciada, vivida.
Professora vale nota? Quanto vale? Professora, professora?
Os alunos já aprenderam que tudo deve valer nota, que nada na escola é porque é, que tem explicação, nota, dever, tarefa e tantas outras coisas. Os alunos estão no mesmo processo do mundo. Mais e mais e mais informações... Como trazê-los de volta? Como ensinar o ar, mas não o ar que podemos decodificar em fórmulas? Como ensinar o cotidiano, os sentimentos? Como ensinar que nada mais útil do que o inútil? Como ensinar que cada um deveria saber o que é útil para si mesmo? Que cada um precisa do seu mundinho de inutilidades? Que cada um precisa sentir, respirar, aprender, viver da sua maneira, no seu próprio tempo? Como explicar que a vida é muito mais do que as coisas que a gente deve (porque alguém decidiu) aprender? Como ensinar as tantas coisas inúteis que não cabem no cronograma (e são trimestre por trimestre riscadas, deixadas de lado, apontadas como não pertencentes ao conteúdo de Língua Portuguesa)? Como ensinar o amor? E amor se ensina? Sim? Não? O que se ensina? Algo que eu simplesmente decido que é importante? Dá pra ensinar o que não se quer aprender? Existe educação forçada?
Existe, infelizmente.
Lembro das coisas que aprendi, das histórias, das escolas onde estudei. Lembro das alegrias, do clima, de quanto aprendi nas escolas públicas por onde passei. E lembro do pânico que eu tinha de ir à aula no Ensino Médio. Acho, sinceramente, que as coisas “importantes” que eu tive que aprender (e nem aprendi tudo e nem metade de tudo) para o bendito vestibular, que era uma ladainha sem fim do primeiro ao terceiro ano, são tão menos importantes do que algumas outras coisas... Como a amizade, como a alegria, como o gostar de aprender o mundo, tocar o mundo, sentir de maneiras diferentes...
Isso eu queria ensinar... Mas como? Como?
Não sei se fui, sou ou serei uma profissional dedicada (como me descreveu minha aluninha no dia dos professores). Mas posso dizer que faço meu trabalho com amor. Mesmo que dia ou outro esteja cansada, mesmo que dia ou outro esteja triste, com medo, assustada com o mundo. O que me move é o amor. Nada como chegar em casa e ler os textos que pedi, nada como perceber que os projetos deram certo, que os textos estão tão, tão bonitos. Amor, nada como o amor.
4 commenti:
Ai Ca...
Dos amores e dores na docência, não?
E na alfabetização?
O seu aluno é pré-silábico? é com valor? hahaha
Meu aluno gosta de foguete e canta
muito bem, aliás, também sabe jogar futebol.
hehe
é a vida sistematizada.
Ca (professora mais que dedicada), a Ana Clara escreveu ontem uma poesia. (foi ditando pra mim)
- Mamãe, escreve aí uma poesia!
O Cachorro pulando
Com o osso
Com a ração
Com o papai
Com a Mamãe
a criancinha
e o bebê
O gato pulando com o cachorro
- Mamãe, coloca aí do anel...ai,não, deleta.
Linda não é? hehehe
beijo lindinha =***
Concordo plenamente com você, Camila.
Acho que as coisas úteis do mundo são meros acessórios pra gente poder desfrutar das inúteis.
Um bjão procê, e obrigado por lembrar a gente de algumas verdades universais ;-).
PS: Tenho um textinho que tb tenta falar um pouco sobre essa nossa vida calcada no "útil": http://ibere.blogspot.com/2005/07/gotas-de-vidro.html
Lu... Amei o poema da Aninha... Que saudades... Essa "burrocracia" toda na educação, né? Ai, ai...
Iberê... Li seu texto e comentei. Mto, mto bom.
Beijos nos dois! :)
Ca!!
Passando aqui rapidinho...depois vou ver de novo seu blog com mais calma...
Acho que voce poderia escrever um livro! Ja pensou nessa idéia? Te admiro muito, essa sua facilidade de escrever, de colocar seus sentimentos no papel (e na telinha do computer tb)...eu quando escrevo é so coisas sem nexo e sem graça...um dia vou melhorar...
Um beijao e bom final de semana!
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