sabato, agosto 23, 2008

Pensar é não compreender




Meu olhar é nítido como um girassol

tenho o costume de andar pelas estradas...

Emprestando do Pessoa, é assim que a Ju Fidelis descreve uma fotinho nossa que está no orkut. Fotinho de uns três ou quatro anos atrás. A Ju que lê Clarice e lembra de mim. Acho a coisa mais bonita alguém ler Clarice e lembrar de mim. O Gil esses dias me disse que quando pensa em literatura lembra de mim. E isso é um baita de um elogio, ao meu ver, além de uma demonstração de carinho, pois vem de um ex estudante de Letras, atual auxiliar e futuro editor de livros. Já falei sobre o Gil aqui, também já falei sobre a Ju. Mas hoje uma imensa ternura me invade, relendo as palavrinhas do Pessoa escolhidas por ela. Esses dias um aluno me pergunta: Professora, o que é ternura? Acho que demorei um tempo para responder. Antes fiquei olhando para o rostinho dele, procurando achar a forma mais bonita de dizer.

Ternura é uma das palavras mais bonitas que existem. E um dos sentimentos mais docinhos. Hoje sinto ternura e trago o olhar nítido porque mergulhado em mares de amizade. Ter amigos é o melhor presente do mundo. Ter amigos e ter um amor, tudo assim ao mesmo tempo, é ter uma felicidade permanente. Cheia de ternura.

Saber que temos amigos, amigos de verdade, é como ir comendo lentamente o doce preferido, é como caminhar descalço na praia sem nada pra pensar, é como ler um livro muito bom devagarinho, mastigando cada palavra. Ter um amigo é permanecer, é ser lembrado lá do outro lado do oceano.

Volta e meia cá estou eu refletindo sobre a amizade. Nesses meses tenho pensando muito nessas coisas. Vou contar um segredo: é que eu ando namorando um amigo meu. (Alguém já experimentou?) Então eu tenho vivido tudo misturado: amizade, amor, amor, amizade. Eu que sempre achei a amizade superior - e ainda acho - venho me surpreendendo com uma amizade-amor tão delicada, colhida em beijos de manhã, em abraços apertados, em cafés da tarde, em planos sobre o futuro das coisas...

Hoje eu sinto ternura e lembro profundamente da Ju, que nesse momento representa todos os meus amigos de verdade, todos aqueles que me fazem sorrir andando pelos caminhos, que deixaram em mim alguma coisa plantada, alguma coisinha que brilha de repente à tarde, caminhando por uma rua qualquer. Todos os amigos que estão em mim e todos os amigos que me levam por aí. Hoje penso neles, num imenso campo de girassóis, na Ju, no amor, na amizade. Nessa felicidade que é sentir ternura. E existir.


Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...

3 commenti:

Gil ha detto...

Oi, pessoinha. Obrigado por mais uma homenagenzinha; obrigado também pelo colo e pela companhia. Amo você.

Rosely Zenker ha detto...

Oba!!!
que bom que este blog continua!
eu estou mais ou menos de volta!!
com muitas saudades, aliás!
um girassol de presente para o seu coraçaõ!

beijão

Giulia ha detto...

Oi, flor! Puxa! Nem sei o que escrever... fico tão feliz em saber q. do outro lado do ocenao vc pensa com tanta ternura em mim, na nossa amizade... fico tão feliz e tbm tristinha... como é bom ter vc tbm tão pertinho pra abraçar e conversar e passear... e dividir os nossos mundos... a distãncia às vezes dói e internet não é tão suficiente... te amo grandão!